Efeitos da crise
A crise política chegou de vez aos mercados e está expressa nos números de ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencou, teve apenas cinco ações em alta no índice e registrou aumento no volume financeiro. O dólar subiu forte e já acumula variação positiva de 5,48% em julho. Os juros fecharam em alta e com expressiva liquidez, apesar da tendência de queda da inflação. Esse comportamento dos ativos evidencia uma realocação de recursos para posições defensivas diante do agravamento da crise política e do temor de contaminação da economia.

Dólar tem valorização
O mercado de câmbio começou a segunda-feira receoso, por conta dos desdobramentos em torno da crise política no final de semana. O dólar fechou com valorização de 2,66%, a R$ 2,462 na venda. Trata-se da maior alta percentual em um dia desde 31 de maio do ano passado, quando a divisa subiu 3,23%.

Ameaças
As ameaças do publicitário Marcos Valério de revelar o esquema de corrupção no governo elevaram o temor de que as denúncias atinjam diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Diante do agravamento da crise política, o mercado pouco repercutiu dados positivos da economia, como o aumento de 111,8% nos investimentos estrangeiros diretos no país, que passaram de US$ 4,045 bilhões para US$ 8,566 bilhões entre o primeiro semestre de 2004 e igual período deste ano

Questão política
''Tecnicamente, não vejo nada que explique esse movimento (do dólar), a não ser a questão política'', afirmou João Medeiros, da corretora Pionner. Marcos Valério é apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como um dos principais operadores do ''mensalão''.

O presidente e a balança
Os analistas criticam também a atuação do presidente Lula diante da crise, que tem sido de distanciamento, com um discurso cada vez mais populista. Para piorar, o resultado da balança comercial, que vinha sustentando a tendência de baixa do dólar, teve uma queda significativa na última semana. Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, o superávit comercial brasileiro somou US$ 343 milhões na quarta semana de julho, volume 65% inferior ao da terceira semana do mês.

Queda no superávit
A queda no superávit se deu por conta da redução de 17,1% nas exportações, que ficaram em US$ 2 bilhões na última semana, e do aumento de 15% nas importações, que somaram US$ 1,658 bilhão. De acordo com o ministro interino do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, o resultado da quarta semana de julho foi afetado pela paralisação dos técnicos da Receita Federal. No ano, entretanto, a balança acumula superávit de US$ 22,712 bilhões, um crescimento de 28,85% sobre o mesmo período do 2004.

Na Bovespa
O Ibovespa fechou em baixa de 3,39%, com 24.530 pontos. Operou entre a máxima de 25.388 pontos (-0,01%) e a mínima de 24.410 pontos (-3,86%). Com o resultado, a bolsa passou a acumular baixas de 2,08% em julho e de 6,36% em 2005. O movimento financeiro foi vigoroso e ficou em R$ 1,880 bilhão. Apenas cinco ações do Índice Bovespa fecharam em alta no pregão desta segunda-feira. As maiores altas do índice foram Light ON (6,36%), Aracruz PNB (2,33%) e Embraer PN (1,27%). As maiores baixas foram Net PN (-8,47%), Copel PNB (-7,79%) e Usiminas PN A (-7,60%).


Dívida e risco
Entre os títulos da dívida externa, o Global 40, mais negociado, recuou 1,37% ao fechar a 115,10 centavos de dólar. Por volta das 17h49, o risco Brasil subia 7 pontos, para 422 pontos-base.


Bolsas americanas
O mercado norte-americano de ações fechou em queda, em dia marcado pelas altas dos preços do petróleo e dos juros dos títulos do Tesouro dos EUA. O preço do barril de petróleo para entrega em setembro fechou ontem cotado a US$ 59, na Bolsa Mercantil de Nova York, com valorização de 0,91%. O índice Dow Jones fechou em queda de 54,70 pontos (0,51%), em 10.596,48 pontos. A mínima foi em 10.591,55 pontos e a máxima em 10.686,53 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 13,00 pontos (0,60%), em 2.166,74 pontos, com mínima em 2.165,93 pontos e máxima em 2.186,46 pontos. O Standard & Poor's-500 caiu 4,65 pontos (0,38%), para 1.229,03 pontos.


Londres e Paris
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em alta de 28,90 pontos, ou 0,55%, em 5.270,70 pontos. A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em alta de 6,60 pontos, ou 0,15%, aos 4.422,12 pontos. A PepsiCo confirmou que não está preparando o lançamento de uma oferta pela Danone, pondo fim a semanas de especulações. As ações da Danone, que vinham registrando fortes ganhos nos últimos dias, fecharam em queda de 7,5%. A LVMH, maior fabricante de produtos de luxo do mundo, dona de marcas como Louis Vuitton e Moet & Chandon, fechou em alta de 0,7%. Após o fechamento do mercado, a companhia informou que sua receita cresceu 10% no primeiro semestre em comparação com igual período do ano passado.

Frankfurt, Milão e Madri
O mercado de ações da Alemanha fechou com o índice Xetra-DAX em alta de 5,80 pontos (0,12%), em 4.842,70 pontos. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de74 pontos (0,22%), em 33.614 pontos. A bolsa de valores de Madri fechou com o índice Ibex-35 em queda de 1,70 ponto (0,02%), em 10.017,10 pontos, ao final de uma sessão lenta, de pouca atividade e fraco volume. Em muitas partes da Espanha foi feriado nesta segunda-feira.

Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou praticamente estável, com o índice Hang Seng em alta de 7,57 pontos, ou 0,05%, aos 14.794,03 pontos. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 15,48 pontos, ou 1,44%, aos 1.089,70 pontos. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em alta de 39,72 pontos, ou 0,62%, aos 6.420,45 pontos. A bolsa da China fechou com o índice Shangai Composto em baixa de 0,1% e o Shenzen Composto em queda de 0,6%. Houve realização de lucros, depois do forte ganho de sexta-feira, que se seguiu à mudança cambial. O índice Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, fechou a segunda-feira em alta de 67,60 pontos, ou 0,6%, em 11.762,65 pontos. O índice voltou ao terreno positivo, após os mercados acionários nos EUA digerirem melhor a revalorização do yuan, anunciada pela China na quinta-feira.

Das agências Estado e Folhapress

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