MERCADO FINANCEIRO
Valorização na Bolsa
A volatilidade guiou os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ontem, que fechou com valorização de 0,54%, após oscilar entre queda de 0,77% a alta de 1,01%. Entre as maiores altas do Ibovespa hoje destacaram-se ações do setor siderúrgico, que pode ser beneficiado pela valorização da moeda chinesa em relação ao dólar. As quatro altas mais expressivas do índice ficaram com os papéis ordinários da Companhia Siderúrgica Nacional (+4,62%), Companhia Siderúrgica Tubarão (+2,52%), Companhia Vale do Rio Doce (+2,52%) e Usiminas (+2,38%). O volume financeiro movimentado na Bovespa ontem somou R$ 1,376 bilhão.
Tendência indefinida
Para Luiz Antônio Vaz das Neves, da corretora Planner, a tendência indefinida no mercado acionário doméstico foi influenciada pelo cenário externo. Quatro bombas explodiram no sistema de transporte de Londres hoje. O temor de novos ataques terroristas fez as Bolsas dos EUA fecharem em baixa. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 0,57%. A Bolsa eletrônica Nasdaq caiu 0,46%. Além disso, Neves considera que o mercado acionário doméstico está ''enxuto'', ou seja, ''não tem mais vendedor''.
Dólar versus yuan
A notícia de valorização da moeda chinesa em relação ao dólar mexeu com o mercado de câmbio do Brasil e do mundo ontem. O governo chinês anunciou a valorização do yuan (moeda corrente do país) em relação ao dólar e que a moeda chinesa passa a ser atrelada a uma cesta de moedas estrangeiras -que ainda não foi definida. O câmbio entre o yuan e o dólar está agora em 8,11 yuans para cada US$ 1. A moeda americana antes era cotada a 8,227 yuans, valor a que foi cotada por mais de dez anos.
No Brasil
No Brasil, o dólar fechou em alta de 0,51%, a R$ 2,357 na venda, após cair mais 0,81% pela manhã. Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros, avalia que o real está bastante apreciado em relação ao dólar, por isso a valorização da moeda chinesa não fez a divisa norte-americana cair no mercado brasileiro.
Explicações
Abdalla explica que o yuan - moeda da China- mais forte em relação ao dólar contribui com o desempenho da balança comercial dos Estados Unidos, o que fortalece a divisa norte-americana diante de outras moedas. Com isso, os Treasuries -títulos de dez anos nos Estados Unidos - passaram a subir e no final do dia tinham valorização superior a 4%. Uma alta nos juros pagos pelos títulos daquele país pode reduzir o apetite de investidores por papéis de países emergentes, como o Brasil. Essa possibilidade, aliada à tensão política doméstica, acabou tendo impacto no câmbio ontem, que cravou sua terceira alta seguida.
Comércio mundial
Para Alexandre Póvoa, da Modal Asset Management, a mudança no câmbio chinês, no médio prazo, não deve causar grandes alterações nos fluxos reais de comércio mundial. ''A valorização (do yuan) é ínfima'', avalia. ''Vale lembrar que o dólar desvalorizou-se, em relação a uma cesta de moedas, cerca de 20% nos últimos três anos e meio e simplesmente nada aconteceu em termos de correção de fluxo de comércio no mundo'', afirmou Póvoa.
Pressões
O governo chinês vinha recebendo pressão de seus parceiros comerciais -principalmente dos EUA e da Europa- para que deixasse o câmbio flutuar ou, ao menos, valorizar o yuan em relação ao dólar. Os governos europeus e dos EUA se queixavam de que a China mantinha uma desvalorização de cerca de 40% de sua moeda, o que dava uma vantagem desleal aos exportadores chineses.
Bolsas européias
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT 100 em alta de 6,40 pontos, ou 0,12%, em 5.221,60 pontos. A bolsa caiu depois de quatro explosões ou tentativas de explosão em três estações de metrô e em um ônibus, mas conseguiu recuperar terreno ao longo do pregão. A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em alta de 7,27 pontos, ou 0,16%, aos 4.425,66 pontos, também recuperando-se das perdas intraday causadas pelos incidentes em Londres. O índice Xetra-DAX, da bolsa de Frankfurt, fechou em alta de 45,37 pontos (0,95%), em 4.829,87 pontos. O DAX chegou a subir ao recorde intraday de 4.865 pontos depois do anúncio de mudanças no regime de câmbio da China, mas caiu a 4.820 depois disso, em reação às notícias sobre uma nova ação terrorista em Londres. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 9 pontos (0,03%), em 33.474 pontos. O índice Ibex-35, da Bolsa de Madri, manteve-se acima dos 10 mil pontos. Em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em alta de 17,19 pontos (0,23%), em 7.509,61 pontos, em linha com os demais mercados europeus, embora as principais blue chips tenham registrado desempenhos desiguais.
Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 17,44 pontos, ou 0,12%, aos 14.620,14 pontos. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou em alta de 0,25 ponto, ou 0,02%, aos 1.074,65 pontos. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em queda de 29,78 pontos, ou 0,46%, para 6.394,03 pontos. A bolsa de Jacarta, na Indonésia, fechou com o índice JSX Composto em alta de 16,85 pontos, ou 1,48%, aos 1.157,51 pontos. Na China, o índice Shangai Composto caiu 0,04% e o Shenzen Composto cedeu 0,11%. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou em queda de 2,62 pontos, ou 0,02%, em 11.786,67 pontos, com realização de lucro por parte dos investidores.
Petróleo
Os preços dos contratos futuros de petróleo caíram na New York Mercantile Exchange (Nymex), com os especuladores continuando a deixar o mercado em meio a diminuição das preocupações relacionadas com a oferta. Os dois principais eventos do dia induziram apenas uma reação de fuga do mercado: a valorização do yuan foi avaliada como um movimento muito pequeno para ter um impacto significativo na demanda chinesa, enquanto os incidentes em Londres foram vistos como insignificantes para o mercado de petróleo. Na Nymex, os contratos de petróleo para setembro fecharam em US$ 57,13 o barril, em queda de US$ 0,89 (-1,53%). No sistema eletrônico da International Petroleum Exchange (IPE), em Londres, os contratos d e petróleo Brent para setembro fecharam em US$ 55,72 o barril, em queda de US$ 0,93 (-1,64%); a mínima foi de US$ 55,25 e a máxima de US$ 56,68.
Das agências Estado e Folhapress





