Bovespa fecha em alta
A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 1,72% ontem, impulsionada pelo desempenho positivo das ações do setor de siderurgia e pelo cenário externo tranquilo. No final dos negócios, a Bolsa paulista registrava 25.704 pontos e volume financeiro de R$ 1,551 bilhão. Pela manhã, o Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista, composto por 55 ações - chegou a cair mais de 1%, por conta da expectativa do mercado com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e do depoimento do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares à CPI mista dos Correios. As maiores altas do Ibovespa ontem foram das ações preferenciais ''A'' da Usiminas, de 5,34%, e das ordinárias da Companhia Siderúrgica Nacional, de 4,97%. O papel preferencial da Gerdau subiu 4,13%.


Expectativa
As incertezas no cenário político e a expectativa em torno da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) sobre os juros também geraram cautela no mercado de câmbio. Entretanto, com o ingresso de recursos no período da tarde, principalmente por meio de operações de exportadores, o dólar reduziu a alta e fechou com leve valorização de 0,08%, vendido a R$ 2,345. Na máxima do dia, a divisa foi negociada a R$ 2,366, uma alta de 0,98%.



Subida moderada
''O que continua contendo a alta do dólar é o fluxo positivo de recursos'', afirmou Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy. Por conta da deterioração da situação política do país, o dólar vem subindo, embora moderadamente, desde a última sexta-feira. Essa alta, porém, não causa preocupação, já que a moeda norte-americana ainda acumula queda superior a 11% no ano.

Mensalão e Copom
Durante depoimento à CPI mista dos Correios, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares disse que não existe o esquema do ''mensalão'', mas admitiu que usou o caixa dois. O ex-dirigente disse que o pagamento irregular foi usado para quitar dívidas de campanhas anteriores do PT e da base aliada. No ambiente econômico, as atenções ficaram voltadas ontem para o Copom, apesar do consenso de que a taxa básica de juros (Selic) seria mantida em 19,75% ao ano. O comitê anunciou a decisão após o fechamento mercados.


Petróleo
O preço do petróleo fechou em queda na Bolsa Mercantil de Nova York com a divulgação de um recuo menor que o esperado no estoque de petróleo e gasolina nos EUA, segundo o relatório semanal do Departamento de Energia americano, divulgado hoje. O barril para entrega em agosto fechou cotado ontem a US$ 56,72, baixa de 1,29%. Segundo o departamento, o estoque de petróleo nos EUA caiu em 900 mil barris na última semana. As estimativas dos analistas eram de que o recuo seria de 3,7 milhões de barris no período.

Medo de furacões
Com a queda menor, os investidores ganharam um alívio para fazer negócios, mas a possibilidade de que novos furacões na região do golfo do México venham a afetar a produção das refinarias na região -e afetem o abastecimento de combustível nos EUA- ainda causa temor. O preço da commodity rompeu a barreira dos US$ 50 no ano passado, durante a temporada de furacões nos EUA e atingiu o patamar recorde até então de US$ 55 em consequência da passagem do furacão Ivan pela região, interrompendo a produção de diversas refinarias.

Bolsas na Europa
O comentário do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Alan Greenspan, sobre uma continuação da política de elevação de juros nos EUA em razão da solidez da atividade econômica no país afetou as Bolsas em Wall Street, o que provocou reflexos nas Bolsas européias ontem. A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,26%, com 5.215 pontos. A Bolsa de Frankfurt teve ganho de 0,29%, fechando com 4.784 pontos. Na contramão vieram as Bolsas de Paris, com perda de 0,13%, com 4.418 pontos, de Milão, com baixa de 0,32% e 25.570 pontos, e de Madri, com queda de 0,38% e 10.007 pontos.

Nos Estados Unidos
Nos EUA, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 0,40%. A Bolsa eletrônica Nasdaq avançou 0,71%. Os investidores norte-americanos mantiveram-se cautelosos ontem, com os comentários de Greenspan sobre o prosseguimento da política de juros nos EUA, para conter a inflação - que subiu de 1% ao ano em junho do ano passado para os atuais 3,25% ao ano. Também pesou no mercado americano de ações o prejuízo de US$ 286 milhões no segundo trimestre da General Motors. Os papéis do grupo francês do setor alimentício Danone subiram 5,8%, com a continuação das especulações sobre a uma eventual compra da empresa pela fabricante americana de bebidas Pepsi. As ações do laboratório suíço Roche subiram 3,6% com o anúncio de que a margem de ganhos na divisão farmacêutica da empresa deve aumentar neste ano. O lucro líquido da Roche subiu 4% no primeiro semestre, com aumento de 14% nas vendas do período.

Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 34,96 pontos, ou 0,24%, aos 14.602,70 pontos. Na Coréia do Sul, o índice Kospi terminou em baixa de 1,08 ponto, ou 0,10%, aos 1.074,40 pontos. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em alta de 7,47 pontos, ou 0,12%, aos 6.423,81 pontos, o maior nível de fechamento desde 28 de abril do ano passado. O balanço trimestral da Intel, divulgado ontem, estimulou ganhos das ações de tecnologia. Na China, o índice Shangai Composto subiu 0,7% e o Shenzen Composto avançou 1,0%. O PIB do país cresceu 9,5% no segundo trimestre deste ano em comparação com igual período do ano passado, acima da projeção média de 9,3% e da expansão de 9,4% registrada n o primeiro trimestre.

Em Tóquio
O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou em alta de 24,51 pontos, ou 0,2%, em 11.789,35 pontos, com os papéis de exportadoras em destaque, beneficiados pelo enfraquecimento do iene frente ao dólar, e pelo forte crescimento do PIB no segundo trimestre da China. O PIB chinês, que cresceu 9,5% e superou as expectativas, deu novo impulso aos papéis de companhias siderúrgicas japonesas, que já haviam registrado alta anteontem. As ações da Nippon Steel subiram 1,8% e as da JFE, 2,3%. Um analista destacou que, o forte crescimento da China, fez com que papéis ligados à matérias-primas como o aço e a borracha atraíssem os investidores.

Da agência Folhapress

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