Dólar estável
O dólar fechou ontem a R$ 2,338, mesmo patamar do encerramento dos negócios na última sexta-feira, depois de ficar a maior parte do dia em baixa. Segundo analistas, os fundamentos econômicos continuam se sobrepondo à crise política. Com isso, o dólar chegou a cair 0,51% ao longo do dia e bater nos R$ 2,326, o que atraiu compradores. ''O mercado vem se comportando bem, apesar do cenário político nebuloso. Continuam entrando recursos por meio de captações, o que mostra que o mercado externo ainda está aberto para o Brasil'', afirmou Francisco Carvalho, da corretora Liquidez.


C-Bonds
O C-Bond - um dos principais títulos do Brasil negociados no exterior - apontava estabilidade no final da tarde, negociado a 102,370% do seu valor de face. O Tesouro Nacional iniciou ontem uma operação para retirar os C-Bonds de circulação com o objetivo de melhorar o perfil de pagamento futuro da dívida. Os títulos foram emitidos em 1994 e têm vencimento em 2014. Carvalho considera que a operação de retirada dos C-Bonds do mercado é positiva. ''O governo vai alongar o prazo da dívida. Isso mostra a capacidade de financiamento do país'', afirmou.

Bovespa em leve alta
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com alta moderada de 0,39% ontem, depois de oscilar durante o pregão entre baixa de 1,29% e valorização de 0,75%. O volume financeiro somou R$ 1,548 bilhão, inflado pelo exercício de opções em ações, que movimentou R$ 558,2 milhões.


Expectativa
A principal expectativa do mercado nesta semana é com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que sai na próxima quarta-feira, após o fechamento dos mercados. Apesar da redução nas expectativas de inflação, a maior parte do mercado continua apostando na manutenção da taxa Selic em 19,75% ao ano.O boletim Focus divulgado ontem pelo Banco Central, apontou nova queda nas previsões de inflação para este ano. As estimativas de IPCA (índice de inflação que serve de base para o sistema de metas) passaram de 5,72% para 5,67%.

Pressão
Na avaliação de Angelo Larozi, da Souza Barros, a pressão do preço do petróleo ainda vai pesar na decisão do Copom e, portanto, o juro não deve cair antes do próximo mês. Gilberto Pereira, da corretora Liquidez, avalia que o Banco Central tem sido conservador e não deverá agir diferente na reunião deste mês. Por isso, ele não espera alteração na Selic. Já Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy, espera um conservadorismo do BC pelo menos até setembro, por conta da crise política. ''Acho até que daria para cortar os juros em agosto, mas o Banco Central precisa esperar um pouco mais para ver se a questão política se resolve e não atinge outros integrantes do governo'', afirmou.


Bolsas nos EUA
As Bolsas americanas fecharam em baixa ontem depois do anúncio de ganhos abaixo do esperado pelo Citigroup. No entanto, a queda nos preços do petróleo limitou as perdas no mercado financeiro americano. O índice Standard & Poor's 500 caiu 0,55%. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, teve queda de 0,62%. A Bolsa eletrônica Nasdaq fechou em baixa de 0,55%. O Citigroup anunciou um lucro de US$ 5,07 bilhões (R$ 11,7 bilhões) referente ao segundo trimestre deste ano. Os resultados do Citigroup afetaram a onda de otimismo observada nos mercados de ações americanos na semana passada. O banco anunciou um ganho de US$ 5,07 bilhões (R$ 11,7 bilhões) no período de abril a junho, ou US$ 0,97 por ação. A expectativa dos analistas era, no entanto, de US$ 1,02 por ação.

Petróleo
As quedas nas Bolsas só não foram maiores graças ao petróleo. O preço do barril fechou em queda na Bolsa Mercantil de Nova York após a divulgação de uma previsão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de menor consumo da commodity. O barril do petróleo cru para entrega em agosto fechou cotado na Bolsa Mercantil de Nova York a US$ 57,32, baixa de 1,32%. A baixa dos preços do petróleo costuma deixar investidores menos preocupados quanto a possibilidade dos custos da energia alterarem os lucros das empresas e os gastos do consumidor.

Bolsas européias
A divulgação de previsões cautelosas da Philips Electronics, a pressão das baixas nas Bolsas americanas e a baixa nas ações do setor petrolífero afetaram o desempenho das Bolsas européias ontem. A Bolsa de Londres fechou em baixa de 0,32%, com 5.214 pontos. A Bolsa de Paris encerrou o dia com perda de 0,17% e 4.363 pontos. A Bolsa de Milão encerrou o dia com queda de 0,26% e 25.399 pontos. Em alta ficaram as Bolsas de Madri (+0,17%, 9.961 pontos) e de Frankfurt (+0,43%, 4.719 pontos).


Cautela
As ações da Philips caíram mais de 2% hoje. O lucro líquido da empresa subiu mais de 60% no segundo trimestre, devido às vendas de ações da Navteq, mas as vendas da Philips caíram 3%. A empresa ainda permanece cautelosa quanto às condições do mercado. Também caíram, no setor de tecnologia, as ações da ASML Holdings, STMicroelectronics e Infineon Technologies.


Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 62,71 pontos, ou 0,43%, aos 14.567,00 pontos, no maior nível desde 28 de fevereiro de 2001. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 2,83 pontos, ou 0,27%, aos 1.062,43 pontos. O mercado foi sustentado pelas altas em Wall Street e pelas compras por parte de investidores de varejo, que ofuscaram a realização de lucros por parte de investidores estrangeiros e institucionais. A bolsa da China fechou com o índice Shangai Composto em baixa de 1,4% e o Shenzen Composto em queda de 2,0%. Os operadores atribuíram essa debilidade a rumores de que as companhias listadas não estão planejando compensar os investidores pela transação de ações que antes não eram negociadas. O governo deu início a um programa experimental para transacionar ações que eram não-negociáveis no final de abril e até o momento já escolheu dezenas de companhias para participarem dessa reforma. Essas ações correspondem a cerca de dois terços da capitalização do mercado acionário chinês.

Das agências Estado e Folhapress

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