MERCADO FINANCEIRO
Bovespa cai 2,69%
A cautela com o cenário político provocou um movimento de realização de lucros que fez a Bolsa de Valores de São Paulo cair 2,69% ontem. Com isso, o Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista- reduziu a alta acumulada na semana de 6,12% para 3,27%. Das 55 ações que fazem parte do Ibovespa, apenas a preferencial ''A'' da Telesp Celular fechou em alta, de 0,28%.
Marcos Valério
A principal notícia no cenário político foi a de que o publicitário Marcos Valério manifestou interesse em ajudar nas investigações sobre o ''mensalão'' em troca de benefícios. O publicitário é apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como um dos principais operadores do suposto esquema de pagamento a parlamentares que seria feito pelo PT em troca de apoio no Congresso. O principal temor do mercado é que o suposto ''mensalão'' seja confirmado por Marcos Valério e envolva integrantes do governo.
Ganhos e destaques
Segundo analistas, como a Bovespa tinha subido mais de 6% na semana até ontem, os investidores aproveitaram o aumento da tensão política para embolsar os ganhos acumulados. As maiores quedas do Ibovespa ficaram ontem com as ações ordinárias da Light (-8,33%), preferenciais da Tele Leste Celular (-7,93%), ordinárias da TIM Participações (-7,24%) e preferenciais da Transmissão Paulista (-5,86%). As ações ordinárias da OHL (Obrascon Huarte Lain Brasil), companhia do setor de concessões de rodovias no Brasil, que estrearam hoje no Novo Mercado da Bovespa, subiram 1,1% e fecharam a R$ 18,20.
Dólar acumula perdas
O dólar reduziu o movimento de alta no final dos negócios ontem e acabou encerrando o dia abaixo dos R$ 2,34. A moeda norte-americana fechou com leve valorização de 0,08%, a R$ 2,338, após subir 0,73% e chegar a R$ 2,353 ao longo do dia. Na semana, entretanto, acumulou queda de 1,5%. Profissionais do mercado afirmam que a crise política tem afetado pouco o câmbio. De acordo com eles, enquanto houver confiança na equipe econômica do governo e o juro básico (Selic) continuar alto o dólar manterá a tendência de queda. A taxa Selic está atualmente em 19,75% ao ano. Um analista chegou a dizer que só vai ''acreditar que a crise política atingiu o câmbio se o dólar voltar a bater nos R$ 2,70''. A moeda norte-americana se mantém abaixo dos R$ 2,40 há um mês. A última vez que a divisa fechou acima desse patamar foi no dia 16 de junho deste ano, quando encerrou os negócios a R$ 2,406.
Nos EUA
As Bolsas dos EUA fecharam em leve alta hoje impulsionadas principalmente por dados que indicaram aquecimento na indústria norte-americana. O índice Standard & Poor's 500 subiu 0,12% e fechou com 1.227,92 pontos, maior patamar de pontuação em quatro anos. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, teve valorização de 0,11%. A Bolsa eletrônica Nasdaq fechou em alta de 0,18%. A produção industrial americana subiu 0,9% em junho, o maior aumento em 14 meses. De acordo com o Departamento de Comércio daquele país, os estoques subiram 0,1% em maio, o que significa que os negócios não estão parados.
Além disso, novos relatórios sobre a economia foram considerados positivos pelos investidores. O PPI (sigla em inglês para o índice de preços ao produtor) divulgado pelo Departamento de Trabalho, ficou estável em junho em relação ao mês anterior, enquanto que a núcleo do índice (que exclui os indicadores de preços de alimentos e energia) caiu 0,1%.
Bolsas na Europa
O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres fechou em queda de 28,9 pontos (0,55%), em 5.230,8 pontos. O volume alcançou 3,24 bilhões de ações negociadas. O comportamento do mercado foi determinado pelo desempenho das ações do setor de petróleo, que caíram em reação às recentes baixas dos preços do produto, e pelas do setor financeiro. Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 2,89 pontos (0,07%), em 4.373,77 pontos. O volume de negócios foi reduzido, por causa do feriado francês de quinta-feira (Queda da Bastilha). A bolsa de Frankfurt fechou com o índice Dax em alta de 13,63 pontos, ou 0,29%, aos 4.712,90 pontos, fechando uma semana positiva, em que o Dax acumulou um ganho de 2,49%.
Milão, Madri e Lisboa
A bolsa de Milão fechou com o índice S&P/Mib em baixa de 152 pontos, ou 0,46%, para 33.164 pontos. Os investidores realizaram lucros antes do final de semana, depois de o índice ter subido fortemente ontem. A bolsa de valores de Madri fechou com o índice Ibex-35 em baixa de US$ 21,40 pontos (0,21%), em 9.943,80 pontos, depois de acumular ganhos por duas sessões consecutivas, mostrando uma forte ligação com os demais mercados europeus. Em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em queda de 24,40 pontos (0,33%), em 7.442,64 pontos, com as principais blue chips registrando desempenhos desiguais.
Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 12,75 pontos, ou 0,09%, para 14.504,29 pontos. As ações do setor imobiliário terminaram em alta, com a expectativa de que essas empresas terão bom desempenho no segundo semestre do ano. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em baixa de 2,33 pontos, ou 0,22%, aos 1.059,60 pontos. O índice Weighted, da bolsa de Taiwan, terminou em baixa de 7,76 pontos, ou 0,12%, aos 6.410,59 pontos. O setor de tecnologia fechou em queda generalizada. As compras por parte de estrangeiros desaceleraram, com muitos esperando os balanços de companhias norte-americanas que compram de fornecedoras taiwanesas. Na China, as ações caíram com preocupações sobre os balanços corporativos do primeiro semestre. O Shangai Composto fechou em queda de 1,4%, enquanto o Shenzen Composto cedeu 1,6%.
Tóquio fecha em queda
A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em queda de 5,58 pontos, ou 0,05%, aos 11.758,68 pontos, após registrar alta de 104,42 pontos no pregão anterior. As ações encerraram o dia de lado, com uma onda de realização de lucros no fim do dia zerando ganhos com o fechamento em alta do mercado norte-americano ontem e com a alta do dólar. As ações de tecnologia, beneficiadas pelo otimismo do começo do dia, acabaram atingidas pela realização de lucros, antes do fim de semana prolongado no Japão em função do feriado nacional na segunda-feira.
Petróleo fecha em alta
O barril do petróleo cru para entrega em agosto, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, foi cotado ontem a US$ 58,09, subindo 0,50%. O furacão Emily passou pela Venezuela, por Trinidad e Tobago, e pelas ilha de Granada, onde provocou uma morte e deixou um rastro de destruição. O Emily é o segundo maior furacão a passar pelo Atlântico depois do Dennis, que deixou ao menos 62 mortos na região do Caribe. Os investidores temem que novos furacões que venham a atingir a região causem interrupções na produção de gasolina nas refinarias da região como a que ocorreu com a passagem do furacão Ivan em setembro do ano passado.
Das agências Estado e Folhapress





