Dólar abaixo de R$ 2,40
Sem novidades no cenário político, o dólar voltou a recuar ontem e fechou em baixa de 0,80%, a R$ 2,336 na venda, menor cotação do mês. Segundo analistas, as investigações sobre as denúncias de corrupção estão caminhando nos canais institucionais competentes e sem grandes novidades ou revelações significativas, o que gera uma certa tranquilidade no mercado. Na avaliação de André Kitahara, não houve uma notícia específica no mercado que justificasse a queda da moeda.

Fatores positivos
Analistas citaram como fatores positivos no dia dados econômicos nos Estados Unidos e a iniciativa do governo brasileiro de antecipar pagamentos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Os preços ao consumidor nos EUA ficaram estáveis no mês passado e o núcleo da inflação (que exclui as variações em alimentos e energia) teve ligeira alta de 0,1%, mesmo percentual registrado em maio. Já o Banco Central informou ontem que o governo brasileiro vai antecipar o pagamento de US$ 5,1 bilhões ao FMI referentes a parcelas que venceriam no final do ano e no começo de 2006. ''A antecipação de pagamentos reduz custos da dívida, o que melhora as perspectivas para o futuro'', afirmou Mário Battistel, da corretora Novação.

Bovespa reage
Depois de três pregões em alta, em que o Ibovespa acumulou valorização de quase 6%, o mercado realizou lucros. A bolsa paulista passou boa parte do dia em queda, mas nos últimos 15 minutos registrou uma reação e acabou encerrando o quarto pregão desta semana em terreno positivo. O Ibovespa fechou em alta de 0,25%, com 25.919 pontos. Com esse resultado, a bolsa passou a acumular alta de 3,47% em julho e baixa de 1,05% em 2005. O movimento financeiro ficou em R$ 1,280 bilhão.

Momento político
Nas mesas de operações, fala-se bastante sobre o momento político vivido pelo País. Mas comenta-se também que enquanto o presidente Lula e o ministro Palocci continuarem preservados das denúncias de corrupção, o mercado tenderá a descartar um impacto mais consistente da crise política nas operações do dia-a-dia.

Destaques
As maiores altas do Índice Bovespa foram Tractebel ON (3,65%), CRT Celular PNA (3,50%) e Brasil Telecom Par ON (3,21%). As maiores baixas foram Telesp PN (-2,12%), VCP PN (-2,11%) e Petrobras ON (-2,04%).


Bolsas americanas
O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 0,68%. O índice Standard & Poor's 500, fechou em alta de 0,26%. A Bolsa eletrônica Nasdaq teve alta de 0,41%. Wall Street foi encorajada pela divulgação do último CPI (sigla em inglês para índice de preços ao consumidor), um dos indicadores econômicos dos EUA observado com maior atenção, liberado pelo Departamento de Trabalho, que foi inesperadamente positivo em junho. O CPI não registrou variação no mês passado, como reflexo da queda nos preços da energia. As vendas no varejo em junho nos EUA subiram 1,7%, com a chegada da temporada de verão. O resultado mostra, entre outras coisas, que os consumidores superaram a preocupação com as altas do petróleo.


Petróleo cai
O preço do petróleo fechou em queda ontem. O menor risco de que o furacão Emily atinja a região do golfo do México, que concentra refinarias que abastecem de gasolina os EUA, aliviou os temores dos investidores. O barril para entrega em agosto fechou o dia cotado a US$ 57,80 na Bolsa Mercantil de Nova York, uma queda de 3,82%. Os investidores temem que as refinarias do golfo do México tenham sua produção afetada pela passagem de furacões, como ocorreu no ano passado com a passagem do furacão Ivan, afetando a produção de gasolina e destilados por meses.


Londres e Paris
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em alta de 13,80 pontos, ou 0,26%, aos 5.259,70 pontos. As ações da Vodafone fecharam em alta de 0,4%. A empresa de telefonia móvel anunciou planos de negócios em tecnologia de terceira geração a investidores. O grupo pretende superar a T-Mobile e outras concorrentes na Alemanha. A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em alta de 27,26 pontos, ou 0,63%, aos 4.370,88 pontos, maior nível em três anos.


Frankfurt e Milão
A bolsa de Frankfurt fechou com o índice Dax-30 em alta de 19,38 pontos (0,41%), aos 4.699,27 pontos, em outro dia de avanços expressivos dos preços das ações. Um dos destaques foi ThyssenKrupp, com alta de 2,80%, sustentada pela recomendação de dois grandes bancos norte-americanos para que seus clientes aumentem as posições na companhia e da demanda global expressiva no setor. Em Milão, o índice S&P/Mib fechou em alta de 192 pontos (0,58%), em 33.316 pontos, ampliando o rally anterior.

Na Ásia
A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 11,77 pontos, ou 1,12%, aos 1.061,93 pontos, no maior nível de fechamento desde 7 de dezembro de 1994. A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 184,24 pontos, ou 1,29%, aos 14.491,54 pontos, o maior nível de fechamento desde 28 de fevereiro de 2001. Os ganhos das ações do setor imobiliário foram destaque. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em alta de 41,26 pontos, ou 0,65%, aos 6.418,35 pontos, o maior nível de fechamento desde 28 de abril do ano passado. As ações de tecnologia foram destaque, ajudadas pelo forte balanço divulgado ontem pela Apple. Na China, o índice Shangai Composto subiu 0,3% e o Shenzen Composto ganhou 0,1%.

Em Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em alta de 104,42 pontos, ou 0,9%, aos 11.764,26 pontos, o maior patamar desde 8 de abril. Os lucros maiores do que o esperado da Apple Computer e da Advanced Micro Devices ofereceram suporte a ações de fabricantes de equipamentos eletrônicos e do setor de tecnologia, que lideraram os ganhos. Na quarta-feira, o índice Nikkei recuou 32,30 pontos. Muitos analistas avaliam que o mercado vai monitorar os resultados das empresas no último trimestre antes de darem início às compras.

Das agências Folhapress e Estado

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