Bovespa volta a cair

A deterioração do cenário político impediu uma recuperação na Bolsa de Valores de São Paulo nesta semana. O Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista, composto por 55 ações - caiu 0,11% ontem e fechou aos 24.422 pontos. O índice terminou todos os pregões desta semana em baixa, acumulando perdas de 3,51% no período. O Ibovespa chegou a subir 0,85% no período da manhã, mas inverteu o movimento no início da tarde com as expectativas em torno da reforma ministerial e o temor de novas denúncias nas revistas semanais que possam acentuar a crise política.

Destaque para a Vale
Um dos destaques do Ibovespa ontem foi a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). A ação preferencial ''A'' (sem direito a voto) da empresa subiu 3,82% e a ordinária (com direito a voto) teve alta de 2,94%. Além disso, os papéis preferenciais da Vale foram os mais negociados do dia, respondendo por mais de 10% de todo o movimento do mercado, que totalizou R$ 1,455 bilhão.


Nota elevada
A agência de classificação de risco Moody's Investors Service elevou a nota da CVRD à categoria de ''investment grade'' (grau de investimento). A Moody's melhorou o rating (nota de risco) de crédito em moeda estrangeira da companhia de ''Ba1'', concedido em 2004, para ''Baa3''. Isso significa que o crédito da Vale é de risco moderado e não contém elementos especulativos. A AmBev é outra empresa brasileira considerada ''investment grade''. A agência de classificação de riscos Standard & Poor's (S&P) elevou a nota da companhia em dezembro do ano passado.

Efeito Hélio
Antes de tomar posse no Ministério das Comunicações, o senador Hélio Costa mexeu com o mercado de ações ao afirmar ser contra a cobrança de assinatura básica pelas operadoras de telefonia fixa. Segundo Costa, as empresas brasileiras não podem acreditar que a economia brasileira se compara às economias dos EUA ou da França. Costa disse ainda estar consciente de que esse assunto vai provocar muita discussão no setor.


Declaração de efeito
As ações do segmento de telefonia começaram a cair logo em seguida às declarações de Hélio Costa, levando junto o Ibovespa. Até então, a bolsa paulista operava em alta e refletia a boa surpresa do IPCA de junho. O movimento de queda iniciado pelas declarações de Hélio Costa foi revertido no meio da tarde quando circularam rumores de que a Vale do Rio Doce anunciaria o recebimento de um upgrade durante entrevista que seus diretores dariam às 15h30.

Mais negociadas
As ações da Vale dispararam e acabaram fechando entre as maiores altas do índice. As preferenciais da Vale também foram as mais negociadas, com volume total de R$ 149 milhões, superando Telemar PN (R$ 141 milhões) e Petrobras PN (R$ 132 milhões). A maior alta do Ibovespa foi Bradespar PN (3,91%), que disparou acompanhando a valorização das ações da Vale. Bradespar tem uma fatia grande de ações da mineradora em sua carteira de ações.

Dólar acumula baixa
A expectativa em torno da reforma ministerial pesou no final da tarde e o dólar fechou com leve baixa de 0,08%, a R$ 2,375. Ao longo do dia, a moeda norte-americana chegou a cair 0,75%, negociada a R$ 2,359. Entretanto, a única mudança anunciada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a nomeação de Luiz Marinho, presidente da CUT, para o Ministério do Trabalho, no lugar de Ricardo Berzoini, que deverá retornar como deputado federal para o Congresso.

Meirelles
Já a possibilidade de Henrique Meirelles deixar a presidência do Banco Central com as mudanças que estão ocorrendo no governo não preocupa o mercado. Para os analistas financeiros, o importante é que o sucessor de Meirelles mantenha a atual linha da política monetária. ''A substituição de Meirelles por alguém da mesma linha, com a mesma postura, não traria problemas. O que importa hoje é que a economia do país está andando e o (ministro da Fazenda), Antonio Palocci, está forte'', afirma Jorge Alberto Cabral, da corretora Concórdia.


Palocci fortalecido
Na opinião de Miriam Tavares, da corretora AGK, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, continua fortalecido e tudo indica que ''as diretrizes econômicas ficarão intactas'', o que inclui a atuação do Banco Central. Com o resultado do fechamento de ontem, a moeda norte-americana acumulou baixa de 0,76% na semana.


Bolsas européias reagem bem
As Bolsas européias fecharam em alta ontem, recuperando-se do impacto sofrido ontem devido aos atentados ocorridos em Londres na quinta-feira, que deixaram mais de 50 mortos e cerca de 700 feridos. A Bolsa de Londres teve ganho de 1,43%, fechando com 5.232 pontos. A Bolsa de Paris avançou 1,89% e 4.300 pontos. A Bolsa de Frankfurt subiu 1,5% e fechou com 4.597 pontos. A Bolsa de Milão encerrou o dia com alta de 1,73% e 25.056 pontos e a Bolsa de Madri teve valorização de 1,54%, fechando com 9.793 pontos. Nos mercados de ações europeus, o destaque de hoje foram as ações da italiana Fiat, com alta de mais de 7%.

Nos EUA
O mercado norte-americano de ações fechou em alta forte, com os índices Dow Jones e Nasdaq registrando suas maiores altas num único dia desde 21 de abril. O mercado reagiu a notícias positivas sobre empresas importantes, como Alcoa e Disney, e ao informe de que a taxa de desemprego caiu a 5,0% em junho nos EUA (apesar de o número de postos de trabalho criados em junho ter ficado abaixo das previsões). O índice Dow Jones fechou em alta de 146,85 pontos (1,43%), em 10.449,14 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 37,22 pontos (1,79%), em 2.112,88 pontos. Na semana, o Dow acumulou uma alta de 1,41%, o Nasdaq subiu 2,70% e o S&P-500 avançou 1,46%.


Petróleo
Os contratos futuros de petróleo caíram mais de US$ 1,00 o barril ontem pressionados pela esperança dos players de que a produção de petróleo no Golfo do México escape ilesa da passagem do furacão Dennis na região. Os traders temiam que Dennis - o primeiro furacão desta temporada - pudesse se transformar num outro Ivan, o terrível furacão que devastou a estrutura da indústria de petróleo no ano passado, ou que repetisse os estragos da tempestade tropical Cindy, que interrompeu as operações das refinarias na Louisiana no início da semana. O furacão Dennis atingiu a costa centro-sul de Cuba hoje e está a caminho da costa norte-americana do Golfo do México. Espera-se que o furacão aterrisse entre a Flórida e a Louisiana no domingo.


Das agências Estado e Folhapress

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