Sem reflexos
O atentado que abalou a rede de transportes de Londres ontem afetou o mercado brasileiro na abertura dos negócios. Com a instabilidade no cenário externo somando-se à manutenção da tensão com a política interna, o dólar chegou a subir a R$ 2,414 (0,79% de alta) no início das operações. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou queda de 1,32% na primeira hora de pregão.


Dólar recua 0,75%
Mas, no decorrer do dia, os investidores reavaliaram o alcance possível dos prejuízos decorrentes do atentado à economia mundial e mudaram suas posições. O dólar acabou por encerrar em baixa diante do real, de 0,75%, a R$ 2,377. Até mesmo os títulos da dívida brasileira conseguiram se recuperar no fim do dia. O Global 40 registrou valorização de 0,38%. Com isso, o risco-país do Brasil caiu 0,24%, para os 415 pontos.

Queda leve
Já a Bolsa de Valores de São Paulo acompanhou a recuperação do mercado acionário norte-americano nos últimos momentos das operações e fechou com leve recuo de 0,27%. Na última hora de pregão, a Bovespa chegou até a cravar valorização de 0,35%, que não se sustentou. A informação de que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fechou uma operação de captação de recursos no mercado internacional, no montante de US$ 500 milhões, aliviou o mercado de câmbio. A entrada de dólares no mercado sempre tende a enfraquecer a moeda norte-americana.

Projeções futuras
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a notícia de que a inflação medida pelo IGP-DI registrou uma taxa negativa de 0,45% em junho foi bem recebida e ajudou a fazer com que as taxas futuras recuassem, independentemente do cenário externo. No contrato DI - que reflete as projeções futuras de juros - com resgate daqui a um ano, a taxa recuou de 18,20% para 18,12%.

Baixas do dia
Na Bovespa, o setor de telecomunicações - destaque de perdas em 2005- liderou as baixas do dia. As duas maiores perdas de ontem foram Tele Leste Celular PN (-4,28%) e Telesp Celular Participações PN (-3,96%). No topo das valorizações, ficou a ação PN da Net (3,22%).

Nasdaq e Dow Jones
Investidores surpreendentemente calmos fizeram com que as Bolsas americanas fechassem em alta ontem, após uma abertura de pregão difícil em decorrência dos ataques bomba em Londres que mataram cerca de 40 pessoas e feriram mais de 700. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 0,31%. O índice Standard & Poor's 500 subiu 0,25% e a Bolsa eletrônica Nasdaq teve alta de 0,34%. Investidores americanos ganharam coragem depois que a Secretaria de Segurança Interna dos EUA disse não ter visto ''evidências específicas críveis'' de um ataque contra a América.

Petróleo
Uma queda acentuada nos preços do petróleo também ajudou os mercados. O preço do petróleo com entrega para agosto fechou cotado a US$ 60,73, na Bolsa Mercantil de Nova York. Os preços futuros da commodity caíram mais de 3% no início da tarde, influenciado pelo anúncio do governo dos EUA de que está preparado para fornecer às refinarias petróleo bruto de suas reservas estratégicas se o furacão Dennis ou qualquer outra tempestade afetar a oferta.


Juros inalterados
O Banco Central Europeu (BCE) manteve ontem a taxa de juros dos 12 países da zona do euro inalterada em 2%, apesar de preocupações com o crescimento de algumas nações e com os efeitos dos ataques terroristas em Londres. Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, disse não acreditar que os ataques terão impacto no mercado a longo prazo. Ele afirmou que conversou com o presidente do Banco da Inglaterra (banco central do país) e com o presidente do Fed (Federal Reserve, o BC americano) e eles concluíram que os mercados estavam operando normalmente. Apesar de especulações sobre a possibilidade de o BCE baixar os juros, a decisão do banco era esperada no mercado, já que ele tem se concentrado no controle da inflação. O Banco da Inglaterra também manteve ontem sua taxa de juros inalterada em 4,75%.

Reação do euro
Ainda no mercado internacional, ontem pela manhã o euro reagiu em alta forte, recebendo os investidores na fuga da libra e do dólar, em reação aos ataques terroristas que coincidiram com a abertura da reunião do G-8 na Escócia e um dia depois da escolha da capital britânica para sediar os Jogos Olímpicos de 2012. O temor dos investidores era que os ataques afetariam o ritmo da atividade econômica na zona do euro. Depois de ser cotado logo cedo a US$ 1,2002, ante US$ 1,934 na virada do dia, o euro desacelerou a alta. Às 18h19, a moeda única européia era cotada a U S$ 1,1951, em ligeira alta de 0,18%.

Bolsas européias
O índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, fechou ontem com queda de 1,36%. No mercado acionário de Frankfurt, a queda foi de 1,85%. A Bolsa de Zurique caiu 0,93% e a de Paris, 1,39%. Em Milão e Madri as baixas foram de 1,55% e 1,91%, respectivamente.


Das agências Estado e Folhapress

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