CPI sem efeito
O temido depoimento de Marcos Valério à CPI dos Correios acabou tendo um efeito limitado nos mercados ontem. Sem nenhuma declaração bombástica, Valério não acrescentou motivos de estresse nas mesas de operações. Pelo menos até o encerramento dos negócios. Por outro lado, a disparada dos preços do petróleo, que atingiram recorde em Nova York, ajudaram a derrubar a bolsa e a elevar o dólar e os juros.

Juros em alta
O mercado de juros futuros na BM&F, que já vinha cauteloso desde a parte da manhã devido ao cenário político incerto, viu na piora do mercado externo motivos para adicionar prêmio às taxas à tarde. O petróleo subiu para fechar em nível recorde em Nova York, acima de US$ 61 por barril. O depoimento de Marcos Valério à CPI dos Correios não trouxe nada de impacto, na opinião dos operadores. O DI de janeiro de 2007 concentrou a liquidez dos negócios e fechou com taxa de 17,60%, contra 17,50% ontem. O DI de janeiro de 2006, o segundo mais negociado, projetava 19,20%, contra 19,17% anteriormente.

Petróleo recorde
Não fosse o quadro doméstico já prejudicado pelas denúncias sobre o pagamento de ''mensalão'' a deputados, o mercado externo voltou a pesar sobre os negócios. O novo recorde do petróleo foi atingido em razão dos temores com possíveis efeitos na operação de refinarias com a passagem de tempestades tropicais pelo Golfo do México. O barril do petróleo na Nymex fechou em US$ 61,28 (2,84%), após bater a máxima de US$ 61,35 no intraday.

Inflação
Hoje, às 8h30, a FGV divulga o IGP-DI referente ao mês passado e o intervalo das previsões dos analistas consultados pela Agência Estado está entre -0,50% e -0,26%, com mediana em -0,40%. A deflação deve ser puxada pelas quedas nos preços de transportes e alimentação, de acordo com os profissionais.

Expectativa
Assim, o IPCA de junho, que o IBGE divulga na sexta-feira deverá ser o único índice não-deflacionário do mês passado, conforme esperam os economistas ouvidos pela AE. A expectativa é de que o índice fique entre zero e 0,08%, com mediana em 0,05%. Entretanto, os economistas não se surpreenderiam com um número negativo, que seria determinado pelo comportamento dos preços dos alimentos.

Dólar sobe
O depoimento na CPI dos Correios não deixou o dólar cair, pelo quarto dia útil consecutivo. E o novo recorde do petróleo à tarde adicionou preocupação com o desequilíbrio na oferta por causa da suspensão da produção em algumas refinarias do Golfo do México em decorrência das tempestades na região. No fechamento, o dólar comercial estava em alta de 0,80%, a R$ 2,396. O resultado ampliou a valorização acumulada pela moeda ante o real neste mês para 2,66%. E também reduziu a queda contabilizada pelo dólar no ano para 9,72%. O giro financeiro total à vista diminuiu 16,54%, para cerca de US$ 1,423 bilhão.

Futuro
No mercado futuro, os investidores ampliaram as apostas na alta das cotações. Os sete vencimentos negociados projetaram preços mais altos: para 1.º de agosto, 0,69% a R$ 2,419; e para julho de 2006, 0,29%, a R$ 2,700. O volume financeiro caiu 18% para US$ 5,26 bilhões, com 102.716 contratos transacionados.

Bovespa cai
As declarações do empresário Marcos Valério à CPI dos Correios mantiveram o mercado tenso em relação ao quadro político, mas não chegaram a causar um estresse adicional nas mesas de operações. A Bovespa voltou a fechar em baixa, mas contou também com a pressão exercida pela aceleração dos preços do petróleo e pelas quedas das bolsas de valores em Nova York. O Ibovespa fechou em baixa de 0,64%, com 24.516 pontos. Operou entre a máxima de 24.677 pontos (0,01%) e a mínima de 24.267 pontos (-1,65%). Com esse resultado, a bolsa passou a acumular baixas de 2,13% em julho e de 6,41% em 2005. O movimento financeiro ficou em R$ R$ 1,437 bilhão.

Altas e baixas
As maiores altas do Índice Bovespa foram Vale ON (2,44%), Souza Cruz ON (2,26%) e Bradespar PN (2,24%). As maiores baixas foram Light ON (-6,01%), Tractebel ON (-5,91%) e Embratel Par PN (-4,19%).

Blue Chips
Na Bovespa, Telemar PN, -0,26%; Petrobras PN, -0,59%; Embratel Par. PN, -4,40%; Usiminas PNA, -1,34%; Telesp CL PA PN, -0,10%; Vale R. Doce PNA N1, +1,28%; Bradesco PN N1, -1,84%; Eletrobrás PNB, -2,62%; Sid. Nacional ON, -0,19%; Cemig PN N1, -2,61%.

Ouro
Ouro na BM&F estável, a R$ 33,000. Ouro na Comex de Nova York a US$ 424,50 a onça-troy, em alta de 0,14%.

Bolsas da Europa
O índice FT-100 fechou em alta de 39,5 pontos (0,76%), em 5.229,6 pontos. A surpreendente vitória de Londres para sediar os Jogos Olímpicos de 2012 impulsionou o mercado, mas muitos analistas estão na defensiva quanto a essa afirmação. A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em alta de 27,20 pontos (0,64%), em 4.279,95 pontos. As ações dos setores de petróleo e de tecnologia lideraram o avanço. Em Madri, alta de 0,26%. Em Lisboa, subiu 0,1%. Em Frankfurt, alta de 0,26%. Em Milão, aumentou 0,55%.

Fonte: Agência Estado

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