MERCADO FINANCEIRO
Bovespa tem giro baixo
O feriado dos Estados Unidos (Dia da Independência) esvaziou ontem os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo, que fechou com queda de 1,05% e volume financeiro de apenas R$ 451,991 milhões, menor giro desde 1 de novembro do ano passado. Em junho, o volume médio diário de recursos na Bovespa ficou em torno de R$ 1,5 bilhão. Na última sexta-feira, primeiro dia útil de julho, com a proximidade do feriado nos EUA, o giro já recuou para R$ 812 milhões. As maiores altas do Índice Bovespa foram NET PN (1,56%), Ipiranga Petróleo PN (1,38%) e Caemi PN (0,88%). As maiores baixas foram Klabin PN (-3,41%), Telesp Celular Par PN (-3,17%) e Banco do Brasil ON (-3,15%).
Reflexos políticos
O Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista, composto por 55 ações - abriu o dia estável e chegou a cair 1,63% ao longo do pregão. Sem a referência das Bolsas dos EUA, o mercado acionário paulista se ateve ao cenário político doméstico.
Na imprensa
Documentos oficiais do Banco Central reproduzidos na revista ''Veja'' no último final de semana mostram que o PT fez um empréstimo de R$ 2,4 milhões em 2003, que foi avalizado e ainda teve parcelas em atraso pagas por Marcos Valério Fernandes de Souza - cujas empresas de propaganda atuam junto a estatais e que já faturaram mais de R$ 140 milhões de reais em contratos de prestação de serviço. O empréstimo feito pelo PT ocorreu em 2003, no banco mineiro BMG. Além de Valério, o presidente do PT, José Genoino, e o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, assumiram a condição de avalistas.
Dólar fecha em alta
O dia foi de poucos negócios no mercado de câmbio brasileiro ontem, por conta do feriado dos Estados Unidos (Dia da Independência). O dólar fechou em alta de 0,42%, a R$ 2,367 na venda, depois de subir mais de 1%. De acordo com analistas, o câmbio movimentou menos de US$ 900 milhões. Em dias normais, o volume de negócios gira em torno de US$ 2 bilhões. ''Com o feriado em Nova York, o nosso mercado ficou muito pequeno'', disse José Roberto Carreira, da corretora Novação.
Outros mercados
A alta na moeda norte-americana em relação ao real, segundo Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy, acompanhou o movimento do dólar em outros mercados. O euro, por exemplo, caiu para o menor valor em mais de um ano, ao fechar a US$ 1,19. Segundo analistas, o dólar teve valorização devido à alta dos juros dos EUA, de 3% para 3,25% ao ano, promovida pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano) na semana passada, e aos indicadores econômicos daquele país, como a deflação de 0,1% em maio nos preços ao consumidor, e de 0,6% na inflação no atacado. O PIB (Produto Interno Bruto, soma de toda a riqueza produzida por um país) também foi um dos dados positivos da economia americana divulgados nos últimos dias, registrando crescimento de 3,8% no primeiro trimestre deste ano.
Influências
O avanço do petróleo e o quadro político interno conturbado também influenciaram as decisões de negócios de ontem no câmbio. Embora a Bolsa Mercantil de Nova York (onde se negocia o barril de petróleo) não tenha funcionado, a commodity continuou subindo em Londres, com o barril novamente próximo dos US$ 60.
Questão política
No cenário doméstico as atenções continuam voltadas para a questão política, com a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já acertou o afastamento de José Genoino da presidência do PT. Além disso, reportagem exibida domingo pelo Fantástico, da Rede Globo, afirma que o suposto pagamento de mesadas pelo governo se estende ao PMDB e que o líder do partido na Câmara, José Borba (PR), era responsável por receber e distribuir o dinheiro.
Inflação
Por enquanto, a ponta de preocupação com a crise fica por conta do atraso em relação a votação das agenda micro e macroeconômicas no Congresso. Pelo menos pelo lado da inflação, os investidores podem ficar tranquilos. A FGV informou que houve deflação de 0,23% do IPC na capital paulista em junho, a maior já registrada desde junho de 2003 (-0,29%). Também as projeções da pesquisa Focus divulgadas hoje para o IPCA recuaram praticamente em todos os horizontes. A mediana para 2005 caiu de 6,05% para 5,94%; para junho, recuou de 0,17% para 0,08%; e para julho de 0,54% para 0,46%. Para 12 meses à frente, a projeção cedeu para 4,85%, ante 4,96%. Mas para 2006, permaneceu estável em 5%.
Bolsas européias
As bolsas européias fecharam ontem em ligeira alta. Os papéis do setor de energia se beneficiaram do preço do petróleo Brent, em Londres, que chegou a US$ 58. As ações das empresas de telecomunicações também subiram. Os volumes de negócios foram mais baixos que o normal, no entanto, em razão do fechamento dos mercados de ações nos EUA ontem, devido ao feriado do Dia da Independência no país. A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,45%, com 5.184 pontos. A Bolsa de Paris encerrou o dia em ligeira baixa de 0,12%, com 4.264 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o pregão subiu 0,14%, para 4.623 pontos e a Bolsa de Milão teve ganho de 0,36%, indo para 24.946 pontos. A exceção foi a Bolsa de Madri, que teve desvalorização de 0,14%, fechando com 9.815 pontos.
Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 23,19 pontos, ou 0,16%, aos 14.177,87 pontos. As ações do HSBC foram pressionadas pelo rebaixamento da recomendação e do preço-alvo para os papéis do banco pelo Morgan Stanley na semana passada, e fecharam em queda de 0,64%. Na Coréia do Sul, o índice Kospi terminou com ganho de 3,69 pontos, ou 0,36%, aos 1.021,71 pontos. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em queda de 0,94 ponto, ou 0,01%, aos 6.271,20 pontos. Na China, o índice Shangai Composto cedeu 0,8% e o Shenzen Composto caiu 0, 7%. A bolsa de Jacarta, na Indonésia, fechou com o índice JSX Composto em queda de 0,10 ponto, ou 0,01%, aos 1.138,88 pontos. Em Kuala Lumpur, na Malásia, o índice Composto subiu 4,67 pontos, ou 0,52%, para 898,69 pontos. Em Manila, nas Filipinas, o PSE cede u 79,58 pontos, ou 4,20%, fechando em 1.815,67 pontos. A bolsa da Cingapura terminou com o índice Straits Times em alta de 11,21 pontos, ou 0,51%, aos 2.221,16 pontos.
Em Tóquio
A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em alta de 21,42 pontos, ou 0,18%, aos 11.651,55 pontos. Foi o quinto pregão consecutivo de valorização. ''O sentimento é de otimismo porque sabemos que a economia está ficando mais forte'', disse o estrategista de ações Kenichi Azuma, da Cosmo Securities.
Das agências Estado e Folhapress





