MERCADO FINANCEIRO
Tudo calmo
Num dia de poucas notícias, o mercado de juros reforçou ontem a aposta de que o Banco Central poderá iniciar o processo de corte da taxa Selic antes de setembro. Já o dólar fechou em alta, ajustando-se às altas no exterior dos juros, do petróleo e do dólar. O mercado cambial também tenta se antecipar à reprogramação de compras da moeda pelo Tesouro. A Bovespa, num pregão de baixíssima liquidez, teve um dia positivo. Embora o noticiário tenha se arrefecido, os mercados mantêm a cautela com o quadro de sucessivas denúncias na área política.
Otimismo
O mercado de juros teve um dia de otimismo, com quedas expressivas das taxas projetadas. O contrato mais negociado, com vencimento em janeiro/07, fechou com taxa de 17,41%, ante 17,53% de quinta-feira. Segundo operadores, aos poucos, cresce no mercado a idéia de que, se o cenário permanecer como está, o corte da taxa Selic pode acontecer antes de setembro. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, reiterou essa análise do mercado. Ele disse que a inflação de junho medida pelo IPCA será próxima de zero, o que demonstra que os preços estão sob controle. ''Esse cenário deve abrir espaço para o Banco Central antecipar o movimento de corte dos juros'', afirmou Bernardo.
Sem novidades
O que alimentou o otimismo no mercado de juros foi a ausência de notícias negativas, especialmente no campo político. O depoimento de Roberto Jefferson ontem, à CPI dos Correios, não trouxe novidades relevantes ao mercado e manteve o governo (leia- se o presidente Lula e o ministro Palocci) preservados da crise política.
Alívio na inflação
No campo econômico, os indicadores de inflação ao longo da semana mostraram alívio. E devem continuar em queda nas próximas prévias. Para que uma aposta mais firme em queda de juro antes de setembro se consolide, é preciso que haja uma queda mais forte dos núcleos de inflação. Mas, com o dólar permanecendo em níveis baixos, dizem operadores, esse alívio dos núcleos ocorrerá no curto prazo. O petróleo, que também tem determinado o comportamento do mercado doméstico, fechou em alta. Mas continuou longe dos US$ 60,00 - encerrou o dia em US$ 58,75 o barril, em alta de US$ 2,25 (3,98%).
Dólar em alta
O dólar comercial fechou na máxima, em alta de 0,99%, a R$ 2,357 - depois de encerrar na quinta-feira no menor nível desde abril de 2002. A piora do mercado externo - com o petróleo futuro, juros dos Treasuries e o dólar em altas - mais a cautela com os desdobramentos da crise política interna justificaram a demanda por moeda pelas tesourarias de bancos. O giro financeiro total, no entanto, diminuiu 14% para cerca de US$ 2,090 bilhões.
Dólar, euro e iene
Lá fora, o dólar disparou ante o euro e o iene por várias razões. O dólar encerrou a semana em Nova York alcançando a máxima em 13 meses frente ao euro e o maior nível em 10 meses contra o iene. A moeda norte-americana subiu ajudada pela combinação de posicionamento antes do feriado de 4 de julho na segunda-feira, indicadores econômicos positivos e efeitos residuais da decisão do Fed, que ontem elevou a taxa dos Fed Funds em 25 pontos-base para 3,25%. No encerramento em Nova York, o iene era negociado a 111,75 por dólar, de 110,88 por dólar ontem; o euro era negociado a US$ 1,1948, de US$ 1,2102 ontem.
Bovespa também sobe
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) iniciou o mês de julho em alta. O volume financeiro, no entanto, permaneceu bastante reduzido. Além da cautela com a crise política, o mercado também colocou o freio nos negócios por causa do feriado nos EUA na segunda-feira. Com o feriado, os mercados norte-americanos trabalharam praticamente em meio período ontem. E isso se refletiu nos mercados domésticos.
Giro financeiro reduzido
O Ibovespa fechou em alta de 1,04%, com 25.311 pontos. Operou entre a máxima de 25.409 pontos (1,43%) e a mínima de 25.046 pontos (-0,02%). Com esse resultado, a bolsa começa o mês de julho com alta de 1,04% e acumula baixa de 3,38% em 2005. O movimento financeiro, mais uma vez, foi bastante reduzido: R$ 811 milhões. As maiores altas do Índice Bovespa foram Comgás PNA (6,96%), Caemi PN (3,18%) e Usiminas PNA (3,89%). As maiores baixas foram Embraer PN (-2,29%), Brasil Telecom Par ON (-2,26%) e Tele Leste Celular PN (-1,79%).
Bolsas nos EUA
A Universidade de Michigan (EUA) informou que o índice de sentimento do consumidor final de junho subiu para 96, ante uma mediana das previsões de que o índice ficaria em 94,8. E o índice de atividade industrial nacional dos gerentes de compras subiu para 53,8 em junho, segundo o Instituto para Gestão de Oferta (ISM, ex-NAPM). A mediana das previsões era de que o índice subiria a 51,5 em junho. Em Nova York, as bolsas receberam com bons olhos esses resultados, mas sem entusiasmo. Até porque o petróleo voltou a subir e fechou em forte alta de 3,98% para US$ 58,75 o barril para entrega em agosto em Nova York. O Dow Jones fechou em alta de 0,28% e o Nasdaq subiu apenas 0,02%.
Agência Estado





