Bovespa cai
Sem uma trégua no cenário político, a Bolsa de Valores de São Paulo registrou ontem sua quinta queda seguida. O Ibovespa - índice da Bolsa paulista - caiu 0,88%, em 24.483 pontos, entre a máxima de 0,00% e a mínima de -1,93%, com volume de R$ 1,78 bilhão. Contrato de Ibovespa futuro para agosto, queda de 0,59%, em 25.200 pontos, entre a máxima de -0,59% (25.200 pontos) e mínima de -1,58% (24.950 pontos). C-Bond a 101,37 centavos de dólar, em queda de 0,31%. A Bovespa já recuava desde a última sexta-feira, por conta do desempenho negativo nas Bolsas dos EUA naquele dia.

Denúncias
Nesta semana, porém, a queda é impulsionada pelas denúncias de corrupção no PT, partido do presidente Lula, feitas pelo presidente do PTB, o deputado Roberto Jefferson (RJ). Entretanto, analistas afirmam que o presidente Lula tem demonstrado serenidade diante da crise. Para Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ''mostrou tranquilidade'' durante seu discurso no Rio, em evento de lançamento da plataforma P-47 da Petrobras.

Vítima do gás
As turbulências políticas da Bolívia acrescentaram novo fator de nervosismo no mercado, com a perspectiva de desabastecimento de gás natural do país, utilizado para consumo de empresas, indústrias e geradoras de energia. A principal ''vítima'' da crise boliviana foi a distribuidora Comgás. A ação preferencial classe A da empresa despencou 9,95% e terminou o dia cotada à R$ 208. Desde sexta-feira, o papel acumula perdas de 20,76%.

Blue Chips
Na Bovespa, Telemar PN, 0,68%; Petrobras PN, 0,81%; Embratel Par. PN, 1,78%; Usiminas PNA, -1,82%; Telesp CL PA PN, -1,30%; Vale R. Doce PNA N1, -1,93%; Bradesco PN N1, -0,62%; Eletrobrás PNB, -2,73%; Sid. Nacional ON, -0,52%; Cemig PN N1, -3,25%.

Juros
CDB prefixado de 32 dias, 19,61% ao ano. Hot money, 2,51% ao mês. Capital de giro, 23,73% ao ano. CDI, 19,73% ao ano. Over a 19,75%.

Ouro
Ouro na BM&F a R$ 34,15 o grama, alta de 2,24%. Ouro na Comex de Nova York a US$ 426,10 a onça troy, queda de 0,11%.

Crise X Dólar
O dólar voltou a subir ontem por conta ainda das turbulências políticas. A moeda norte-americana iniciou o dia em alta e fechou com valorização de 1,42%, cotada a R$ 2,497. Na avaliação de Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy, o cenário político deverá continuar concentrando as atenções do mercado enquanto não houver um esclarecimento das denúncias feitas pelo presidente do PTB, o deputado Roberto Jefferson (RJ).

'Nova bomba'
o presidente do PTB prometeu soltar uma nova ''bomba'' na próxima terça-feira, quando deverá depor no Conselho de Ética da Câmara. Diante de declarações como esta, o mercado prefere manter cautela. Miriam Tavares, diretora da corretora AGK, ressalta ainda que o mercado evitou tomar posições ontem, preocupado com as notícias que as revistas semanais podem trazer no final de semana.

Discurso do Fed
O discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Alan Greenspan, também mexeu um pouco com os mercados. Ele afirmou que a economia norte-americana está crescendo em um ritmo ''razoavelmente sustentado'' e que a inflação está sob controle, sinalizando a continuidade do aumento dos juros dos EUA, atualmente em 3% ao ano. ''A leitura é de que a economia dos EUA está mostrando aquecimento, o que sinaliza novos aumentos dos juros [daquele país]'', afirmou Vogeler.

Bolsas dos EUA
As Bolsas de Valores encerraram suas operações em alta ontem, empurradas pelo discurso do presidente do Federal Reserve (banco central americano), Alan Greenspan, no Congresso: o Dow Jones subiu 0,25% e a bolsa eletrônica Nasdaq avançou 0,81%. O Dow Jones Industrial Average (DJIA) ganhou 26,16 unidades, fechando com 10.503,02 pontos. Já o índice Nasdaq avançou 16,73 unidades, com 2.076,91. O Standard and Poor's 500 fechou em alta de 6,26 puntos (+0,52%), a 1.200,93.

Bolsas da Europa
As Bolsas européias, à exceção da Bolsa de Paris, fecharam ontem em ligeira alta, recuperando-se das perdas no início do dia. Os comentários do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Alan Greenspan, ao Congresso americano foram considerados positivos pelos investidores e animaram o fim dos pregões. A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em alta de 5,50 pontos, ou 0,11%, aos 5.009,20 pontos. A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em queda de 17,64 pontos, ou 0,42%, aos 4.153,71 pontos, em pregão volátil. Em Frankfurt, alta de 0,12%. Em Milão, subiu 0,27%. Em Madri, alta de 0,07%. Em Lisboa, subiu 0,45%.

Bolsas da Ásia
A cautela em antecipação ao pronunciamento do presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, e a divulgação dos prognósticos atualizados da Intel, nos EUA, travaram as compras na Bolsa de Tóquio, esvaziando o interesse, principalmente, por ações de grandes exportadoras, provocando queda de 1,10%. Na Coréia do Sul, alta de 1,16%. Na China, o índice Shangai Composto subiu 1,4%, enquanto o Shenzen Composto avançou 0,7%. A bolsa de Taiwan fechou em baixa de 0,26%. Em Jacarta, na Indonésia, baixa de 0,12%. Em Kuala Lumpur, na Malásia, estável. Em Manila, nas Filipinas, caiu 2,82%. Em Cingapura, alta de 0,01%.

Petróleo em alta
O preço do petróleo fechou ontem em alta, com a proximidade da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), prevista para acontecer na próxima quarta-feira. O barril do petróleo cru, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou cotado a US$ 54,28, alta de 3,31%.



Fontes: agências nacionais e internacionais

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