Negócios surpreendem
O decepcionante crescimento do PIB do primeiro trimestre, anunciado nesta semana, teve reflexos surpreendentes no mercado financeiro. A Bovespa fechou em forte alta de 2,66% ontem, o risco país caiu 3,04%, para 414 pontos, e o dólar encerrou o dia cotado em R$ 2,414, uma queda de 1,19%.

Redução de juros
Por causa do crescimento fraco, parte dos analistas aposta que o Banco Central vai começar a reduzir os juros em julho ou agosto, antes do que era esperado. E isso animou os investidores. ''Parece contraditório - o crescimento do PIB está caindo e aumentam os investimentos em bolsa'', diz Maristella Ansanelli, economista-chefe do Banco Fibra. ''Mas trata-se de uma aposta na queda antecipada dos juros.'' O CDB prefixado de 31 dias fechou a 19,60% ao ano. Hot money, 2,53% ao mês. Capital de giro, 24,88% ao ano. CDI, 19,74% ao ano. Over a 19,76%.


Bom humor
Entretanto, segundo analistas, o principal combustível do otimismo de ontem foi mesmo o bom humor externo. Os juros dos Treasuries de 10 anos (títulos da dívida dos EUA) recuaram, com a expectativa de que o Fed (banco central americano) também estaria perto interromper as elevações dos juros. ''Com a taxa dos Treasuries caindo, há um estímulo para os investidores diversificarem o portfólio e buscarem maior rentabilidade em papéis de países emergentes'', diz Maristella. O Global 40, título mais negociado da dívida externa brasileira, fechou em alta de 0,88%, a 119,95 centavos de dólar. O C-Bond encerrou em alta de 0,24%.

Blue Chips
Na Bovespa, Telemar PN, -0,90%; Petrobras PN, -0,48%; Embratel Par. PN, -2,60%; Usiminas PNA, -4,22%; Telesp CL PA PN, -3,76%; Vale R. Doce PNA N1, 0,75%; Bradesco PN N1, 3,40%; Eletrobrás PNB, -1,40%; Sid. Nacional ON, -1,89%; Cemig PN N1, -2,71%.

Ouro
Ouro na BM&F a R$ 33,15 o grama, queda de 0,45%. Ouro na Comex de Nova York a US$ 425,80 a onça troy, alta de 0,23%.

Dólar sobe
O dólar comercial teve um dia de forte volatilidade. O mercado foi movimentado pelas notícias sobre a economia americana e em meio a fortes boatos sobre o cenário doméstico. A taxa de câmbio abriu a R$ 2,41 mas manteve-se durante toda a manhã em suas cotações mínimas, a R$ 2,39. No meio da tarde, contudo, ''tomou fôlego'' e subiu para os R$ 2,427 para venda, em alta de 0,49%.

Influência
Pela manhã, as notícias de um mercado de trabalho americano mais desaquecido do que o esperado derrubaram as cotações. Sem pressões inflacionárias, os investidores avaliaram que a taxa de juros local não teria motivo para subir. Para o câmbio nacional, significa que mantém-se a distância entre os juros americanos e brasileiros que anima os investidores no exterior a aplicarem recursos em ativos domésticos.

Especulação
Os juros altos também estimulam a especulação por aqui, com instituições financeiras trazendo recursos do exterior para aplicarem no mercado financeiro local, notam profissionais das corretoras. Na contramão desse movimento, o governo voltou a sinalizar que pode intervir no mercado, após meses de ausência. Desta vez, a deixa foi do diretor de Política Monetária do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, que sinalizou o retorno do BC às compras.

BC no mercado?
Já na terça-feira, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Rodrigo Azevedo, tinha afirmado que o banco voltaria a recompor suas reservas no mercado de câmbio ''quando as condições forem as mais adequadas''. Corretores afirmaram que bancos rapidamente atuaram no mercado para sair de posições ''vendidas'', isto é, desfizeram-se de contratos futuros em que interessa a baixa da moeda.

Rumores
Outros profissionais de câmbio ainda mencionaram a preocupação com uma possível saída do presidente do BC, Henrique Meirelles, por conta das investigações do Supremo Tribunal Federal. Segundo eles, o mercado foi fortemente ''abalado'' por esses rumores, o que teria levado alguns agentes a tomar posições defensivas (comprada em dólar), puxando a cotação.

Bolsas da Europa
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em queda de 5,6 pontos (0,11%), em 4.999,4 pontos, pressionados pelo fraco dado de geração de emprego (payroll) nos Estados Unidos. Em Paris, o índice CAC-40 fechou em queda de 21,25 pontos (0,51%), para 4.162,47 pontos. Em Madri, baixa de 0,44%. Em Lisboa, subiu 0,22%. Em Frankfurt, queda de 0,48%. Em Milão, caiu 0,56%.

Bolsas da Ásia
A Bolsa de Tóquio encerrou a sessão de sexta-feira em leve alta de 0,18%, com o índice Nikkei-225 ganhando 20 pontos a 11.300,05 unidades. Em Hong Kong, alta de 0,03%. Na China, o índice Shangai Composto recuou 0,2%, enquanto o Shenzen Composto cedeu 0,6%. Na Coréia do Sul, alta de 0,54%. Em Taiwan, alta de 1,13%. Em Jacarta, na Indonésia, alta de 0,10%. Em Kuala Lumpur, na Malásia, alta de 0,40%. Em Manila, nas Filipin as, avançou 0,59%. Em Cingapura, alta de 0,05%.

Petróleo em alta
O preço do petróleo em Nova York fechou em alta ontem. O departamento de Energia dos EUA divulgou um aumento nos estoques de gasolina e de petróleo no país na última semana, mas os investidores temem agora uma eventual escassez de destilados, como óleo diesel e combustível para calefação, no segundo semestre. O barril para entrega em julho, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou cotado a US$ 55,03, alta de 2,61%.


Fontes: agências nacionais e internacionais

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