Dólar inicia semana em baixa
O dólar comercial fechou ontem cotado a R$ 2,372 para venda, em queda de 0,50% sobre a cotação de sexta-feira, em seu terceiro dia consecutivo de baixa. A taxa de câmbio está em seu menor nível desde 30 de abril de 2002, quando bateu a cotação de R$ 2,362. Os mercados locais operaram sem a referência de Nova York e Londres, por causa dos feriados, o que também levou o segmento da dívida externa a suspender suas operações.


Menor volume
Embora ligeiramente menor do que na sexta-feira, o volume de negócios no câmbio foi considerado bom, tendo em vista os feriados. O giro financeiro total à vista somou US$ 1,431 bilhão (-7,68%). Por ser véspera de formação da ptax (taxa média do comercial) e pelo fato de grande parte dos investidores estar ''vendida'' em dólar futuro, as tesourarias de bancos reforçaram as rolagens de contratos futuros e também a oferta de moeda à tarde.


Mercado futuro
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, dos nove vencimentos de dólar negociados, apenas o contrato de fevereiro de 2006 projetou ligeira alta de 0,03%, para R$ 2,624. Os oito demais vencimentos indicaram quedas: para 1.º de junho, -0,60%, para R$ 2,372; e, o maior prazo, para abril de 2007, -0,51%, a R$ 2,958. O volume negociado cresceu 63%, para US$ 10,07 bilhões, com 201.606 contratos transacionados.


Bovespa fecha em alta
A ausência das Bolsas americanas tirou a força da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), apesar do dia repleto de fatos positivos para o mercado. Sem sua principal referência externa, os investidores preferiram se manter fora do pregão, que teve giro de apenas R$ 701 milhões, ante uma média de R$ 1 bilhão. A Bovespa fechou em alta de 0,67%, aos 25.424 pontos, puxada pelo desempenho positivo das siderúrgicas. A ação PNA da Usiminas registrou valorização de 3,7%. Logo atrás, vieram: Companhia Siderúrgica Nacional (3,13%), Companhia Siderúrgica Tubarão (2,96%) e Gerdau (2,78%). Na outra ponta, o papel ON (ordinário, com direito a voto) da Light foi o que mais perdeu no pregão de hoje, fechando com baixa de 4,67%.


Reflexos
O mercado acionário refletiu com força, na semana passada, a queda na taxa de câmbio abaixo dos R$ 2,40, o que beneficiou várias empresas endividadas em moeda estrangeira. A explicação usual já citada por analistas aponta para o fato de que algumas das principais empresas do mercado são exportadoras. A esse nível, o comércio exterior já perde muito da dinâmica observada no ano passado. O Ibovespa também refletiu o índice de inflação melhor do que o esperado registrado ontem pela Fundação Getúlio Vargas. O IGP-M de maio teve deflação de -0,22%, ante projeções de estabilidade da maioria dos economistas.


Juros
O mercado financeiro operou com ritmo reduzido de negócios. Sem o norte que os negócios em Wall Street representam, a liquidez ficou limitada. E, assim, acabou o fôlego do mercado de juros para a queda das taxas, que foi observada no período da manhã. As taxas encerraram a tarde praticamente no nível do fechamento de sexta-feira. O DI mais negociado, com vencimento em janeiro/2006, movimentou 91 mil contratos, menos da metade do que costuma girar em dias normais. A taxa encerou o dia em 19,49%, o mesmo nível do fechamento de sexta-feira. Mas vale lembrar que a taxa vinha em queda nos últimos dias da semana passada. E, segundo operadores, mesmo sem condições de prosseguir reduzindo os prêmios, o tom do mercado continua positivo, ainda mais com o noticiário favorável de ontem.


À espera do PIB
Na semana, o indicador mais relevante deve ser o PIB trimestral a ser divulgado hoje. O mercado trabalha previsões que variam de queda de 0,50% e crescimento de 0,7%, na margem. Quanto mais próximo a zero ficar o resultado, mais as taxas futuras fecharão. Afinal, e sse indicador já refletirá o efeito da política monetária, que iniciou o ciclo de aumento de juro em setembro.


Bolsas na Europa
As Bolsas européias fecharam em alta ontem, ignorando a rejeição na França à Constituição européia, no referendo realizado domingo no país e cujo resultado já era esperado pelos economistas. A Bolsa de Paris registrou alta de 0,07%, fechando com 4.134 pontos. A Bolsa de Frankfurt teve valorização de 0,8%, ficando com 4.480 pontos no fim do pregão. A Bolsa de Milão encerrou o dia com ganho de 0,46% e 24.345 pontos e a Bolsa de Madri teve alta de 0,91%, indo para 9.466 pontos. Ontem foi feriado na Inglaterra e a Bolsa de Londres não operou.


Referendo
O resultado do referendo na França afetou, no entanto, o valor do euro em relação ao dólar. A moeda européia registrou os menores valores ontem desde outubro do ano passado, com os temores de que o resultado negativo do referendo possa comprometer a integração econômica européia. No Brasil, o euro fechou abaixo dos R$ 3,00 pela primeira vez desde julho de 2002. O euro encerrou as operações ontem a R$ 2,964 (cotação do Banco Central).


Dificuldades
O resultado do referendo na França se soma às dificuldades econômicas por que passam as economias européias, que atravessam uma fase de baixo crescimento acompanhado de um aumento no desemprego. A expectativa quanto à reunião do BCE (Banco Central Europeu), na quinta-feira, é que o banco rebaixe sua previsão de crescimento para a UE pela terceira vez consecutiva nos últimos seis meses. Para o primeiro trimestre deste ano, a expectativa de crescimento econômico da região da moeda européia é de 0,5%, segundo a Comissão Européia (o braço executivo da UE).


Bolsas na Ásia
Na China, os índices Shangai Composto e Shenzen Composto fecharam em alta de 0,8% cada um, com os investidores à procura de ações baratas depois da queda recente do mercado. Os papéis do setor têxtil lideraram os ganhos, depois que o ministério de Finanças chinês revogou as tarifas de exportação sobre 78 produtos têxteis. A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 130,32 pontos, ou 0,95%, aos 13.845,10 pontos. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou em alta de 8,13 pontos, ou 0,85%, aos 969,04 pontos. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em alta de 1 7,97 pontos, ou 0,30%, aos 6.009,52 pontos. E na Bolsa de Tóquio o Nikkei-225 subiu 74 pontos (0,7%), fechando em 11.266,33 pontos e completando três dias seguidos em alta.




Das agências

mockup