MERCADO FINANCEIRO
Dólar fecha em R$ 2,41
As perspectivas de ingressos de recursos no País por meio de captações do governo e de empresas privadas guiaram o câmbio ontem, véspera de feriado de Corpus Christi. Apesar de operar com volume menor de negócios, o dólar caiu 0,78% e fechou em um novo piso, a R$ 2,41 - menor cotação desde 3 de maio de 2002. Na mínima do dia, a moeda norte-americana chegou a ser negociada a R$ 2,406.
Influências
O Tesouro Nacional confirmou no final da tarde que fez uma captação de US$ 500 milhões no exterior. Analistas ressaltam que a emissão soberana e a queda do risco-país abrem espaço para captações de empresas privadas no exterior. A petroquímica Brasken, por exemplo, confirmou que acabou de captar US$ 150 milhões. ''A expectativa de fluxo positivo é alta e a tendência é de queda do dólar'', afirmou a diretora da corretora AGK, Miriam Tavares.
Balança comercial
Além das captações, Miriam destacou os bons resultados da balança comercial. No ano, até a terceira semana de maio, a balança registra superávit de US$ 14,5 bilhões, volume 46,9% superior ao de igual período de 2004. Na avaliação da diretora da AGK, o dólar só não está caindo mais por causa do cenário político conturbado no Brasil. Ontem de manhã, o deputado Inocêncio Oliveira (PMDB-PE) instalou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigar as denúncias de um suposto esquema de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).
Captação
O governo brasileiro captou ontem US$ 500 milhões no exterior com a reabertura de uma oferta de bônus Global 2034 (com vencimento em 2034). Por ter comprado os papéis, o investidor terá uma taxa de retorno de 8,814% ao ano. Na emissão original, ocorrida em janeiro de 2004, a captação foi de US$ 1,5 bilhão, com retorno de 8,75. Na última vez em que o Brasil vendeu títulos da dívida externa, no dia 10 de maio, foram leiloados US$ 500 milhões em papéis.
Reservas
A operação de ontem foi liderada pelos bancos Deutsche Bank e Bear Stearns. O montante vendido entrará nas reservas brasileiras no dia 2 de junho. O pagamento do cupom de juros semestral ao investidor irá ocorrer nos dias 20 de abril e 20 de julho de cada ano, até a data de vencimento do título - 20 de janeiro de 2034. O plano do governo é de captar no exterior um total de US$ 6 bilhões neste ano. Com a emissão de ontem, o governo precisa captar apenas cerca de US$ 600 milhões até dezembro para chegar ao planejado.
Honrando compromissos
Os recursos conseguidos por essas captações são usados para honrar os compromissos da dívida externa que somam cerca de US$ 6,117 bilhões neste ano. Quanto mais o governo emite títulos, mais cresce sua dívida externa - que atualmente soma aproximadamente US$ 203 bilhões. No entanto, ao trazer dólares do exterior para pagar sua dívida, o governo também protege as reservas internacionais do Banco Central, que servem como garantia aos investidores de que o país pagará sua dívida em momentos de turbulência econômica internacional.
Bovespa acompanha Wall Street
A Bolsa de Valores de São Paulo mais uma vez acompanhou o movimento do mercado acionário dos EUA e fechou em queda de 0,27%, aos 24.478 pontos, com volume financeiro de R$ 1,163 bilhão. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 0,44%. A Bolsa eletrônica Nasdaq teve perda de 0,56%. O petróleo voltou a ser o centro das atenções, com a alta no preço da cotação da commodity por conta das expectativas em torno do relatório semanal de estoques do produto nos EUA, que apontou queda de 1,6 milhão de barris na semana encerrada no dia 20 de maio. O barril do petróleo para entrega em julho, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou cotado a US$ 50,98, alta de 2,64%.
Fôlego curto
Os números da inflação deram um certo fôlego à bolsa. Mas, sem recursos externos e baixa liquidez, o mercado de ações não conseguiu se sustentar. Acabou cedendo à notícia de que o banco de investimento UBS reduziu as projeções de preços do aço laminado a quente para 2005 e 2006. Em Nova York, os papéis dos setores de mineração e siderurgia caíram com essa notícia. Aqui aconteceu o mesmo, com os papéis desses setores figurando entre os mais negociados na Bovespa.
Juros
O mercado de juros reagiu positivamente ao resultado do IPCA-15 - 0,83% em maio, abaixo da média das previsões do mercado. Também colaborou para a queda das taxas mais longas a confirmação da nova captação de US$ 500 milhões do Tesouro Nacional. Mas, dizem operadores, ainda é cedo para definir as apostas. O mercado segue dividido, esperando a ata do Copom - a ser divulgada amanhã - e, principalmente, novos índices de inflação para definir uma tendência.
Reação de alívio
O IPCA-15 ficou em 0,83%, perto do piso das estimativas que previam variação entre 0,81% e 0,95%, segundo as previsões dos analistas financeiros. O mercado, ontem, havia colocado no preço a idéia de uma taxa mais próxima à média das expectativas, de 0,90%. Como o número foi menor, a reação foi de alívio. Mas, dizem profissionais, a análise dos números do IPCA-15 não autoriza ainda otimismo.
Bolsas da Ásia
A maior parte das bolsas asiáticas fechou em queda ontem. O índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, terminou o dia em baixa de 157,26 pontos (1,15%), em 13.562,06 pontos. Na China o índice Shanghai Composto fechou em queda de 0,2%, em 1.072,14 pontos. Na Coréia do Sul o índice Kospi terminou o pregão em baixa de 10,31 pontos (1,08%), em 941,30 pontos. Na Bolsa de Taiwan o índice composto de Taipé recuou 20,57 pontos (0,35%) e fechou em 5.888,53 pontos. Na Bolsa de Cingapura o índice Strait Times recuou 14,73 pontos (0,68%) e terminou em 2.160,47 pontos. A Bolsa de Tóquio fechou em baixa, com o Nikkei-225 cedendo 119,22 pontos (1,1%), para 11.014,43 pontos.





