MERCADO FINANCEIRO
Bovespa recua 1,23%
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou ontem em baixa de 1,23%, aos 24.522 pontos. Na semana, entretanto, a Bovespa acumulou alta de 2,65%. No período da manhã, o cenário externo dominou as atenções: alta do petróleo, queda das Bolsa dos EUA e expectativa com o discurso do presidente do Fed (Federal Reserve, BC dos EUA), Alan Greenspan. À tarde, entretanto, o preço do petróleo voltou a cair e as Bolsas norte-americanas se recuperaram um pouco. Além disso, o presidente do Fed (Federal Reserve, BC dos EUA), em seu discurso, minimizou as preocupações com o petróleo.
Reflexos dos EUA
Segundo Greenspan, a economia dos EUA, que registrou um ritmo lento de crescimento em março por causa do petróleo, deve reagir bem e voltar ao ritmo normal. O preço do petróleo fechou em queda de 0,25% na Bolsa Mercantil de Nova York, a US$ 46,80 o barril. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, depois de cair 0,66%, encerrou o pregão com baixa de 0,20%. A Bolsa eletrônica Nasdaq, que chegou a recuar 0,36% ao longo do dia, terminou a sexta-feira com valorização de 0,19%. Por volta das 18h15, o risco Brasil estava perto da mínima (434 pontos), em queda de 5 pontos, a 435 pontos-base.
Influências internas
Os ruídos políticos no cenário interno, entretanto, não permitiram que a Bovespa acompanhasse Wall Street e reduzisse as perdas. Enquanto a oposição luta para instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigar as denúncias de corrupção nos Correios, várias CPIs estão em funcionamento no Congresso e outro grande número aguarda instalação.
Sobe e desce
Entre as 53 ações que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Sabesp ON (1,81%), Tele Leste Celular PN (1,43%) e Copel PNB (0,94%). As maiores baixas foram Eletropaulo PN (-5,87%), TIM Par ON (-4,83%) e CRT Celular PNA (-4,54%). A causa da queda das ações preferenciais da Eletropaulo foi a possibilidade de instalação, na próxima semana, da CPI do Setor Elétrico. Em reação ao esforço da oposição em fazer a CPI dos Correios, os governistas fizeram emergir a CPI das elétricas, que tem como objetivo principal investigar a privatização da Eletropaulo, ocorrida durante o governo Mário Covas (PSDB-SP) quando o atual governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), era vice-governador e presidia o Conselho do Programa Estadual de Desestatização.
Dólar cai 0,28%
O dólar caminha para romper a barreira dos R$ 2,40. A moeda norte-americana fechou em queda de 0,28%, vendida a R$ 2,441 - menor patamar desde 8 de maio de 2002. Na semana, acumulou desvalorização de 1,33%. Analistas ressaltam que o dia foi tranquilo no câmbio ontem. Pela manhã, a divisa subiu 0,36% em relação ao real, ao ser negociada a R$ 2,457, acompanhando o avanço da moeda norte-americana sobre o euro. A moeda da União Européia chegou ontem ao seu nível mais baixo em relação ao dólar desde outubro de 2004, ao ser cotada a US$ 1,2536 durante o dia.
Juros futuros
Concluído o ajuste à decisão do Copom, realizada na quinta-feira, as taxas de juro retomaram o movimento de queda ontem. Segundo operadores, o curto prazo continua travado, pela dúvida sobre se o ciclo de aperto monetário foi encerrado esta semana ou se haverá uma nova alta de 0,25 ponto em junho. Mas, no médio e longo prazos, o mercado é doador, tornando a curva de juros ainda mais inclinada.
Boa notícia
A boa notícia que alimentou o movimento positivo do mercado de DIs, foi a decisão do governo federal de reduzir a zero as contribuições para PIS e Cofins sobre mais de mil medicamentos. A medida, divulgada por meio de nota do Ministério da Saúde, permitirá uma redução de cerca de 11% nos preços nas farmácias. E, segundo contas dos analistas, pode produzir um efeito benéfico de 0,20 ponto porcentual no IPCA deste ano.
Ajuste no IPCA
O mercado continua esperando um novo ajuste nas projeções do IPCA para o ano e para 12 meses. E isso mantém um prêmio no DI mais curto compatível com uma nova elevação da Selic em junho. Os negócios no curto prazo devem continuar travados, justamente porque o mercado espera que o Copom repita na ata o tom do documento da reunião de abril: neutro, atrelando a próxima decisão ao comportamento da inflação corrente e das expectativas de inflação.
Bolsas da Europa
As Bolsas européias fecharam em alta, impulsionadas pelo segundo dia seguido com o otimismo sobre o setor de telecomunicações. A valorização do dólar frente ao euro ajudou os setores exportadores. A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,18%, com 4.971 pontos. A Bolsa de Paris teve ganho de 0,25% e fechou com 4.096 pontos. A Bolsa de Frankfurt teve ligeira variação positiva de 0,01%, indo para 4.360 pontos. A Bolsa de Milão fechou com alta de 0,15% e 24.205 pontos. A exceção do dia foi a Bolsa de Madri, que caiu 0,34%, para 9.368 pontos.
Destaques
Entre as ações do setor de telecomunicações que mais se destacaram ontem estiveram as da Vodafone, France Telecom, Deutsche Telekom e O2.
A Unilever teve suas ações valorizadas em 1,4% com o anúncio de que irá vender sua divisão de perfumes finos para a Coty por US$ 800 milhões. Também tiveram alta as ações da sueca Electrolux (+4,6%). As ações da francesa Bic subiram quase 6% com a expectativa de um crescimento de mais de 6% em suas vendas para este ano. O euro chegou ao seu nível mais baixo desde outubro de 2004 ontem, com o aumento da desconfiança dos investidores quanto à economia européia. O euro chegou a ser negociado a US$ 1,2536. A notícia foi bem recebida pelas empresas mais ligadas à exportação.
Na China
A bolsa da China fechou com os índices Shangai Composto e Shenzen Composto em queda de 0,4% cada um. O declínio das ações do setor têxtil teve ''alguma influência'' sobre o mercado de forma geral, embora o setor responda por uma porção relativ amente pequena da capitalização, disse o analista Qian Qimin. A China anunciou que irá elevar as tarifas de exportação sobre 74 categorias de produtos têxteis, a partir de 1º de junho, de acordo com a agência de notícias oficial Xinhua. As tarifas serão elevadas para 400%. As ações da fabricante de roupas Younger Group caíram 0,5%. As da Lu Thai Textile, maior fabricante mundial de tecidos para roupas de baixo de alta qualidade, caíram 2,5%.
Em Tóquio
As ações fecharam em queda na Bolsa de Tóquio, com investidores realizando os ganhos do dia anterior. As ações da Sony (-1%), da Fujitsu (-1,7%) e da TDK (-1%) estiveram entre as que mais perderam no movimento. O índice Nikkei terminou a sessão em baixa de 39,87 pontos (0,4%), em 11.037,29 pontos.
Das agências





