Dólar mantém queda
O dólar manteve ontem o movimento de queda após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de elevar o juro básico de 19,50% para 19,75% ao ano e fechou abaixo de R$ 2,45. A moeda norte-americana caiu 0,48% e terminou o dia a R$ 2,448, menor cotação desde 8 de maio de 2002.


Expectativas
Na avaliação de José Roberto Carreira, da corretora Novação, com a alta do juro básico (Selic), aumentam as expectativas de ingressos de recursos no país. O juro mais alto no Brasil acaba atraindo investidores externos que buscam rendimentos maiores. A ausência do Banco Central no câmbio e as entradas de divisas no País por meio das exportações e de captações também continuam estimulando a queda do dólar. No último dia 10, o governo brasileiro, via Tesouro Nacional, concluiu uma captação de US$ 500 milhões no exterior.


Reflexos externos
O cenário externo também tem pesado nos negócios com dólar no Brasil. Ontem, o mercado refletiu ainda a queda da inflação norte-americana em abril e a redução no número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA. Além disso, o preço do petróleo caiu 0,61% em Nova York e fechou a US$ 46,96 o barril.


Mercado futuro
No mercado futuro, os nove vencimentos de dólar confirmaram a previsão de baixa das cotações. Para 1º de junho, a projeção é de queda de 0,52%, para R$ 2,457; e o vencimento mais longo negociado ontem, para 1º de fevereiro de 2006, recuou 0,41%, para R$ 2,701. O volume movimentado caiu 28,18%, para US$ 5,755 bilhões, em 115.187 contratos transacionados.

Juros
As projeções de juros futuros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), porém, voltaram a subir com a decisão do Copom de elevar a taxa básica em 0,25 ponto percentual. Nos dois dias anteriores à reunião, o movimento era declinante nos juros futuros, com o aumento das aposta de manutenção da Selic em 19,5% ao ano, por conta da desaceleração de alguns índices de inflação. Às 17h de ontem, os juros projetados para os contratos com vencimento em junho subiam de 19,58% para 19,70%. Já a estimativa de taxa do contrato mais negociado, com liquidação em janeiro de 2006, avançava de 19,40% para 19,60% ao ano.

Títulos se valorizam
No mercado da dívida, a despeito da alta dos juros dos Treasuries, os títulos brasileiros se valorizaram. O papel mais negociado, o Global 40, encerrou em alta de 0,26%, a 115,60 centavos de dólar; e o C-Bond encerrou na máxima, em 101,125 centavos de dólar, alta de 0,06%. Por volta das 18h25, o risco Brasil estava na mínima até o horário, em queda de 2,24% ou 11 pontos, em 437 pontos-base.


Bovespa fecha em baixa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem com baixa de 0,28%, aos 24.829 pontos, após operar com queda de 1,47% ao longo do dia. O volume financeiro na Bovespa somou R$ 943,9 milhões, ficando abaixo da média diária deste mês, que estava próxima de R$ 1,2 bilhão até quarta-feira. O mercado acionário iniciou o dia repercutindo negativamente o aumento da taxa Selic para 19,7%. Para a Bolsa, quanto mais altos os juros, pior, pois os investimentos em renda fixa ficam mais atrativos.

Sinalização de queda
Luiz Antonio Vaz das Neves, da corretora Planner, avalia, porém, que, para o mercado de ações, mais importante do que a alta dos juros é a sinalização de queda da taxa. Neves destacou afirmações feitas pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que indicam que o juro voltará a recuar. Em entrevista ao jornal britânico ''Financial Times'', Palocci prevê que o Banco Central voltará a reduzir os juros da economia até o final deste ano. ''O cenário é que a política de juros se tornará menos restritiva este ano'', disse Palocci ao ''FT''.

Sobe e desce
Entre as 53 ações que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram TIM Par ON (5,88%), Transmissão Paulista PN (5,77%) e Embraer ON (3,60%). As maiores baixas foram Tele Leste Celular PN (-7,85%), Gerdau Metalúrgica PN (-3,33%) e Gerdau PN (-3,02% ).

Recuperação
A redução na queda do Ibovespa à tarde acompanhou a recuperação do índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York. Após cair durante o dia, o índice fechou com valorização de 0,27%. A Bolsa eletrônica Nasdaq subiu 0,59%. Nos Estados Unidos, o mercado refletiu ainda a queda da inflação norte-americana em abril e a redução no número de pedidos de auxílio-desemprego. Além disso, o preço do petróleo caiu 0,61% em Nova York e fechou a US$ 46,96 o barril.


Bolsas na Europa
As Bolsas européias fecharam ontem em alta. As expectativas quanto ao setor de telecomunicações animou os investidores nos mercados de ações da Europa. A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,27%, com 4.962 pontos. A Bolsa de Paris avançou 0,31%, subindo para 4.085 pontos. A Bolsa de Frankfurt teve valorização de 0,83%, fechando com 4.360 pontos. A Bolsa de Milão subiu 0,27%, para 24.169 pontos e a Bolsa de Madri ganhou 0,38%, ficando com 9.400 pontos.


Bolsas na Ásia
A bolsa da China fechou com o índice Shangai Composto em alta de 0,05% e o Shenzen Composto com ganho de 0,10%, ajudada pela queda dos preços do petróleo. Em Taiwan, o índice Weighted subiu 79,88 pontos, ou 1,36%, fechando em 5.970,71 pontos. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 21,73 pontos, ou 2,34%, aos 952,09 pontos. A bolsa de Jacarta fechou com o índice JSX Composto em alta de 5,20 pontos, ou 0,50%, aos 1.045,46 pontos. Em Kuala Lumpur, na Malásia, o índice Composto subiu 1,10 ponto, ou 0,12%, para 887,47 pontos. Em Manila, nas Filipinas, o índice PSE subiu 13,70 pontos, ou 0,73%, para 1.893,09 pontos. A bolsa da Cingapura fechou com o índice Strait Times em alta de 13,62 pontos, ou 0,63%, a 2.167,27 pontos.

Em Tóquio
O índice Nikkei-225, da Bolsa de Tóquio, fechou em alta de 241,75 pontos (2,23%), em 11.077,16 pontos. Foi o maior ganho em pontos desde 4 de outubro de 2004. O volume alcançou 1,528 bilhão de ações negociadas, de 1,313 bilhão na quarta-feira. Traders disseram que os investidores compraram ações para cobrir posições em reação à alta das Bolsas dos EUA nesta quarta-feira.



Das agências

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