Apostas nos juros elevam dólar
Novas apostas no mercado de aumento do juro básico da economia brasileira geraram cautela entre os investidores ontem. O dólar subiu 0,48% e fechou a R$ 2,468 na venda. Mesmo com a deflação de 0,03% apresentada pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas, na primeira prévia de maio, o mercado se mantém dividido entre as apostas de manutenção do juro básico (Selic) em 19,5% ao ano e alta de 0,25 ponto percentual na taxa.

Mercado futuro
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os juros apontam ligeiro aumento. No final da tarde, o vencimento mais próximo, de junho, apontava juro de 19,59% ao ano, contra 19,57% do fechamento de ontem. No contrato mais negociado, com vencimento em janeiro de 2006, a taxa subia de 19,46% para 19,56% ao ano.

Credibilidade em jogo
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne na próxima semana. O juro vem subindo desde setembro do ano passado. Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros, avalia que os aumentos consecutivos da taxa básica podem abalar a credibilidade da política econômica brasileira e demonstrar dificuldade de atingir a meta de inflação, já que as projeções de taxa para este ano continuam aumentando.


Expectativa em alta
O boletim Focus desta semana, divulgado pelo BC a partir de pesquisa no mercado, apontou, pela décima vez seguida, aumento na expectativa de inflação para 2005. As projeções do mercado passaram de 6,28% para 6,30%. Há quatro semanas, estavam em 6,04%. Esses valores estão acima do objetivo do BC, que é uma inflação medida pelo IPCA de 5,1% em 2005.


Caso Meirelles
O caso Meirelles, embora tenha mexido pouco com o mercado, também gera preocupações, segundo alguns analistas. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio de Mello, determinou a abertura de processo de investigação contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles -suspeito de crime contra o sistema financeiro e evasão de divisas.

Um pouco ''nervoso''
Na avaliação de Mário Battistel, da corretora Novação, a decisão do STF deixa o mercado um pouco ''nervoso'', porque até agora o presidente do BC parecia ''intocável''. Abdalla considera, entretanto, que pode haver um estresse no mercado somente se ''realmente encontrarem algo nas contas'' do presidente do Banco Central. E, segundo ele, mesmo que as denúncias se confirmem, serão referentes a um período em que Meirelles ainda não estava no Banco Central.


Bovespa cai
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em baixa pelo quarto dia seguido. O Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista- caiu 2,35% ontem e terminou o pregão com 24.117 pontos. A piora do cenário externo e a falta de dinheiro novo no mercado acionário brasileiro continuam dificultando uma recuperação.
A Bovespa movimentou R$ 1,343 bilhão, menos do que na quarta-feira (R$ 1,441 bilhão). Até a última segunda-feira, dia 9, os estrangeiros tiraram R$ 122,9 milhões da Bolsa.

Maiores altas
Entre as 53 ações que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Transmissão Paulista PN (1,02%), Cemig PN (1,02%) e Embratel Par PN (1,02%). As maiores baixas foram Siderúrgica Tubarão PN (-6,14%), Gerdau PN (-5,17%) e Siderúrgica Nacional ON (-4,98% ).

Nos EUA
Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 1,08%. A Bolsa eletrônica Nasdaq recuou 0,39%. O rebaixamento da classificação de risco da Ford anunciado pela agência Moody's, a preocupação com resultados de empresas e com os ''hedge funds'' (fundos de proteção que normalmente têm grande apetite por riscos) foram alguns dos fatores que pesaram lá fora hoje.

Bolsas da Ásia
A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em baixa de 42,76 pontos, ou 0,38%, aos 11.077,94 pontos. A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 28,48 pontos, ou 0,20%, aos 13.968,28 pontos, depois de dois dias de declínio. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em baixa de 2,17 pontos, ou 0,24%, aos 921,21 pontos. Na China, o índice Shangai Composto fechou em baixa de 1,8%, aos 1.103,99 pontos, no menor nível de fechamento desde 18 de maio de 1999. O Shenzen Composto caiu 1,2%. Em Taiwan, o índice Weighted subiu 17,47 pontos, ou 0,30%, aos 5.934,60 pontos.

Bolsas da Europa
As bolsas européias fecharam em alta ontem, favorecidas pelas ações no setor financeiro, incluindo as do banco BNP Paribas e ING. Os preços do petróleo em queda também ajudaram os negócios. A Bolsa de Londres subiu 0,37%, com 4.893 pontos. A Bolsa de Paris avançou de 0,91%, fechando com 4.015 pontos. A Bolsa de Frankfurt teve ganho de 0,54%, indo para 4.267 pontos. A Bolsa de Milão teve alta de 0,71%, fechando com 23.978 pontos e a Bolsa de Madri teve valorização de 0,69, ficando em 9.213 pontos.


Petróleo sobe
O preço do petróleo fechou ontem abaixo dos US$ 49 em Nova York, sob os efeitos da divulgação do novo relatório semanal de estoques de petróleo e gasolina do Departamento de Energia dos EUA. O barril para entrega em junho (cujos contratos expiram na próxima semana) fechou cotado a US$ 48,54 na Bolsa Mercantil de Nova York, baixa de 3,78%.


Das agências

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