MERCADO FINANCEIRO
Dólar volta a cair
Depois de subir 0,68% durante o dia, o dólar inverteu o movimento e acabou fechando ontem com queda de 0,72%, a R$ 2,456 na venda. A melhora do cenário externo, com a queda do preço do petróleo e recuperação das Bolsas dos Estados Unidos, e a entrada de exportadores vendendo divisas no mercado interno, fizeram a moeda norte-americana inverter a tendência.
IPCA causa estresse
Miriam Tavares, diretora da corretora AGK, avalia que no período da manhã o mercado doméstico ficou um pouco estressado também devido ao resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo, do IBGE (IPCA) de abril. O índice avançou para 0,87%, contra 0,61% em março.
Âncora contra inflação
O Banco Central está usando a queda do dólar como âncora para combater a inflação, na visão de alguns economistas. Isto explicaria porque o BC deixou o dólar cair abaixo de R$ 2,50 nas semanas recentes, enquanto que no início do ano interveio no mercado, seja comprando a moeda americana, seja fazendo swaps reversos (operação financeira cujo efeito no mercado é semelhante ao da compra), em cotações bem acima daquele nível. Segundo essa visão, diante da persistência das pressões inflacionárias, mesmo com a taxa Selic a 19,5%, poucas opções restariam ao BC, além da âncora cambial.
Bem visto
''Não tenho dúvida de que o único instrumento do BC é, via taxa de juros, fazer com que o câmbio seja uma ancoragem para permitir para que haja uma convergência para próximo da meta de inflação, ao redor do 6%'', diz Carlos Thadeu de Freitas, professor do Ibmec e ex-diretor do BC. Segundo Márcio Garcia, professor da PUC-Rio, é difícil saber com certeza absoluta as motivações do BC, mas tudo indica que o efeito antiinflacionário do câmbio está sendo bem visto pelo banco. ''Por definição, assim como a desvalorização é um sócio negativo no combate à inflação, a valorização tem um efeito positivo.
Custo muito alto
O economista Marco Bonomo, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio, não vê uma ligação tão nítida entre o fato de BC deixar o real se valorizar e o combate à inflação. ''Obviamente, o BC poderia comprar mais dólares, mas isto tem um custo muito alto.'' O custo é a diferença entre a Selic, que o governo paga para captar reais, e a rentabilidade muito baixa que as aplicações das reservas internacionais rendem.
Na Bovespa, baixa de 0,26%
A Bolsa de Valores de São Paulo reduziu a queda no período da tarde com a melhora no cenário externo. No fechamento dos negócios, o Ibovespa tinha desvalorização de 0,26%, para 24.698 pontos. Segundo analistas, foram verificados entradas de estrangeiros na Bovespa, o que também colaborou com a redução das perdas. O volume financeiro negociado na Bolsa paulista somou R$ 1,441 bilhão ontem, contra R$ 1,126 bilhão de ontem.
Vacas magras
Operadores comentaram ainda que a Bovespa vive um momento de ''vacas magras''. O investimento estrangeiro continua saindo, embora em ritmo bem menor do que o registrado em abril, e o giro financeiro diário bastante fraco tem sido uma mostra da redução do interesse dos players por esse mercado. Entre as 53 ações que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Eletrobrás ON (6,17%), Embratel Par PN (5,38%) e Eletrobrás PNB (5,32%). As maiores baixas foram Acesita PN (-3,32%), Telemig Par PN (-3,12%) e Brasil Telecom PN(-2,78%).
Bolsas americanas
Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 0,19%. A Bolsa eletrônica Nasdaq teve alta de 0,45%. No ambiente externo, pesou o recuo do preço do petróleo com a divulgação do relatório semanal do Departamento de Energia dos EUA, que mostrou um aumento dos estoques do produto e da gasolina no país.
Petróleo cai
O barril de petróleo para entrega em junho, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou cotado a US$ 50,45, baixa de 3,11%. Segundo o relatório do departamento, o estoque de petróleo nos EUA aumentou em 2,7 milhões de barris na última semana, totalizando 329,7 milhões de barris, 10% acima do nível registrado no mesmo período de 2004.
Boa notícia
Outro fator que repercutiu bem nos EUA foi a divulgação do déficit comercial norte-americano, que, a contrário das expectativas, recuou em março. O déficit somou US$ 55 bilhões no mês passado, ante uma projeção de US$ 61,5 bilhões. Em fevereiro, havia atingido US$ 61 bilhões. O resultado mostra um desajuste menor da economia dos EUA do que o esperado por parte do mercado.
Bolsas da Europa
As Bolsas européias fecharam em baixa ontem. Com o ligeiro recuo nos preços do petróleo, os papéis das empresas petrolíferas perderam terreno. Dados econômicos na Europa também afetaram a confiança nos negócios. A Bolsa de Londres fechou em baixa de 0,35%, com 4.875 pontos. Na Bolsa de Paris, o dia fechou em queda de 0,52%, com 3.979 pontos, a Bolsa de Frankfurt registrou perda de 0,16%, ficando com 4.244 pontos. As exceções do dia foram as Bolsas de Milão, que avançou 0,25%, para 23.808 pontos, e de Madri, que teve ligeira variação positiva de 0,04%, indo para 9.149 pontos.
Bolsas da Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 78,58 pontos, ou 0,56%, aos 13.939,80 pontos, seguindo os declínios de Wall Street. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em baixa de 10,90 pontos, ou 1,17%, aos 923,38 pontos. Na China, o índice Shangai Composto fechou em queda de 1,0%, no menor nível desde 19 de maio de 1999, enquanto o Shenzen Composto cedeu 1,2%. Em Taiwan, o índice Weighted caiu 32,67 pontos, ou 0,55%, para 5.9 17,13 pontos, também prejudicada pelo desempenho ruim de Wall Street.
Tóquio segue NY
A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em baixa de 38,76 pontos, ou 0,35%, aos 11.120,70 pontos. O declínio das ações em Wall Street e a perspectiva incerta dos resultados das companhias japonesas estimularam os investidores estrangeiros a vender blue chips dos setores de tecnologia e exportação. As ações da Toyota fecharam em queda de 0,8%. Embora a maior fabricante de automóveis do Japão tenha anunciado resultados recordes em seu ano fiscal, seu lucro caiu no quarto trimestre por ca usa de gastos para ampliar a capacidade de produção no exterior.
Das agências





