MERCADO FINANCEIRO
Dólar se mantém em baixa
O dólar iniciou o dia ontem com um ajuste técnico, corrigindo a queda de quarta-feira considerada exagerada por alguns analistas do mercado, mas acabou fechando novamente em baixa. A moeda norte-americana terminou a quinta-feira com leve baixa de 0,08%, vendida a R$ 2,465, ainda a menor cotação desde 8 de maio de 2002 (R$ 2,439), depois de subir 0,81% durante o dia. Para Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy, é normal que haja um ajuste quando a moeda cai muito.
Desvalorização de 3,44%
O dólar registrou ontem sua quinta queda seguida. Nestes cinco dias, desde 29 de abril, a moeda acumula desvalorização de 3,44%. Colaborou com a alta da moeda durante o dia a notícia de que a agência de classificação de risco Standard & Poors rebaixou os ratings das montadoras norte-americanas General Motors e Ford. A notícia mexeu com os mercados nos EUA, contaminando os negócios no Brasil.
Estoques crescem nos EUA
O barril do petróleo para entrega em junho, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou ontem cotado a US$ 50,83, alta de 1,4% em relação à cotação final de quarta-feira. Mesmo com os estoques maiores do produto nos EUA, predominou entre os investidores o temor de que os atuais níveis das reservas americanas não sejam suficientes para atender a demanda por combustível no segundo semestre. Alguns analistas contam com um ajuste negativo das reservas no boletim da próxima semana.
Maior nível desde 2002
Na semana encerrada no dia 29 de abril, o estoque americano de petróleo subiu em 2,6 milhões de barris, chegando a 327 milhões de barris - maior nível desde março de 2002, segundo o último relatório sobre estoques nos EUA divulgado ontem pelo Departamento de Energia dos EUA. Quanto as reservas de gasolina, o departamento informou um incremento de 2,2 milhões de barris na semana passada, subindo para 213,5 milhões.
Indicadores e efeitos
Nos EUA, mais uma vez, os indicadores positivos e negativos divulgados ontem se anularam quanto aos efeitos que poderiam ter sobre os mercados. A produtividade norte-americana cresceu 2,6% no primeiro trimestre deste ano, melhor resultado em nove meses. Os custos por trabalhador cresceram 2,2% no período, mas o avanço foi considerado moderado pelos analistas. Já nos pedidos por auxílio-desemprego houve aumento de 11 mil novos pedidos, alta maior que a esperada. Os dados sobre emprego nos EUA têm grandes efeitos no mercado. Os números referentes a abril devem ser divulgados hoje.
Bolsas na Europa
As Bolsas européias fecharam em alta ontem. O preço do petróleo, que voltou a romper a barreira dos US$ 50 favoreceu os ganhos nos papéis das empresas petrolíferas. As ações das mineradoras também foram destaque no pregão. A Bolsa de Londres teve alta de 0,41%, fechando com 4.902 pontos. A Bolsa de Paris avançou 0,8%, para 4.019 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o dia fechou em alta de 0,82%, com 4.299 pontos. Na Bolsa de Milão o pregão teve valorização de 0,47%, ficando com 23.977 pontos e a Bolsa de Madri subiu 0,43%, para 9.235 pontos.
Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 116,65 pontos, ou 0,84%, aos 14.061,70 pontos, rompendo o nível psicológico de 14 mil pontos. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em alta de 123,82 pontos, ou 2,13%, aos 5.927,50 pontos, sustentada por ganhos nos EUA e pela entrada maciça de compradores estrangeiros no mercado. Na Cingapura, o índice Strait Times fechou em baixa de 1,2 8 ponto, ou 0,06%, aos 2.148,10 pontos. A bolsa de Kuala Lumpur, na Malásia, fechou com o índice Composto em alta de 0,99 ponto, ou 0,11%, aos 904,06 pontos. Em Manila, nas Filipinas, o índice PSE subiu 27,03 pontos, ou 1,45%, fechando em 1.893,20 pontos. As bolsas da China, Coréia do Sul e Jacarta não abriram por causa de feriado. (Das agências)
Dívidas e temores
As duas maiores montadoras dos EUA têm juntas dívidas de US$ 375 bilhões. No mercado, há temores de que Ford e GM, que têm perdido mercado nos EUA e obtido lucros menores ou até resultados negativos, não tenham condições de honrar seus compromissos com credores.
À espera do BC
Na avaliação de Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros, o mercado está forçando o dólar para baixo para ver se o Banco Central atua no câmbio. Abdalla diz acreditar, entretanto, que a autoridade monetária não deverá intervir na moeda, pois isso iria contra suas justificativas sobre os aumentos da taxa básica (Selic) -atualmente em 19,5% ao ano. O BC tem atribuído os aumentos dos juros à elevação da inflação e das projeções de taxas para este ano. O dólar mais caro seria um fator a mais de pressão na inflação.
Bovespa em leve queda
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou ontem com queda de 0,15%, aos 25.435 pontos, acompanhando o movimento do mercado acionário dos Estados Unidos. A Bovespa abriu positiva, chegou a subir 0,95%, mas inverteu o movimento com a queda das Bolsas dos EUA. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 0,43%. A Bolsa eletrônica Nasdaq fechou com índice negativo em 0,02%, depois que a agência de classificação de risco Standard & Poors rebaixou os ratings da GM e da Ford. O risco Brasil, que chegou a cair 1,88% durante o dia, apontava alta de 1,41%, para 431 pontos, no final da tarde.
Destaques
A Bovespa movimentou ontem volume financeiro de R$ 1,210 bilhão. Entre as 53 ações que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Embratel Par PN (5,59%), Cemig PN (3,66%) e Telesp Celular PN (2,27%). As maiores baixas foram Brasil Telecom PN (-4,50%), Brasil Telecom Participações PN (-4,50%) e Caemi PN (-2,9 6%).





