Ata traz pessimismo
A divulgação da ata do Copom e do PIB americano levou pessimismo ao mercado financeiro ontem. A Bovespa recuou 3,18% e registrou o menor nível em três meses (24.439 pontos). O dólar avançou 1,47% e fechou vendido a R$ 2,553.
Nos contratos futuros negociados na BM&F, os bancos reforçaram suas apostas em uma nova alta da taxa básica de juros. O risco Brasil alcançou o pico das últimas duas semanas (462 pontos).

Variantes
A taxa de crescimento do PIB norte-americano no primeiro trimestre, que ficou abaixo das previsões, e a retomada da trajetória de alta do preço do barril de petróleo contribuíram para a piora dos indicadores em todo o mundo, interrompendo um movimento frágil de recuperação iniciado nos últimos dias. A ata do Copom contrariou as expectativas dos economistas, que esperavam encontrar no documento um recado claro do BC de que o aperto monetário acabara na semana passada, quando a taxa Selic subiu pelo oitavo mês consecutivo, em 0,25 ponto percentual, para 19,50% ao ano.

'Estagflação'
Lá fora, o dia também foi de turbulências. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 1,26%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq perdeu 1,36%. O menor crescimento do PIB dos EUA, principal parceiro comercial do Brasil, reacendeu o temor de que a maior economia do mundo esteja experimentando uma desaceleração em um momento de inflação elevada. Os economistas chamam esse problema de ''estagflação'' e dizem que o movimento aumenta as incertezas sobre o rumo das taxas de juros nos EUA e sobre o fluxo de capital para os países emergentes.

Aversão ao risco
''Atualmente, há uma maior aversão dos investidores estrangeiros ao risco. Isso prejudica os ativos de países emergentes, como o Brasil, Rússia e Turquia'', disse o chefe da mesa de câmbio do banco holandês ING, Alexandre Vasarhely.

Títulos desvalorizam
Os títulos da dívida externa brasileira se desvalorizaram ontem. O C-Bond caiu 0,31%, cotado a 99,43% do seu valor de face. Já o Global 40 perdeu 0,92%, fechando com cotação de 112,70% do seu valor de face. No mercado de câmbio, também puxou o dólar para cima o vencimento ontem dos contratos futuros. Alguns bancos, interessados em lucrar com esses papéis, tentaram evitar que a moeda ficasse abaixo do patamar de R$ 2,50.

Brasil Telecom
Na Bovespa, a ação preferencial da operadora Brasil Telecom disparou 8,83% após anúncio da venda da participação do Opportunity para a Telecom Itália. O negócio é visto como positivo, pois indica o fim do conflito societário na empresa. Mas as ações ordinárias da holding Brasil Telecom desabaram 21,26% devido a dúvidas se os acionistas minoritários donos dos papéis ON vão ter no negócio o direito de receber o mesmo prêmio pago ao controlador (''tag along'').

Caindo no ranking
A Bovespa deve fechar hoje como a pior aplicação do mês de abril. Até ontem, a perda acumulada no mês pela Bolsa somava 8,16%. Apesar da alta do dia, o dólar ainda acumulava baixa de 4,3% em abril. Diante de um cenário de incertezas mundiais, a renda fixa deve voltar a liderar o ranking das aplicações. O Certificado de Depósito Bancário (CDB) deve encerrar como o melhor investimento do mês de abril, com rentabilidade média em torno de 1,4%.

Petróleo volta a subir
Apesar de representarem um obstáculo ao crescimento econômico de um modo geral, os altos preços do petróleo são uma boa notícia para pelo menos um setor: o de empresas petrolíferas. Ontem o barril fechou em ligeira alta de 0,31%, cotado a US$ 51,71 na Bolsa Mercantil de Nova York. Analistas do setor dizem que, com a aproximação da temporada de verão nos EUA, os estoques de gasolina ditarão os rumos do preço da commodity. Devido ao atual nível baixo das refinarias americanas, uma eventual falta de gasolina no mercado irá pressionar a cotação do barril.

Em Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou em alta, com compras de última hora, para ajuste de posição, por investidores que haviam entrado no mercado na ponta da venda. O movimento foi, em grande parte, influenciado pela perspectiva do feriado prolongado da Semana Dourada, em que são reunidos quatro feriados nacionais. O mercado estará fechado hoje e, na próxima semana, de terça-feira (03) ao dia 5. O índice Nikkei fechou em alta de 3,48 pontos (0,03%), em 11.008,90 pontos.

Bolsas da Europa
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em alta de 0,80 ponto, ou 0,02%, aos 4.790,20 pontos. As ações da GlaxoSmithKline foram o principal destaque, fechando em alta de 6,37%. A farmacêutica informou que seu lucro a taxas de câmbio constantes no primeiro trimestre teve crescimento de 17% em comparação com o de igual período do ano passado, atingindo 1,22 bilhão de libras. A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em baixa de 16,23 pontos, ou 0,41%, aos 3.911,45 pontos. O PIB dos EUA abaixo do esperado prejudicou o desempenho das ações francesas à tarde.

Das agências

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