Dólar crava novo valor mínimo

O dólar fechou em queda de 0,78% ontem, vendido a R$ 2,516, mesmo valor de 31 de maio de 2002 e nova mínima do ano. A moeda americana chegou a recuar até 0,86% no preço de R$ 2,514. Na terça-feira, a divisa havia subido um pouco com expectativa de algumas instituições de que o Banco Central (BC) realizaria o leilão de contratos cambiais (''swap reverso''), capaz de pressionar a moeda. Mas ontem à noite, o BC informou que não faria a operação.


Alta frente ao euro
O dólar contrariou o movimento no mercado internacional, onde a moeda americana subiu frente ao euro. O risco Brasil também operou perto da estabilidade (446 pontos). Na BM&F, os juros futuros caíram com a divulgação de um dado de inflação (IPCA-15, de 0,74% em abril) dentro do esperado.


Bovespa fecha em queda
O Ibovespa fechou com pequena queda de 0,25%, aos 25.241 pontos. Com esse resultado, o índice acumula baixa de 5,14% no mês e de 3,64% no ano. O pregão girou R$ 1,224 bilhão, abaixo da média de março (R$ 1,8 bilhão). Entre as mais negociadas, as ações da Petrobras, Vale do Rio Doce e CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) tiveram as maiores baixas.


Dow Jones e Nasdaq
O desempenho do Ibovespa contrariou o movimento em Wall Street, onde o Dow Jones subiu 0,47%, e a Bolsa eletrônica Nasdaq avançou 0,16%. Lá fora, a queda do preço do barril do petróleo e o anúncio de bons lucros trimestrais (Verizon Communications, por exemplo) animaram um pouco os investidores. A nota dissonante foi a divulgação de uma queda no número de pedidos de bens duráveis nos EUA em março, que prejudicou as Bolsas na Europa.

Inferno astral
No Brasil, ações de empresas exportadoras reagiram mal com a queda do dólar. Por exemplo, o papel ON da Souza Cruz, que exporta fumo, caiu 1,93%. A ação PN da Embraer, que exporta aviões, recuou 3,17%. Os setores de siderurgia e mineração também voltaram a viver ''inferno astral''. Desde o final do mês passado, as ações das empresas de aço e minério sofrem com previsões de menores preços e desaceleração da demanda por seus produtos. Vale PNA, terceira mais negociada, caiu 1,74%. CSN ON recuou 0,98%.

Petrobras, a mais negociada
A Petrobras PN foi a mais negociada e perdeu 2,78%. O papel sofre com a decisão do governo federal, principal acionista da estatal, de evitar reajuste de combustíveis. Atualmente, existe uma defasagem entre os preços no Brasil e no exterior, mas o Planalto evita reajustes para não pressionar ainda mais a inflação. Mas os investidores temem que, sem o reajuste, a receita da Petrobras sofra.

Clima de cautela
O clima de cautela, típico da véspera de anúncios importantes para o mercado, também inibe um aumento do volume de negócios na Bovespa. Hoje, será divulgada a ata do Copom e o PIB do primeiro trimestre dos EUA. Ontem, foi divulgado um dado de inflação (IPCA-15, de 0,74% em abril) dentro do esperado pelo mercado. Na BM&F, os juros futuros recuaram. Mas nem isso ajudou a Bolsa a encontrar forças para subir.


Petróleo tem forte queda
Os contratos futuros de petróleo fecharam com forte queda em Nova York (New York Mercantile Exchange - Nymex) e em Londres (International Petroleum Exchange - IPE). Os preços da commodity foram derrubados pelo aumento dos estoques acima do esperado na semana passada nos Estados Unidos e pelo pedido do presidente americano, George W. Bush, para que as nações produtoras extraiam mais petróleo.


Apelo de Bush
Em discurso transmitido pela televisão, Bush disse que a capacidade de os EUA reduzirem a disparada dos preços do petróleo está diminuindo e alertou que não haverá saída para os consumidores finais. Seus pedidos por mais petróleo, repetindo os que foram feitos à Arábia Saudita na segunda-feira, ajudaram a acelerar as perdas do complexo de energia.


Crescimento no estoque
Antes de Bush, o petróleo já vinha caindo acentuadamente nas duas praças, depois de a agência de informação do Departamento de Energia dos Estados Unidos ter anunciado um crescimento de 5,5 milhões de barris dos estoques da commodity na semana passada, para 324,4 milhões de barris, o maior nível em quase três anos.


Causas da expansão
Foi o décimo aumento semanal em 11 semanas. Essa expansão foi provocada sobretudo pela queda da demanda das refinarias e pelo aumento das importações. O dado ofuscou a queda dos estoques de gasolina e de outros produtos destilados. As reservas tanto de petróleo bruto quanto de derivados estão acima dos níveis da semana terminada em 22 de abril do ano passado.


Mínima e máxima
Na Nymex, o contrato de petróleo bruto para junho fechou em queda de US$ 2,59 (4,78%), a US$ 51,61 o barril. A mínima foi de US$ 51,55 e a máxima de US$ 54,40. Na IPE eletrônica, o petróleo Brent para junho caiu US$ 1,85, para US$ 52,29 o barril. A mínima foi de US$ 51,72 e a máxima de US$ 54,35.



Das agências

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