MERCADO FINANCEIRO
Aposta faz dólar subir
O dólar parou de cair ontem após cinco dias de queda. Os bancos compraram moeda, apostando que o governo não vai deixar a cotação ficar abaixo dos R$ 2,50, pois nesse patamar as exportações brasileiras podem ser prejudicadas. No fim dos negócios, US$ 1 valia R$ 2,536, alta de 0,51% na comparação com o preço do fechamento anterior (R$ 2,523), que já era o menor desde o fim de maio de 2002.
Fase de baixa
Vale lembrar que o dólar está abaixo dos R$ 3 desde o dia 21 de agosto do ano passado. Em setembro de 2002, no auge da crise com a eleição presidencial, a moeda chegou a bater R$ 4. Agora, o dólar entrou em uma fase de baixa, pois há uma sobra de divisas no mercado, vinda das exportações recordes e do forte ingresso de dinheiro de investidores que lucram com os maiores juros do mundo.
Reforço no caixa
O governo brasileiro pode aproveitar o valor baixo do dólar para reforçar o caixa do país, blindando-se contra uma eventual crise. Sem a renovação do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), no mês passado, o Brasil precisa elevar as reservas internacionais em moeda estrangeira para enfrentar eventuais crises externas.
Expectativa de leilão
Ontem, o dólar subiu com a expectativa de que o Banco Central realize hoje um leilão de venda de contratos cambiais (''swap reverso''). Esse tipo de operação, que tem o efeito de uma compra de divisas no mercado futuro, não é realizado desde o dia 9 de março. Outra forma de intervenção é a compra de dólares no mercado à vista, também por meio de leilões. O último foi realizado no dia 16 de março.
Bovespa tem ligeira alta
O Ibovespa fechou ontem com pequena alta de 0,29%, aos 25.304 pontos. Entre as ações mais negociadas, os papéis dos principais bancos privados do País (Itaú e Bradesco) tiveram as maiores valorizações. O desempenho negativo das Bolsas americanas conteve a alta da Bovespa. Em Wall Street, o índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, caiu 0,89%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq teve baixa de 1,20%.
Queda da confiança
O ânimo dos investidores foi afetado pela queda da confiança do consumidor americano na economia dos EUA. O consumo é responsável por quase dois terços de toda a atividade econômica americana. O índice que mede a confiança dos consumidores nos EUA, elaborado pelo instituto privado de pesquisa Conference Board, mostrou declínio de 5,3%, caindo para 97,7 pontos, contra os 103 registrados em março. O resultado divulgado ontem foi o menor desde novembro, quando caiu para 92,6 pontos.
Abaixo da média
O pregão paulista movimentou R$ 1,398 bilhão, abaixo da média diária do mês passado (R$ 1,8 bilhão). A ação do Itaú foi a quinta mais negociada e subiu 2,77%. Já o papel do Bradesco avançou 3,68% e foi a oitava mais transacionada. O setor bancário atualmente sofre uma saraivada de críticas até do presidente Lula sobre os juros elevados que cobram dos clientes.
Net desaba 12,5%
No pregão, houve também um mistério. A ação da Net desabou 12,50%. Foi a baixa do Ibovespa. Ninguém soube explicar com segurança o que está por trás desse tombo. Alguns corretores mais experientes, que apostam em alguma ''coisa grande'' por trás, que só seria de conhecimento público após um fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
Juros futuros
Na BM&F, os bancos continuam embutindo nos contratos de juros futuros a expectativa de nova alta da Selic, sinal de cautela com a política monetária. Em tese, os bancos lucram mais com os juros elevados porque podem cobrar mais para conceder empréstimos ou obter mais ganhos com seus títulos públicos que remuneram pela taxa Selic, em alta desde setembro do ano passado. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central será divulgada amanhã. Esse documento é importante porque deve dar pistas sobre o rumo dos juros no país. Na semana passada, o Copom elevou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 19,50% ao ano.
Bolsas européias
As Bolsas européias fecharam em baixa com a queda na confiança do consumidor americano. Os resultados positivos da British Petroleum e da Roche não conseguiram animar os negócios. A Bolsa de Londres fechou em baixa de 0,4%, com 4.845 pontos. A Bolsa de Paris fechou sem variação, com 3.993 pontos. A Bolsa de Frankfurt registrou queda de 0,31%, indo para 4.233. A Bolsa de Milão recuou 0,17%, para 23.928 pontos e a Bolsa de Madri perdeu 0,25%, fechando com 9.083 pontos.
Petróleo cai
Os preços do petróleo registram queda ontem, reduzindo assim o temor de que possam afetar os ganhos das empresas e os gastos do consumidor. O barril chegou a ser cotado a US$ 53,90 na Bolsa Mercantil de Nova York, uma queda de 1,23%. A boa notícia do dia foram as ações do grupo farmacêutico suíço Roche, que subiram 3,5%, com o anúncio de que o desempenho do remédio para tratamento de câncer Herceptin, da Genentech - filial da Roche- melhorou a condição de pacientes com certos tipos de câncer de mama.





