MERCADO FINANCEIRO
Mercado tem melhora pontual
O cenário externo esboçou uma melhora ontem. Os preços do petróleo caíram e as bolsas fecharam em alta em Wall Street. A Bovespa refletiu o desempenho positivo em Nova York e fechou em alta. O volume de negócios, no entanto, foi pífio. Também na esteira do quadro externo, o dólar caiu mais um pouco no mercado doméstico, para R$ 2,523, provocando a retomada da discussão sobre a volta ou não do Banco Central (BC) na ponta de compra. No mercado de juros, o assunto é um só: a ata da reunião do Copom que será divulgada quinta-feira.
Bovespa sobe
O fraco volume financeiro impede qualquer otimismo com a alta registrada pela Bovespa ontem. O cenário externo melhorou e acabou ajudando o mercado doméstico a puxar os preços das ações, que já estavam bastante reduzidos. Mas as incertezas quanto à economia nos EUA fazem com que ninguém se arrisque a apontar qualquer tendência para a bolsa. O Ibovespa fechou em alta de 1,88%, com 25.231 pontos.
Destaques domésticos
Na maior parte do pregão, operou em terreno positivo, entre a máxima de 25.297 pontos (2,14%) e a mínima de 24.744 pontos (-0,09%). Com esse resultado, a bolsa passou a acumular baixas de 5,18% em abril e de 3,68% em 2005. O movimento financeiro não chegou a R$ 1 bilhão, ficando em apenas R$ 933,701 milhões. As maiores altas foram VCP PN (6,45%), Celesc PNB (5,62%) e Eletropaulo PN (4,82%). As maiores baixas foram Net PN (-5,88%), Telesp PN (-0,99%) e Light ON (-0,59%).
Influência externa
Na sexta-feira, a bolsa paulista caiu mais um pouco, acompanhando a forte queda em Wall Street. Ontem, no entanto, as bolsas em Nova York se recuperaram, levando o Ibovespa junto. O índice Dow Jones fechou em alta de 0,83% e o Nasdaq subiu 0,96%. A melhora no cenário externo também foi visível na queda dos preços do petróleo em Nova York, onde a cotação do barril para entrega em junho fechou em US$ 54,57 (-1,48%), e na redução do risco Brasil, que no final da tarde caía 9 pontos, para 442 pontos-base. A queda do risco Brasil foi acompanhada pela melhora no mercado de títulos da dívida externa.
À espera de parâmetros
Embora o mercado tenha apresentado um comportamento positivo, os operadores mantêm-se à espera da divulgação de importantes parâmetros para formação de cenário. Na quinta-feira, por exemplo, o Banco Central divulgará a ata do Copom. Nos EUA, esta semana é repleta de balanços de grandes corporações norte-americanas, que certamente irão influenciar Wall Street.
Boas notícias corporativas
Ontem, por exemplo, Nova York refletiu boas notícias corporativas divulgadas de sexta-feira para cá, como a compra da refinaria Premcor pela Valero Energy e o crescimento de 1% em março na venda de imóveis usados (previsão era de 0,3%). Operadores também disseram que houve uma recuperação técnica em Wall Street, mas com fraco volume de negócios. Ainda nos EUA, nos próximos dias sairão balanços de empresas como Microsoft, Procter & Gamble, Colgate, entre outros. Além de indicadores de confiança do consum idor e gastos com consumo.
Câmbio novamente em baixa
O dólar comercial encerrou em baixa pelo quinto dia útil seguido, com queda de 0,55% e na menor cotação desde 31 de maio de 2002 (R$ 2,523). O resultado ampliou a queda acumulada pelo pronto ante o real para -5,43% em abril; e para -4,94% em 2005. O giro financeiro total à vista aumentou 93% ante o fraco volume de sexta-feira passada, para cerca de US$ 1,705 bilhão.
Reduzindo posições
As tesourarias de bancos reduziram mais as posições compradas em dólar estimuladas pela alta das Bolsas em São Paulo e em Nova York, pelos juros domésticos elevados, a previsão de novos fluxos de entrada e o cenário externo favorável. O petróleo futuro caiu e os juros dos Treasuries exibiram menor volatilidade. Assim, o título da dívida de países emergentes mais negociado, o brasileiro Global 40, fechou na cotação máxima e o risco Brasil caía 9 pontos, para 442 pontos-base - perto da mínima de 441 pontos até as 17h45.
Volta do BC
A expectativa é de que, se o ambiente lá fora continuar ajudando, o dólar poderá reforçar a trajetória de baixa nos próximos dias. A proximidade do pronto do nível de R$ 2,50 aumenta a expectativa entre os operadores sobre a volta do Banco Central ao mercado de câmbio. Entre 6 dezembro de 2004 e a última vez em que comprou moeda em mercado, no dia 16 de março, o BC adquiriu cerca de US$ 12,8 bilhões, que foram incorporados às reservas do País. Na sexta-feira, o saldo das reservas internacionais era de US$ 61,79 2 bilhões (incluindo os recursos do FMI). Já o último leilão de swap cambial reverso ocorreu no dia 9 de março.
Compasso de espera
O mercado de juros encerrou o dia praticamente no zero a zero, em um dia de poucos negócios. Os ajustes à decisão do Copom de elevar a Selic em 0,25 ponto porcentual foram concluídos e, agora, o mercado opera em compasso de espera pela divulgação da ata do Copom. Para operadores, no entanto, dificilmente a ata - que explicará as razões que levaram o BC a contrariar a maioria do mercado e aumentar o juro em 0,25 ponto - terá o poder de agitar o mercado de DIs. Isso porque, ao tomar sua decisão, o Copom garantiu a continuidade das incertezas sobre o rumo da política monetária. E, provavelmente, as dúvidas não serão encerradas com a ata.
Preocupações com a inflação
O Copom, provavelmente, vai confirmar na ata que elevou o juro novamente porque está preocupado com a inflação corrente e com as expectativas de inflação. E deve sinalizar ao mercado que dessas duas variáveis dependerá a decisão sobre a Selic na reunião do Copom no mês de maio. O mercado, de antemão, já precificou no contrato curto a idéia de um novo ajuste de 0,25 ponto porcentual. E, como não deverá haver um alívio na inflação corrente até o dia da ata, o provável é que esse prêmio permanecerá.
Expectativa em alta
Ontem, a pesquisa Focus mostrou mais uma vez elevação nas expectativas para o IPCA de 2005, de 6,10% para 6,15%. A pesquisa mostrou também a segunda alta consecutiva nas expectativas para 12 meses à frente, de 5,58% para 5,66%. Para 2006, também ficaram paradas nos mesmos 5% de antes. Essa resistência nas expectativas de inflação para este ano já provoca entre especialistas a discussão sobre uma possível mudança no objetivo da meta de inflação de 2005 do Banco Central.
O economista-chefe para América Latina do banco HSBC, Paulo Vieira da Cunha, por exemplo, acredita que uma revisão da meta de inflação para 2005 deverá ocorrer por volta de junho. ''O quanto antes o BC anunciar uma revisão da meta deste ano, melhor para a sua credibilidade'', afirmou. O especialista acredita que um novo objetivo de meta poderia ser fixado em 6,1%.





