Bovespa despenca
Prejudicada pelas ações das siderúrgicas e mineradoras, a bolsa de valores de São Paulo (Bovespa) levou um tombo de 4,15%, a maior queda porcentual desde 10 de maio de 2004. O desempenho negativo de Wall Street também pesou. O Ibovespa terminou abaixo da barreira psicológica dos 25 mil pontos, aos 24.984 pontos, patamar mais baixo desde o dia 3 de fevereiro. Agora, o índice paulista acumula perdas de 6,11% no mês e de 4,63% no ano. O pregão foi movimentado, girando R$ 1,884 bilhão, com os investidores estrangeiros no destaque das vendas de papéis.

Só uma tem alta
Só uma das 53 ações que compõem o Ibovespa conseguiu fechar em alta. Eletropaulo PN subiu 3,19% com a expectativa de reajuste de tarifas. Na lista das maiores quedas, predominaram os papéis de siderurgia e mineração: a ação PN da CST (Companhia Siderúrgica de Tubarão) com baixa de 8,59%, seguida por Acesita PN (8,25%) e Caemi PN (8,18%). A ação PNA da Vale foi a mais negociada e recuou 5,45%. O papel ON da mineradora perdeu 4,78%.

Desaquecimento
''A perspectiva de desaquecimento do consumo mundial está por trás do tombo das ações de siderúrgicas e mineradoras. Isso tem apavorado os investidores. Mas acho precipitado dizer que esses papéis não vão voltar a se recuperar, após a divulgação dos balanços do primeiro trimestre'', disse o diretor da corretora Planner, Luiz Antônio Vaz das Neves.

EUA também cai
Para Hugo Penteado, economista-chefe da ABN Amro Asset Management, a queda da Bovespa foi também influenciada negativamente pelas bolsas lá fora. O Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 1,20%, enquanto a Nasdaq recuou 1,40%. Segundo o economista do ABN, além das preocupações com o setor automobilístico, as bolsas americanas foram afetadas pelas dificuldades de aprovação da reforma previdenciária nos EUA. ''Se a reforma da Previdência nos EUA não for aprovada, não haverá um novo fluxo de compra de ações pelos fundos.''

Dívida da GM
Boatos envolvendo a montadora General Motors (GM), dona de uma dívida de US$ 300 bilhões, um dos maiores débitos entre as empresas do mundo, também prejudicaram os negócios com papéis de países emergentes, como o Brasil. Segundo a agência de notícias ''Dow Jones'', circularam na City londrina rumores sobre um possível risco de pedido de concordata da gigante americana, embora o boato tenha sido visto com descrédito pela maioria dos operadores.

Risco Brasil
No final do pregão, o risco Brasil disparava 8,10%, aos 467 pontos, refletindo a forte desvalorização dos títulos da dívida externa. O C-Bond recuava 1,12%, cotado a 98,875% do valor de face. O Global 40 tinha baixa de 2,27%, negociado a 111,750% do valor de face.

Ações X Câmbio
O mercado de câmbio foi prejudicado pela forte queda das ações das siderúrgicas e mineradoras na Bovespa, vendidas principalmente por estrangeiros. Após dois dias de baixa, o dólar subiu um pouco (um centavo e meio), com os investidores temendo eventuais prejuízos para a balança comercial caso as exportações de aço e minério sofram uma redução.

Dólar reage
A moeda americana fechou em alta de 0,58%, cotada a R$ 2,578. Na máxima do dia, a divisa chegou a avançar 0,82%, negociada a R$ 2,584. Para minimizar a gravidade dessa alta, é bom lembrar que, na véspera, o dólar atingiu o menor valor desde junho de 2002. Mesmo com essa alta, a moeda ainda acumula baixa de 3,37% no mês.

Euro e iene
O dólar atingiu ontem a máxima intraday em dois meses diante do euro, apesar de mais indicadores decepcionantes sobre a economia norte-americana, e chegou muito perto de bater o recorde de 2005, de US$ 1,2733 por euro. No final da tarde em Nova York, o euro era negociado a US$ 1,2817, de US$ 1,2906 de ontem, depois de atingir a mínima intraday de US$ 1,2768. O dólar valia 108,11 ienes, de 107,39 ienes de ontem.

Bolsas da Europa
A bolsa de valores de Londres fechou em queda de 0,31%. Em Paris, cedeu 0,14%. Em Frankfurt, recuou 0,08%. Em Milão, caiu 0,34%. Em Madri, queda de 0,1%. Em Lisboa, recuou 0,27%.

Bolsas da Ásia
As ações fecharam em baixa na maior parte das bolsas asiáticas. A bolsa de valores de Tóquio caiu 0,6% com incerteza sobre setor de tecnologia. Em Hong Kong, queda de 0,20%. Na Coréia do Sul, despencou 2,79%. Em Taiwan, caíram 0,36%. Na China, queda de 1,1%. Em Jacarta, na Indonésia, queda de 0,74%. Em Kuala Lumpur, Malásia, subiu 0,34%. Em Manila, nas Filipinas, queda de 1,52%. Em Cingapura, recuou 0,25%.

Petróleo: US$ 51
O preço do petróleo fechou ontem em alta, ainda oscilando entre os efeitos positivos da divulgação do aumento dos estoques de petróleo e gasolina nos EUA e o nervosismo dos investidores, que temem falta de combustível no mercado americano. O barril para entrega em maio, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou cotado a US$ 51,13, alta de 1,81%. Durante o dia, o barril chegou a cair para US$ 49,75, mas voltou a subir com a incerteza sobre a capacidade das refinarias americanas de suprir o mercado na temporada de verão.

Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil

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