Bovespa: semana de perda
A bolsa de valores de São Paulo voltou a cair ontem. O Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista - recuou 1,61%, acumulando desvalorização de 3,3% na semana. Segundo analistas, o avanço da inflação já começa a gerar preocupação no mercado acionário, pois pode levar o Banco Central a manter o aperto monetário por um período mais longo.

Alta de juros
Os juros futuros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) já embutem uma possível alta da Selic. O DI com vencimento em maio apontava taxa de 19,31% ao ano nos últimos negócios de ontem, superior aos 19,28% do dia anterior. O vencimento mais negociado, de janeiro de 2006, passava de 19,35% para 19,53%. No fechamento, CDB prefixado de 31 dias, 19,22% ao ano. Hot money, 2,51% ao mês. Capital de giro, 22,75% ao ano. CDI, 19,22% ao ano. Over a 19,25%.

Inflação acelerada
Mais dois indicadores, divulgados ontem, apontaram aceleração na inflação, principalmente por conta dos preços monitorados. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou para 0,61% em março, por conta dos reajustes nas tarifas de ônibus em São Paulo e Porto Alegre, segundo dados do IBGE. Em fevereiro, havia sido de 0,59%. A inflação medida pelo IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas, avançou para 0,67% na primeira prévia de abril, contra 0,40% em igual período de março.

Realização de lucros
Luiz Toledo Filho, da corretora Magliano, avalia que queda de ontem se deve também a um movimento de realização de lucros - quando ocorrem vendas para aproveitar o ganho dos papéis nos pregões anteriores.

Blue Chips
Na Bovespa, Telemar PN, -1,29%; Petrobras PN, -1,41%; Embratel Par. PN, 0,23%; Usiminas PNA, -2,41%; Telesp CL PA PN, -3,32%; Vale R. Doce PNA N1, 0,27%; Bradesco PN N1, -1,06%; Eletrobrás PNB, -2,65%; Sid. Nacional ON, -5,15%; Cemig PN N1, -1,38%.

Ouro
Ouro na BM&F a R$ 35,50 o grama, estável. Ouro na Comex de Nova York a US$ 426,95 a onça troy, alta de 0,36%.

Mercado externo
No mercado da dívida externa, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 4,762% no fechamento ontem, contra 4,792% anteontem; e o juro da T-note de 10 anos encerrou em 4,476%, mesmo nível de quinta-feira. Entre os papéis brasileiros, o Global 40, mais negociado, encerrou por volta das 16h15 na máxima, a 112,80 centavos de dólar, alta de 0,31%, informou a corretora López Léon. O C-Bond também fechou na máxima, em 99,8120 centavos por dólar, com alta de 0,19%. Às 18 horas, o risco Brasil caía 4 pontos, para 446 pontos-base.

Dólar acumula baixa
O dólar fechou ontem pelo segundo dia abaixo de R$ 2,60. No encerramento dos negócios, a moeda acabou cotada a R$ 2,586, com queda de 0,38% - a 11 seguida -, acumulando desvalorização de 3% na semana. Desde 15 de março, quando a moeda atingiu o pico do ano (R$ 2,766), a queda chega a 6,5%. Pela manhã, a moeda chegou a subir 0,30%, por conta da entrada de operações de compra realizadas por importadores. Mas com o fluxo positivo e as expectativas de novos ingressos de recursos por meio de captações externas, a moeda voltou a cair à tarde.

Superávit colabora
Ontem, o Banespa informou que captou R$ 150 milhões no exterior. Além disso, têm colaborado com o fluxo positivo no câmbio os bons resultados da balança comercial. A balança brasileira acumula superávit - saldo positivo entre as exportações e as importações - de US$ 8,612 bilhões no ano até a primeira semana de abril, volume 38% superior ao de igual período de 2004.

Só sobe com BC
''As entradas de dólar no mercado continuam superiores à demanda'', disse Mauro Araújo, da corretora Vision. Na avaliação de Araújo, o dólar só deverá subir se o Banco Central comprar divisas no mercado. Desde o último dia 16, o BC não atua no câmbio.

Bolsas da Europa
A bolsa de valores de Londres fechou em alta de 0,13%. Em Paris, ficou estável. Em Frankfurt, alta de 0,25%. A bolsa de Milão fechou em baixa de 0,13%. Em Madri,m baixa de 0,07%. Em Lisboa, subiu 0,15%.

Bolsas da Ásia
As principais bolsas da Ásia fecharam em alta ontem, levando o Banco de Nova York a ponderar que o interesse pelas ações asiáticas pode ser o prenúncio da recuperação do apetite para risco dos investidores, o que pode alavancar as moedas locais e pressionar o dólar. Em Tóquio, subiu 0,5%. Em Hong Kong, alta de 0,47%. Em Seul, valorização de 0,33%. Em Taipé, evoluiu 0,88%. Em Bangcoc, subiu 0,85%. Em Cingapura, subiu 0,26%. Nas Filipinas, caiu 0,39%. Na Malásia, ganhou 0,29%. Na Indonésia, caiu 0,04%. Na China, o índice Xangai Composto subiu 1,9%.

Petróleo: maior queda
O contrato de petróleo para maio negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) fechou em baixa pelo quinto dia consecutivo. Do recorde de US$ 58,28 o barril atingido na última segunda-feira até ontem, o contrato caiu quase US$ 5,00, ou 9%, o maior declínio semanal desde a semana terminada em 3 de dezembro, quando os preços haviam caído de US$ 50,40 para US$ 40,25 o barril.

Fechamento
Na Nymex, os contratos de petróleo para maio fecharam em US$ 53,32 o barril, em queda de US$ 0,79 (-1,46%); a mínima foi de US$ 52,70 e a máxima de US$ 54,20. Na IPE eletrônica, em Londres, os contratos de petróleo Brent para maio fecharam em US$ 52,89 o barril, em baixa de US$ 1,15 (-2,13%); a mínima foi de US$ 52,58 e a máxima de US$ 53,90.

Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil

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