Juros caem
Como os DIs vinham carregando prêmios altos demais nos últimos dias, operadores já previam que, assim que surgisse uma notícia melhor, fosse ela relativa à atividade ou à inflação, haveria um movimento de mudança de posição. ''Àquele nível de taxa, tinha de surgir doador em algum momento. E a produção industrial deu a deixa'', observa um operador. Apesar da reação de alívio do mercado, as taxas continuam elevadas. O DI janeiro/06, o mais líquido, fechou com taxa de 19,42%: abaixo do que esteve na véspera da divulgação da ata do Copom, quando o mercado fez um hedge caso o documento viesse conservador; mas ainda bem acima do que a taxa chegou a atingir quando o mercado conheceu a mensagem tranquilizadora da ata e também do relatório de inflação. Além disso, o DI mais curto ainda carrega um prêmio compatível com um ajuste de 0,25 ponto porcentual este mês. CDB prefixado de 30 dias, 19,12% ao ano. Hot money, 2,31% ao mês. Capital de giro, 25,82% ao ano. CDI, 19,22% ao ano. Over a 19,26%.


Bovespa em queda
O índice da Bolsa de Valores de São Paulo demorou para definir uma tendência ontem. Depois de oscilar entre uma alta de 0,82% e queda de 1,62%, fechou com baixa de 1,32%, aos 25.695 pontos. Em três dias, o índice já acumula queda de 4%. A volatilidade do índice predominou principalmente no período da manhã. À tarde, a Bolsa paulista engatou o movimento de baixa e assim seguiu até o final dos negócios.

Afastamento
Segundo Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da Souza Barros, há alguns dias os estrangeiros estão se afastando do mercado acionário paulista. Os investidores estrangeiros tiraram R$ 1,5 bilhão da Bovespa em março. Essa é a maior saída de recursos externos desde agosto de 1998 (R$ 1,724 bilhão). Desde outubro do ano passado, a Bolsa não registrava saldo negativo de investimento estrangeiro. ''Falta fluxo de compras [na Bolsa]. A Bolsa não consegue se sustentar sem o dinheiro de investidores estrangeiros'', afirmou. Ontem, o giro financeiro na Bovespa somou R$ 1,449 bilhão.

Blue Chips
Na Bovespa, Telemar PN, -1,61%; Petrobras PN, -0,50%; Embratel Par. PN, -0,47%; Usiminas PNA, -4,73%; Telesp CL PA PN, -0,98%; Vale R. Doce PNA N1, -1,39%; Bradesco PN N1, 0,59%; Eletrobrás PNB, -1,47%; Sid. Nacional ON, -2,98%; Cemig PN N1, 0,00%.

Dólar cai
O dólar registrou ontem a nona queda consecutiva ao fechar com baixa de 0,91%, a R$ 2,604, menor cotação desde 28 de fevereiro deste ano (R$ 2,589). Durante o dia, a moeda chegou a romper a barreira dos R$ 2,60, ao ser negociada a R$ 2,595. O fluxo positivo da moeda no mercado - principalmente por conta do bom desempenho da balança comercial- e a ausência do Banco Central no câmbio continuam sustentando a queda do dólar em relação ao real.

Inflação
Há três semanas o BC não compra divisas. Na avaliação do analista da corretora Novação, Mário Battistel, a ausência da autoridade monetária no câmbio pode estar relacionada ao aumento da inflação. O índice da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP), divulgado anteontem, mostrou que a inflação de São Paulo subiu para 0,79% em março -contra 0,36% em fevereiro -, atingindo a maior taxa para um mês de março em 10 anos.

Influência
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), avançou para 0,99% no mês passado, bem acima do 0,40% de fevereiro. A alta do dólar poderia ser um fator a mais de pressão na inflação, já que a cotação da divisa influencia os custos das empresas e os preços das commodities.

BC pode intervir
Também colabora com a queda da moeda norte-americana o cenário externo razoavelmente tranquilo. Battistel diz acreditar, porém, que se dólar retornar ao um patamar próximo de R$ 2,56, o BC poderá entrar no mercado comprando divisas. ''O dólar muito baixo acaba prejudicando as exportações, o que poderá ser considerando pelo BC'', disse.

Ouro baixa e alta
Ouro na BM&F a R$ 35,70 o grama, queda de 0,27%. Os contratos futuros de ouro negociados na Comex (divisão de metais da New York Mercantil Exchange) beneficiaram-se de compras especulativas ontem, enquanto o dólar operava volátil, e fecharam em seu maior nível desde o fim de março. Ouro na Comex de Nova York a US$ 426,90 a onça troy, alta de 0,59%. Os contratos de ouro para junho fecharam em US$ 429,20 a onça-troy, em alta de US$ 2,60. A mínima foi de US$ 426,30 e a máxima de US$ 429,60.

Tóquio e Europa
As ações voltaram a subir 0,5% ontem na bolsa de valores de Tóquio, influenciadas por Nova York e pela manutenção dos ganhos do dólar ante o iene. A bolsa de Londres fechou em alta de 0,09%. Em Paris, subiu 0,47%. Em Frankfurt, alta de 0,38%. Em Milão, aumentou 0,38%. Em Madri, alta de 0,9%. Em Lisboa, caiu 0,65%.

Petróleo em baixa
Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa pelo terceiro dia consecutivo em Nova York (New York Mercantile Exchange - Nymex) e Londres (International Petroleum Exchange - IPE), acompanhando a queda dos preços da gasolina. Na Nymex, os contratos de petróleo para maio fecharam em US$ 55,85 o barril, em queda de US$ 0,19 (-0,34%); a mínima foi de US$ 55,30 e a máxima de US$ 56,90. Na IPE, os contratos de petróleo brent para maio fecharam em US$ 55,27 o barril, em baixa de US $ 0,17 (-0,31%); a mínima foi de US$ 54,65 e a máxima de US$ 55,92.

Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil

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