Pior aplicação
A Bovespa subiu pelo segundo pregão consecutivo com a melhora dos preços dos títulos da dívida externa brasileira e a menor preocupação com a inflação e os juros nos EUA, dando uma trégua no período de turbulências. Mesmo com os ganhos nos últimos dias, a Bolsa acumulou perda de 5,43% em março. Foi a pior aplicação financeira do mês - posição oposta a de fevereiro, quando valorizou 15,56%, melhor desempenho desde a eleição de outubro de 2002.

Ontem teve alta
Ontem, o Ibovespa (53 ações de primeira linha) oscilou bastante, mas encerrou em alta de 0,53%, aos 26.610 pontos. No pior momento do dia, chegou a cair 0,79% com o mercado incomodado com o preço do petróleo, que voltou a subir ontem. Em Wall Street, com o petróleo mais caro, o índice Dow Jones fechou em queda de 0,35%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq recuou 0,32%. Já o índice S&P 500 encerrou praticamente estável, com ligeira variação negativa de 0,07%.

Luz no túnel
O pregão da Bovespa movimentou hoje R$ 5,292 bilhões. Mas esse giro foi inflado pelo registro das operações (R$ 3,715 bilhões) referentes à oferta pública de ações ordinárias da cervejaria AmBev, realizada na véspera. Alguns analistas enxergam uma ''luz no fim do túnel'' para a Bovespa em abril, mas deixam claro que o movimento de recuperação está bastante condicionado aos dados da economia americana, em especial os índices de inflação, atividade e emprego.

Um olho nos EUA...
Hoje, por exemplo, sai o relatório de emprego de março (''payroll'', folha de pagamento), com potencial de indicar uma tendência para os juros na próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), em maio. O BC americano não se reúne em abril.

...outro, no Copom
Há ainda expectativa quanto à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros brasileiros, elevados em março para 19,25% ao ano. A cada dia, ganha força o grupo de analistas apostando em manutenção da taxa em abril. ''A cara da inflação está um pouco melhor, com aumentos de preços pontuais e limitados a alguns grupos de produtos. Além disso, estamos vendo uma desaceleração da atividade econômica. Diante disso, esperamos que o Copom encerre o ciclo de alta dos juros em abril'', diz Bruno Garcia, gestor da ARX Capital.

Blue Chips
Na Bovespa, Telemar PN, -0,72%; Petrobras PN, 1,59%; Embratel Par. PN, 0,46%; Usiminas PNA, 1,50%; Telesp CL PA PN, 1,10%; Vale R. Doce PNA N1, 2,18%; Bradesco PN N1, -0,58%; Eletrobrás PNB, -4,06%; Sid. Nacional ON, 2,67%; Cemig PN N1, 1,49%.

Juros
CDB prefixado de 32 dias, 19,13% ao ano. Hot money, 2,17% ao mês. Capital de giro, 24,54% ao ano. CDI, 19,21% ao ano. Over a 19,25%.

Ouro
Ouro na BM&F a R$ 36,90 o grama, alta de 0,27%. Ouro na Comex de Nova York a US$ 428,45 a onça troy, alta de 0,58%.

Dólar em queda
O dólar fechou em queda pelo quinto dia consecutivo com a melhora dos preços dos títulos da dívida externa brasileira e a menor preocupação com a inflação e os juros nos EUA. Ontem, a divisa teve queda de 0,29% e encerrou cotada a R$ 2,668. Esse é o menor valor desde o último dia 4.

Melhor aplicação
Apesar da quedade ontem, o dólar finalizou o mês com uma alta acumulada de 3,05%. Com isso, a moeda norte-americana foi a melhor aplicação financeira de março e interrompeu uma sequência de nove meses de valorização do real.

Emprego nos EUA
A não-renovação do acordo do Brasil com o FMI, anunciada na última segunda-feira, contribuiu para a nova rodada de baixa do dólar. A ausência dos leilões do Banco Central também aliviou a cotação. Por outro lado, o clima de expectativa com a divulgação do relatório de emprego nos EUA, marcada para hoje, predominou nesta semana. O dado é um importante indicador de atividade da maior economia do mundo.

Expectativa
Um índice de preços dentro do esperado, divulgado ontem nos EUA, reduziu o temor de uma alta agressiva dos juros nos EUA e, por tabela, de uma redução do fluxo de capitais para países emergentes. ''A trajetória do dólar em abril vai depender da retomada ou não dos leilões de compra de divisas pelo BC. Não acredito que o governo deixará a moeda cair abaixo de R$ 2,60, como ocorreu em fevereiro'', disse o diretor da corretora Levycam, Adilson Goes.

Risco Brasil
O risco Brasil voltou a cair e ficou abaixo dos 460 pontos. O C-Bond se valorizou e está acima de 99% do valor de face. O Global 40 também registrou ganhos, acima de 110% do valor de face.

Bolsas da Europa
O preço do petróleo, que voltou a subir com a queda no estoque de gasolina nos Estados Unidos na última semana, e os dados sobre a economia americana divulgados anteontem pressionaram ontem as bolsas européias. A bolsa de valores de Londres fechou em baixa de 0,13%. Em Paris, alta modesta de 0,08%. Em Madri, queda de 0,23%. Em Lisboa, caiu 0,05%. Em Frankfurt fechou em alta de 0,03%. Em Milão, subiu 0,3%.

Bolsas da Ásia
A bolsa de valores de Tóquio subiu 0,90% no último dia do ano fiscal do Japão. Em Hong Kong fechou em alta de 0,68%. Na Coréia do Sul, terminou com ganho de 1,07%. Na China, o índice Shangai Composto fechou em alta de 0,7% e o Shenzhen Composto subiu 0,9%. Em Taiwan, subiu 0,80%. Em Jacarta, alta de 1,41%. Em Kuala Lumpur, na Malásia, cedeu 0,73%. Nas Filipinas, subiu 0,17%. Em Cingapura, fechou em alta de 0,86%.

Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil

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