MERCADO FINANCEIRO
Saindo da depressão
A Bovespa tenta sair da depressão em que mergulhou nos últimos dias devido às preocupações com a alta dos juros nos EUA. A Bolsa paulista subiu ontem mais de 2%, reduzindo o tamanho das perdas acumuladas neste mês de turbulências. Foi um movimento sintonizado com o mercado americano de ações, que retomou o fôlego e também subiu mais de 1%.
Ibovespa em alta
O Ibovespa (53 ações mais negociadas) fechou em alta de 2,43%, aos 26.469 pontos. Essa valorização foi suficiente para o desempenho do índice neste ano voltar ao azul, com pequeno ganho acumulado de 1,04%. O pregão movimentou R$ 1,472 bilhão, abaixo da média do mês passado (R$ 2 milhões).
Submarino
No pregão paulista, houve a segunda estréia do ano de uma nova empresa. Mas o ''debut'' da ação do site de comércio eletrônico Submarino foi sem brilho. O papel chegou a subir 6,84% na máxima de R$ 23,10 em relação ao preço fixado na oferta pública (R$ 21,62). Mas a euforia durou pouco. A ação terminou estável, mas teve o terceiro maior volume do dia (R$ 126,072 milhões ou 9,79% do total).
Blue Chips
Na Bovespa, Telemar PN, 3,23%; Petrobras PN, 2,21%; Embratel Par. PN, 0,93%; Usiminas PNA, 2,07%; Telesp CL PA PN, 5,87%; Vale R. Doce PNA N1, 3,20%; Bradesco PN N1, 0,00%; Eletrobrás PNB, 5,45%; Sid. Nacional ON, 3,17%; Cemig PN N1, 4,09%.
Juros
CDB prefixado de 30 dias, 19,13% ao ano. Hot money, 2,37% ao mês. Capital de giro, 25,34% ao ano. CDI, 19,21% ao ano. Over a 19,26%.
Ouro
Ouro na BM&F a R$ 36,80 o grama, estável. Ouro na Comex de Nova York a US$ 426,35 a onça troy, alta de 0,08%.
Dólar cai mais
O dólar caiu pelo quarto dia consecutivo com a pausa nas especulações sobre uma alta agressiva dos juros nos EUA, o que abriu espaço para a recuperação dos preços dos títulos da dívida brasileira no exterior. Em queda de 0,81%, a moeda norte-americana encerrou negociada a R$ 2,676, o valor mais baixo desde o último dia 4. Mas a divisa ainda acumula alta de 3,36% no mês. Ou seja, hoje, o dólar deve fechar o mês de março mais forte que o real, depois de nove meses acumulando baixa. É remota a possibilidade de, em uma única sessão, a moeda americana desabar mais de 3% a ponto de ficar abaixo da cotação do final de fevereiro (R$ 2,589).
Explicações
Nesta semana, o anúncio da não-renovação do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a entrada de recursos externos e a menor especulação com uma alta dos juros nos EUA explicam a queda da moeda americana frente ao real. A ausência dos leilões do Banco Central também ajuda a aliviar a cotação.
Risco Brasil
Prejudicado desde a semana passada com a preocupação com a alta dos juros nos EUA, o mercado brasileiro tenta, neste final do mês, reduzir as perdas acumuladas nos dias de turbulências. O risco Brasil caiu ontem mais de 2% com a alta dos títulos da dívida externa do país. Mas esse movimento pode ser temporário, pois o principal indicador econômico da semana (relatório de emprego nos EUA) só vai ser divulgado amanhã e tem potencial para uma nova rodada de perdas no mercado.
PIB dos EUA
A recuperação dos preços ontem ocorreu após ter sido divulgado o dado sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano no quarto trimestre, que veio um pouco abaixo do esperado pelos bancos. ''No primeiro momento, o PIB mais baixo parece uma notícia negativa, mas tem seu lado positivo: indica uma menor necessidade de alta dos juros. Ou seja, a economia não estão aquecida assim, potencializando pressões inflacionárias'', disse o gerente de renda fixa da corretora Socopa, Carlos Abreu. O Departamento de Comércio dos EUA informou que o PIB americano cresceu a uma taxa anualizada de 3,8% no quarto trimestre do ano passado. O banco americano JP Morgan esperava uma taxa de 4,1%.
Fed e inflação
Além do PIB, a queda do preço do petróleo ajudou a enfraquecer um pouco as previsões de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) vai aumentar os juros em ritmo mais agressivo para conter o dragão da inflação. Com o fim do inverno no hemisfério Norte, o petróleo pode ter uma trégua. Foi divulgado que as reservas dos EUA cresceram. Mas há um risco: após o inverno, os americanos tiram o carro da garagem, o que aumenta a demanda por gasolina, cujos preços estão em alta, com potencial para pressionar a inflação no país.
Títulos do Tesouro
O fato é que, nos últimos dois dias, perdeu força a aposta no ''cenário apocalíptico'' de que os juros nos EUA vão subir com força na reunião do Fed em maio. Em abril, não há reunião. O rendimento do título do Tesouro americano, de dez anos, voltou a cair, ficando a 4,55%. Na semana passada, chegou a superar 4,60%. Quanto maior essa taxa, maior a disposição do investidor de comprar o título, tornando a aplicação em papéis de países emergentes, como o Brasil, menos atrativa.
Bolsas da Europa
A bolsa de valores de Londres fechou em queda de 0,37%. Em Paris, queda de 0,42%. Em Frankfurt, caiu 0,1%. Em Milão, subiu 0,08%. Em Madri fechou em queda de 0,47%. Em Lisboa, caiu 0,69%.
Bolsas da Ásia
A bolsa de valores de Tóquio fechou em queda de 0,29%. Em Hong Kong, alta de 0,10%. Na Coréia do Sul, cedeu 0,37%. Em Taiwan, caiu 0,05%. Em Jacarta, cedeu 0,48%. Em Kuala Lumpur, na Malásia, caiu 0,47%. A bolsa de Manila fechou em alta de 1,00%. Na Cingapura, caiu 0,21%.
Petróleo em queda
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato futuro do petróleo para maio fechou a US$ 53,99 por barril, com queda de US$ 0,24 (0,44%). Na mínima do dia, o contrato chegou a cair a US$ 52,50 por barril. A máxima foi de US$ 54,20. Na International Petroleum Exchange, em Londres, o contrato do Brent para maior fechou em US$ 52,09 por barril, com queda de US$ 0,94 (1,77%). Na mínima, esse contrato foi negociado a US$ 51,80, com máxima em US$ 53,26.
Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil





