Vilãs da Bovespa
As ações das siderúrgicas e mineradoras derrubaram ontem a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os investidores já temem uma queda da demanda mundial por matérias-primas como aço e minério, caso a economia americana cresça menos por causa da alta dos juros. O Ibovespa (51 ações mais negociadas) terminou em baixa de 1,58%, aos 25.842 pontos, patamar mais baixo desde o dia 4 de fevereiro.

Acmulando perdas
Agora, o índice acumula uma perda de 8,16% no mês e de 1,35% no ano. Em relação ao pico registrado neste ano, de 29.455 pontos no último dia 7, a baixa do Ibovespa já atinge 14%. Mais uma vez, o movimento do pregão foi fraco. O volume financeiro somou R$ 1,546 bilhão, abaixo da média diária do mês passado (R$ 2 bilhões). ''Os investidores, principalmente estrangeiros, estão com um pé atrás. As entradas de recursos externos diminuíram neste mês'', disse Valmir Celestino, diretor do banco Safra.

Maiores quedas
Na lista das maiores quedas, estão as ações de siderúrgicas e mineradoras. Gerdau PN perdeu 5,16%, seguida por Vale ON (-4,69%) e Vale PNA (-4,19%). Usiminas PNA, que tem o terceiro maior peso no cálculo do Ibovespa após Telemar PN e Petrobras PN, encerrou em baixa de 3,64%. Outra forte queda foi da ação ON da Embraer (-3,82%). ''Não há perspectiva de novas encomendas de aviões para a empresa nem de aumento de sua meta de entregas. Por isso, o investidor não vê espaço para a valorização do papel'', explicou Celestino.

Principais altas
Na lista das maiores altas, o destaque foi o setor de energia: Copel PNB subiu 2,82%, seguida por Eletrobrás ON (+2,66%), Eletrobrás PNB (+2,32%) e Cesp PN (+1,81%). Segundo o diretor do Safra, as elétricas estão sendo favorecidas por uma expectativa positiva quanto ao leilão de energia, marcado para o próximo sábado. ''O preço da energia deve ficar melhor do que o do último leilão de dezembro.''

Ouro
Ouro na BM&F a R$ 36,80 o grama, queda de 1,07%. Ouro na Comex de Nova York a US$ 426,25 a onça troy, alta de 0,08%.

Juros em alta
A comemoração do mercado pelo relatório de inflação foi interrompida, no final do dia, por um movimento técnico dos players. As taxas futuras encerraram o pregão em alta, depois de exibirem queda em reação ao tom tranquilizador do documento do Banco Central. O DI janeiro/2006, o mais líquido, bateu a mínima de 19,26%, ante o fechamento de 19,31% de ontem, mas encerrou o dia com taxa de 19,33%. CDB prefixado de 30 dias, 19,14% ao ano. Hot money, 2,35% ao mês. Capital de giro, 25,59% ao ano. CDI, 19,21% ao ano. Over a 19,25%.

Dólar em queda
O dólar fechou em queda pelo terceiro dia consecutivo. A moeda norte-americana recuou 0,91% ontem e terminou cotada a R$ 2,698. Boatos sobre uma entrada de recursos externos feita por uma empresa também circularam no mercado, o que favoreceu a queda das cotações. O Banco Central não realizou nenhum leilão de compra de divisas.

Risco Brasil
Depois de uma rodada de perdas, os títulos da dívida externa do Brasil subiram um pouco, buscando uma recuperação dos preços. Isso fez o risco Brasil cair mais de 1% ontem, após alta de 10% na semana passada. Mesmo assim, o indicador ainda está em patamar elevado (470 pontos).

Mercado americano
Mais uma vez, os investidores ficaram atentos ao mercado americano. Foi divulgada uma queda da confiança do consumidor nos EUA. O dado fez o rendimento do título do Tesouro dos EUA cair abaixo de 4,60%, dando um alívio para os títulos dos mercados emergentes.

BC eleva inflação
No Brasil, houve a divulgação do relatório trimestral de inflação. O Banco Central elevou a expectativa de inflação para 2005, de 5,3% para 5,5%. ''O relatório não trouxe novidade nenhuma ao que o mercado já esperava'', disse o vice-presidente executivo de tesouraria do banco alemão WestLB, Flávio Farah.

Bolsas da Europa
As bolsas européias, à exceção da bolsa de Londres, fecharam ontem em ligeira alta, com a notícia de que a gigante nórdica das telecomunicações TeliaSonera irá comprar uma parte da operadora turca de telefonia móvel Turkcell. A bolsa de valores de Londres fechou em queda de 0,07%. Em Paris, alta de 0,08%. Em Madri, subiu 0,16%. Em Lisboa, alta de 0,34%. Em Frankfurt, alta de 0,19%. Em Milão, subiu 0,21%.

Bolsas da Ásia
A bolsa de valores de Tóquio fechou em queda de 1,6%. Em Hong Kong, baixa de 1,36%. Em Seul, na Coréia do Sul, queda de 1,92%. Na China, os índices Shenzhen Composto e Shangai Composto caíram 0,4% cada um. Em Taiwan, perdeu 1,45%. Em Jacarta, baixa de 2,72%. Em Kuala Lumpur, na Malásia, caiu 0,40%. Nas Filipinas, cedeu 2,77%. Em Cingapura, caiu 0,78%.

Direções opostas
Os contratos futuros de petróleo subiram modestamente em Nova York (New York Mercantile Exchange-Nymex), ao final de uma sessão volátil. Em Londres (International Petroleum Exchange-IPE), os futuros de petróleo Brent fecharam em queda no retorno do feriado de Páscoa. Na Nymex, os contratos de petróleo para maio fecharam em US$ 54,23 o barril, em alta de US$ 0,18 (+0,33%); a mínima foi de US$ 53,45 e a máxima de US$ 54,50. Na IPE, os contratos de petróleo Brent para maio fecharam em US$ 53,03 o barril, em queda de US$ 0,90 (-1,67%); a mínima foi de US$ 52,65 e a máxima de US$ 53,50.

Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil

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