Estrangeiros fogem
O Ibovespa (53 ações de primeira linhada bolsa de valores de São Paulo) fechou em queda de 1,66% aos 26.257 pontos. O giro foi o quarto menor do ano. Os negócios movimentaram só R$ 1,051 bilhão, um sinal de que as compras dos investidores estrangeiros sumiram do pregão. Nem o anúncio de que o Brasil não vai renovar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), feito no intervalo do almoço pelo ministro Antonio Palocci (Fazenda), serviu para reanimar a bolsa.

De olho nos EUA
A cautela dos investidores na Bovespa reflete a espera pela divulgação de dados importantes sobre a economia norte-americana. Hoje, será divulgado o dado de confiança do consumidor americano em março. Mas o relatório de emprego, que sai na próxima sexta-feira, é o principal documento esperado pelo mercado nesta semana.

220 mil vagas
Economistas esperam que o relatório de emprego aponte a criação de 220 mil vagas em março nos EUA, abaixo dos 262 mil registrados em fevereiro - número que representou o maior ganho em quatro meses. Além do relatório de emprego, será divulgada nesta quarta-feira a última revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA do quatro trimestre de 2004.

Aumentar os juros
Alguns bancos especulam que esses dados podem levar o Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano) a aumentar os juros em 0,50 ponto percentual pela primeira vez desde 2000. Desde junho do ano passado, os juros sobem no ritmo de 0,25 ponto percentual. Na terça-feira passada, o BC americano elevou a taxa para 2,75% ao ano e alertou para o aumento das pressões inflacionárias.

Risco Brasil
O rendimento do título do Tesouro americano, de dez anos, subiu hoje para 4,64%, acima do último fechamento. Essa taxa de remuneração atrai investidores estrangeiros para aplicações nos EUA, em detrimento dos países emergentes. Refletindo a desvalorização dos títulos da dívida externa, o risco Brasil subiu ontem 1,05%, aos 479 pontos.

Siderúrgicas
No pregão da Bovespa, as ações das siderúrgicas figuraram entre as maiores quedas, com avaliações de que o setor terá dificuldades de repassar para os clientes o aumento dos custos. O minério de ferro teve neste ano reajuste de 71,5%. Usiminas PNA desabou 4,23%. Gerdau PN tombou 3,90%. CST PN caiu 2,92%.

Blue Chips
Na Bovespa, Telemar PN, 1,14%; Petrobras PN, -1,66%; Embratel Par. PN, -0,46%; Usiminas PNA, -4,07%; Telesp CL PA PN, -0,66%; Vale R. Doce PNA N1, -2.20%; Bradesco PN N1, -2.72%; Eletrobrás PNB, -1,39%; Sid. Nacional ON, -2,62%; Cemig PN N1, -2,84%.

Juros
CDB prefixado de 30 dias, 19,08% ao ano. Hot money, 2,43% ao mês. Capital de giro, 24,87% ao ano. CDI, 19,20% ao ano. Over a 19,24%.

Ouro
Ouro na BM&F a R$ 37,20 o grama, queda de 0,26%. Ouro na Comex de Nova York a US$ 426,20 a onça troy, alta de 0,40%.

Dóla em queda
O dólar fechou em queda de 0,61%, cotado a R$ 2,723, após o ministro Antonio Palocci (Fazenda) informar que o Brasil não vai renovar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O anúncio foi bem recebido por operadores, que destacaram os elogios do Fundo sobre alguns avanços da economia brasileira (aumento das exportações, por exemplo).

Pela manhã, alta
Pela manhã, o dólar chegou a subir 0,40% na máxima de R$ 2,751. Mas o anúncio de Palocci sobre a não-renovação do acordo com o FMI, feito no intervalo do almoço (por volta das 13h20), fez a cotação mudar de direção, passando a cair. Como ocorreu na semana passada, o Banco Central não fez leilão de compra de divisas.

Sinal de grandeza
''Dispensar o acordo foi um sinal de grandeza do Brasil, que conseguiu, finalmente, sua carta de alforria, pois as finanças do país estão em ordem, as reservas internacionais aumentaram, dando segurança para enfrentar uma possível crise externa'', disse o operador da corretora paulista Guitta, Manoel Alves.

Monitoramento
Mesmo sem renovar o acordo, o FMI continuará monitorando, de longe, as contas do Brasil, dando palpites sobre os rumos da política econômica. Em relatório divulgado na sexta-feira passada, o Fundo avisou que o governo brasileiro precisa manter a inflação sob controle. Entre os indicadores que agradam o FMI, está o superávit comercial (exportações acima das importações), que somava, até a semana passada, US$ 7,992 bilhões, um crescimento de 406% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Bolsas da Ásia
A bolsa de valores de Tóquio fechou em alta de 0,30%. Em Seul, na Coréia do Sul, alta de 1,28%. Na China, o índice Shenzhen Composto caiu 0,50%, enquanto o Shangai Composto também perdeu 0,50%, com a previsão de que as taxas de juros sobre o crédito e depósitos vão subir este ano. Em Taiwan, baixa de 0,28%. A bolsa de Jacarta fechou em baixa de 1,28%. Em Kuala Lumpur, na Malásia, subiu 0,23%. Nas Filipinas, baixa de 0,61%. Em Cingapura, baixa de 0,33%. A bolsa de Hong Kong não abriu.

Petróleo cai
Os preços dos futuros de petróleo caíram quase US$ 0,80 e fecharam pouco acima de US$ 54,00 o barril em Nova York (New York Mercantile Exchange-Nymex), com os traders realizando lucro dos ganhos de quinta-feira. A queda dos preços ocorreu em meio ao fraco volume pós-feriado e os analistas disseram que, apesar desse recuo, são necessárias mais ações de preços para confirmar se o mercado foi direcionado para baixa.

Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil

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