MERCADO FINANCEIRO
Mercado aliviado
A manutenção da Selic já em abril começou a ser cogitada pelo mercado com a divulgação, na manhã de ontem, da ata da reunião do Copom em março. Como sugere o documento, tudo depende agora da evolução do mercado externo, já que, segundo um operador, o BC teria conseguido, na ata, ''indicar de maneira interessante que quer parar de aumentar o juro''.
Juros caem
Tal perspectiva motivou queda significativa das taxas futuras na BM&F, que registrou volume expressivo de negociação. O volume do contrato de janeiro de 2006, o mais negociado, saltou de 266.528 anteontem para 350.801 ontem. A taxa recuou de 19,53% (ajuste de 19,42%) para 19,29%. O DI de julho de 2005 fechou em 19,46%, de 19,59% ontem. CDB prefixado de 32 dias, 19,11% ao ano. Hot money, 2,37% ao mês. Capital de giro, 23,31% ao ano. CDI, 19,20% ao ano. Over a 19,25%.
Ata do Copom
Entre os trechos da ata ressaltados por quem acha que o aperto do juro pode ter terminado em março está o destaque dado pelo Banco Central às expectativas para os 12 meses futuros e para 2006, que ''permanecem estáveis, sugerindo que a postura monetária mais restritiva tem evitado que as pressões inflacionárias de curto prazo se propaguem para horizontes mais longos''. Com isso, as expectativas de inflação nestes prazos devem ganhar peso nas avaliações das próximas pesquisas Focus. Também lembram que o doc umento de hoje não fez menção às ''etapas adicionais'' do processo de ajuste, que constavam nas atas recentes.
Expectativa
Para a próxima semana, a agenda reserva, além da Focus e do resultado do setor público na segunda-feira, a divulgação do relatório de inflação, na terça-feira, que deverá ''estar afinado com o texto da ata'', nas palavras de um operador. Ainda na terça-feira a Fipe informa o IPC da terceira quadrissemana do mês. Tem IGP-M de março, na quarta-feira, e dados do emprego nos EUA este mês, na sexta-feira.
Ouro cai
Ouro na BM&F a R$ 37,700 o grama, queda de 0,53%. Ouro na Comex de Nova York a US$ 424,55 a onça troy, queda de 0,13%.
Dólar em queda
Dólar comercial a R$ 2,738 na compra e R$ 2,740 na venda, queda de 0,36%. Paralelo a R$ 2,740 na compra e R$ 2,840 na venda, queda de 0,11%. Na cotação média (Ptax) do Banco Central, a R$ 2,7295 na compra e R$ 2,7303 na venda, queda de 0,36%. Dólar turismo a R$ 2,650 na compra e R$ 2,810 na venda, queda de 1,06%. Dólar futuro/abril, queda de 0,40%, a R$ 2,746. Dólar futuro/maio, queda de 0,40%, a R$ 2,778. Cotação internacional do euro: US$ 1,2944 (às 19h22). Cotação do euro turismo (traveller check): R$ 3,423 na compra e R$ 3,663 na venda, queda de 0,004%.
Bolsa em alta
A ata do Copom, o IPCA-15, a melhora no cenário externo e a baixa liquidez deram uma força para o mercado de ações, que despencou desde o alerta sobre a inflação nos EUA, feito pelo Federal Reserve na tarde de terça-feira. O Ibovespa fechou em alta de 1,73%, com 26.701 pontos, entre a máxima de 2,21% e a mínima de 0,07%. O movimento financeiro foi minguado, e registrou R$ 1,277 bilhão. Com o fechamento de ontem, a bolsa paulista passou a acumular baixa de 5,11% em março e alta de 1,93% em 2005. Contrato de Ibovespa futuro para abril, alta de 0,99%, em 26.510 pontos, entre a máxima de 2,67% ( 26.950 pontos) e mínima de 0,84% (26.470 pontos). C-Bond a 98,000 centavos de dólar, em queda de 0,51%.
Respirando um pouco
''O mercado respirou um pouco mais aliviado. Mas o cenário externo continuará no centro das preocupações'', comentou um operador. A ata do Copom, de uma forma geral, trouxe um alento ao mercado. ''Pintaram o diabo mais feito do que ele parece'', disse um operador em relação ao teor da ata. Com isso, voltou a ganhar espaço das mesas de operações a tese de que o ciclo de aperto monetário pode ter se encerrado neste mês de março. A reação positiva à ata foi acompanhada pela divulgação do IPCA-15 de março, o mais baixo desde outubro de 2004.
Altas e baixas
O bom desempenho da Bovespa ainda foi favorecido pela redução da liquidez, o que geralmente acontece em véspera de feriado. As maiores altas do Ibovespa foram: Eletrobrás ON (5,49%), Telesp PN (4,94%) e Aracruz PNB (4,82%). As maiores baixas foram: Te le Leste Celular PN (-2,17%), Embraer ON (-1,84%) e Cesp PN (-1,83%).
Blue Chips
Na Bovespa, Telemar PN, 0,96%; Petrobras PN, 1,28%; Embratel Par. PN, 2,38%; Usiminas PNA, 3,97%; Telesp CL PA PN, estável; Vale R. Doce PNA N1, 4,08%; Bradesco PN N1, 2,27%; Eletrobrás PNB, 1,97%; Sid. Nacional ON, 1,35%; Cemig PN N1, 2,37%.
Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil





