Bovespa em queda
Pelo quarto pregão consecutivo, a Bovespa fechou em queda, prejudicada pelas preocupações com a inflação e os juros no Brasil e nos EUA. O Ibovespa (53 ações de primeira linha) caiu ontem 1,39% e terminou o dia somando 26.248 pontos, o patamar mais baixo desde o dia 4 de fevereiro passado. Agora o índice paulista acumula perdas de 6,54% nos últimos quatro dias e de 6,72% no mês. No acumulado do ano, o Ibovespa praticamente zerou os ganhos (+0,19%). O volume financeiro dos negócios de ontem somou R$ 1,836 bilhão, abaixo da média diária do mês passado (R$ 2 bilhões).

Mercado estressado
Um dado de inflação ao consumidor nos EUA acima do esperado (CPI, na sigla em inglês) e o anúncio do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que elevou terça-feira os juros em 0,25 ponto porcentual para 2,75% ao ano, gerou estresse no mercado de ações. Apesar de o comunicado ter reafirmando o processo ''moderado'' de alta dos juros (antes se especulava sobre a retirada desse termo da nota), o Fed alertou para o aumento das pressões inflacionárias.

Net foi destaque
A ação da Net foi um dos destaques de alta do Ibovespa após divulgar o maior lucro trimestral de sua história. O papel avançou 1,53%, cotado a R$ 0,66. Ontem a empresa divulgou que, no quarto trimestre de 2004, lucrou R$ 107,9 milhões. Foi a primeira vez que a empresa contabilizou lucro em dois trimestres consecutivos. No terceiro trimestre, o lucro havia sido de R$ 1,2 milhão.

Blue Chips
Na Bovespa, Telemar PN, -0,22%; Petrobras PN, -1,46%; Embratel Par. PN, -0,23%; Usiminas PNA, 1,45%; Telesp CL PA PN, -1,78%; Vale R. Doce PNA N1, -4,32%; Bradesco PN N1, -2,22%; Eletrobrás PNB, -0,30%; Sid. Nacional ON, -1,41%; Cemig PN N1, -1,74%.

Juros
CDB prefixado de 30 dias, 19,14% ao ano. Hot money, 2,45% ao mês. Capital de giro, 23,50% ao ano. CDI, 19,19% ao ano. Over a 19,25%.

Ouro
Ouro na BM&F a R$ 37,50 o grama, queda de 0,26%. Ouro na Comex de Nova York a US$ 425,35 a onça troy, queda de 0,29%.

Risco Brasil dispara
Após ultrapassar na semana passada as Filipinas no ranking da desconfiança do investidor estrangeiro, o Brasil agora se igualou ao quarto lugar da Venezuela. Ontem, o risco brasileiro chegou a subir até 4,7% na máxima dos 466 pontos, acima da máxima registrada pela Venezuela (465 pontos), segundo dados fornecidos pela assessoria do JP Morgan no Brasil.

Recomendação baixa
A corretora norte-americana Merrill Lynch rebaixou ontem sua recomendação para os títulos dos emergentes. Nesse grupo, o maior risco ainda é o da Argentina (5.098 pontos), que decretou o fim da moratória da dívida no início deste mês e depois convocou boicote contra a multinacional Shell por reajustar os combustíveis. Em segundo lugar, aparece Equador (659), seguido pela Nigéria (630). Agora possuem risco menor que o do Brasil a Venezuela (465), Filipinas (417), Colômbia (380), Panamá (290) e Turquia (271).

Dólar sobe
O dólar fechou ontem com a maior alta porcentual em quase 10 meses. A cotação subiu 1,92% e encerrou a R$ 2,75. Desde o final de maio do ano passado, a divisa não avançava tanto em um único dia. A disparada dos juros pagos pelos títulos do Tesouro americano e a valorização da moeda norte-americana frente ao euro, à libra esterlina e ao iene motivaram o dia negativo para o real.

Operador moderado
O rendimento do título do Tesouro americano de dez anos subiu forte e atingiu 4,65%, o nível mais elevado desde maio de 2004. Essa taxa de remuneração atrai investidores estrangeiros para aplicações nos EUA, em detrimento dos países emergentes, como o Brasil.''Não acredito que o dólar supere R$ 2,80 no curto prazo, pois as entrada de recursos ainda é forte'', disse o operador da corretora Comex, Alessandro Malagutti. Ele considerou que a moeda americana oscilando entre R$ 2,70 e R$ 2,75 é o ideal, pois não pressiona a inflação nem prejudica muito importadores e exportadores.

Ata do Copom
Hoje, os negócios serão influenciados pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e devem ser fortes no período da manhã devido à véspera do feriado (Semana Santa). O documento do Banco Central vai indicar a tendência para os juros, que foram elevados na semana passada em 0,50 ponto percentual para 19,25% ao ano.

Bolsas da Europa
As bolsas européias fecharam em queda ontem, puxadas para baixo pelos papéis dos setores de mineradoras e petrolífero. A bolsa de valores de Londres fechou em queda de 0,54%. Em Paris, caiu 0,36%. Em Madri, queda de 0,51%. Em Lisboa, alta de 0,27%. A Bolsa de Frankfurt recuou 0,08%. Em Milão, caiu 0,19%.

Bolsas da Ásia
O comunicado do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) divulgado na terça-feira, afirmando que as pressões inflacionárias aceleraram nos últimos meses e que o poder de repasse de preços está mais evidente, derrubou ontem os principais mercados asiáticos. A bolsa de valores de Tóquio fechou com queda de 0,90%. Em Hong Kong, baixa de 1,25%. Em Seul, na Coréia do Sul caiu 1,39%. Na China, o índice Shangai Composto caiu 0,4% e o Shenzhen Composto terminou em baixa de 0,3%. A bolsa de Taiwan fechou praticamente estável, em alta de 0,01%. A bolsa de Jacarta fechou em baixa de 0,91%. Em Kuala Lumpur, na Malásia, subiu 0,30%. A bolsa de Manila, nas Filipinas, fechou em queda de 1,70%. Em Cingapura, caiu 1,44%.

Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil

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