Apostas na Selic
As chances de o mercado de juros chegar ao segundo dia da reunião do Copom mais otimista ficaram bastante reduzidas, diante do quadro externo repleto de incertezas. Ontem, os juros dos bônus do Tesouro norte-americano fecharam mais uma vez em alta, refletindo o temor de que a política monetária por lá ganhe um tom mais conservador. E, por aqui, ficou ainda menor a corrente dos que consideram viável um ajuste de 0,25 ponto na taxa Selic.

Incertezas
O DI mais curto, com vencimento em abril, fechou com taxa de 18,99%, refletindo que, segundo as apostas do mercado, há 78% de chance de a Selic subir 0,5 ponto e apenas 22% de haver um ajuste de 0,25 ponto. E, entre operadores, há quem diga que, se a Selic subir realmente para 19,25%, então o mercado assumirá um tom ainda mais cauteloso. ''Se o Copom subir 0,5 ponto, então o mercado vai voltar a discutir se esta foi a última elevação ou se pode vir mais 0,25 ponto em abril'', prevê um operador. Ontem, no entanto, o consenso continuava sendo que o ciclo de aperto monetário acaba mesmo hoje.

Bovespa em baixa
O Índice Bovespa fechou em baixa de 1,82%, somando 27.587 pontos. O movimento financeiro ficou em R$ 1,678 bilhão, abaixo da média de R$ 2,06 bilhões registrada em fevereiro, quando a bolsa registrou saldo recorde de investimentos estrangeiros. Com o fechamento de ontem, o Ibovespa passou a acumular perdas de 1,96% em março e ganhos de 5,31% em 2005.

Risco País
Em fevereiro, quando a Bovespa recebeu investimento estrangeiro recorde, havia a expectativa de aumento ''comedido'' nas taxas de juros dos Fed Fundos. Ao mesmo tempo, o risco Brasil caía aos poucos, chegando a ficar na casa dos 380 pontos-base no início de março. Hoje, essa situação é diferente. Já há quem acredite numa elevação de juros mais forte nos EUA e o risco Brasil marcava 423 pontos base em torno das 18 horas de ontem.

Altas e baixas
Na Bovespa, a queda foi generalizada. Entre as 53 ações que compõem o Ibovespa, apenas cinco fecharam em alta. As maiores altas foram Comgás PNA (2,91%), Cemig PN (1,69%) e Copel PNB (0,70%). As maiores baixas foram Embraer ON (-7,86%), Embraer PN (-5 ,62%) e TIM ON (-5,06%).

Ouro
Ouro na BM&F a R$ 39,00 o grama, alta de 0,25%. Ouro na Comex de Nova York a US$ 440,85 a onça troy, alta de 0,15%.

Dólar avança
O dólar fechou ontem em alta pelo sétimo dia consecutivo. Essa é a maior escalada da moeda norte-americana desde o final de julho de 2002, quando subiu nove dias seguidos devido às turbulências com a eleição presidencial. Em alta de 0,50%, o dólar encerrou cotado a R$ 2,766. Esse é o valor mais elevado em mais de três meses, ou seja, desde 10 de dezembro, quando custava R$ 2,776. Neste mês, a divisa já valorizou 6,83% e só fechou em queda um único dia (4).

Principais motivos
O avanço da moeda norte-americana no exterior, um leilão de compra de divisas pelo Banco Central e as apostas mais intensas dos bancos na alta da cotação foram os principais motivos citados pelos operadores para justificar o atual rali do dólar no Brasil.

Euro em queda
De novo, a moeda avançou frente ao euro, que caiu de US$ 1,3369 para US$ 1,3313. A apreciação do dólar lá fora ocorreu após sair um relatório indicando que o fluxo de capital para os EUA em janeiro veio acima do esperado e foi mais que suficiente para cobrir o déficit comercial do país.

BC compra
No Brasil, o BC adquiriu moeda norte-americana em leilão, pagando uma taxa de R$ 2,762. Foi a primeira vez que a autoridade monetária realizou esse tipo de operação em véspera de resgate de dívida cambial. Um débito de US$ 1,255 bilhão será totalmente retirado de circulação hoje. A média oficial do dólar (Ptax) de ontem, pressionada pelos bancos credores, será usada para corrigir essa dívida.

Aguardando o Copom
Hoje, os bancos operam na expectativa da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros. Os bancos são unânimes em apostar em nova alta da taxa (a sétima, se confirmada), mas estão divididos se será de 0,50 ou 0,25 ponto porcentual.

Bolsas da Europa
A bolsa de valores de Londres fechou em alta de 0,51%. O volume alcançou 3,01 bilhões de ações negociadas. Em Paris, subiu 0,72%. Em Frankfurt, alta de 0,47%. Milão subiu 0,79%. A bolsa de valores de Madri fechou em alta de 0,63%. Em Lisboa, fechou em queda de 0,30%.

Bolsas da Ásia
A Bolsa de Tóquio cedeu 0,30% com realização de lucros. A bolsa de Hong Kong fechou em baixa 0,65%. Na Coréia do Sul, terminou em forte baixa de 2,60%. Na China, o Shangai Composto caiu 1,9% e o Shenzhen Composto fechou em baixa de 1,4%. Em Taiwan, perdeu 1,50%. Em Jacarta, caiu 0,40%. Na Malásia, cedeu 0,38%. Nas Filipinas, fechou em queda de 0,44%. A bolsa de Cingapura terminou com perda de 0,23%.

Valores do petróleo
Os contratos futuros de petróleo subiram em Londres (International Petroleum Exchange-IPE) e em Nova York (New York Mercantile Exchange-Nymex). Na Nymex, os contratos de petróleo para abril fecharam em US$ 55,05 o barril, em alta de US$ 0,10 (+0,18%); a mínima foi de US$ 54,25 e a máxima de US$ 55,45. Na IPE, os contratos de petróleo Brent para abril fecharam em US$ 53,85 o barril, em alta de US $ 0,19 (+0,35%); a mínima foi de US$ 53,05 e a máxima de US$ 54,28.

Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil

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