Juros futuros sobem
Os juros futuros subiram mais um pouco ontem, aproximando a projeção do contrato mais curto da aposta em um aumento de 0,5 ponto porcentual na taxa Selic esta semana. Mas o mercado não parece ter convicção de qual será a decisão amanhã, embora considere que, qualquer que seja a intensidade do aumento do juro, ele encerrará o ciclo de aperto monetário. ''Discutir se será 0,25 ou 0,5 ponto porcentual é o mesmo que jogar cara ou coroa. O que interessa é que o ajuste não deve prosseguir nos próximos meses'', defende um operador.

Expectativa com Copom
A hipótese de um ajuste mais brando, de 0,25 ponto porcentual, baseia-se nos seguintes argumentos: a melhora dos índices de inflação na margem, inclusive dos núcleos; o fato de os preços livres medidos pelo IPCA, excluindo-se o item educação, mostrarem alívio; e a desaceleração do ritmo da atividade econômica para níveis mais condizentes com a expectativa do Banco Central. Ou seja, a inflação corrente, uma das preocupações do BC, mostrou uma melhora.

Petróleo e risco País
Mas a idéia de que o Copom repetirá a dose nesta semana e elevará a Selic em 0,5 ponto ganhou espaço por causa de fatores relacionados à inflação futura. Profissionais destacam que o juro dos Treasuries de 10 anos saiu de 4,10%, na reunião do Copom do mês passado, para 4,5% (ontem, encerraram em 4,518%); o dólar subiu de R$ 2,60 para a casa de R$ 2,70 (ontem, fechou em R$ 2,753), o que impacta diretamente o modelo usado pelo BC para calcular suas projeções de inflação; o preço do petróleo avançou a ponto de já provocar uma defasagem nos preços dos combustíveis (o barril negociado em NY fechou o dia em alta de 0,96% a US$ 54,95); e o risco País está de novo na casa dos 400 pontos-base.

Aguardar a ata
Para qual conjunto de fatores o Copom dará maior peso nesta reunião, ninguém sabe. Mas, apesar disso, o mercado ainda baseia-se na afirmação feita na ata da reunião passada, de que o juro está próximo a um nível capaz de fazer a inflação convergir para a meta, para acreditar que este deve ser o último ajuste deste ciclo. ''Aumentar mais ainda pode comprometer muito a atividade econômica'', defende um operador. De todo modo, se o BC optar por ajustar o juro em 0,5 ponto, o mercado deve carregar uma dose de cautela até a ata do Copom. ''Se o BC tiver a intenção de continuar elevando o juro, vai ter de mostrar o que está preocupando agora'', diz um profissional.

Bovespa faz pausa
A Bovespa fez uma pausa ontem. Essa ''parada técnica'' servirá para o mercado reavaliar os cenários doméstico e internacional, bem como verificar o comportamento dos investimentos estrangeiros na bolsa. Depois de oscilar entre uma variação máxima de +0,22% (28.135 pontos) e uma mínima de -1,28% (27.714 pontos), o Ibovespa fechou em ligeira alta de 0,09%, com 28.098 pontos. O movimento financeiro foi considerado modesto em relação à média das últimas semanas, e ficou em R$ 1,466 bilhão. Com esse resultado, o Ibovespa passou a acumular baixa de 0,14% em março e alta de 7,26% em 2005.

Dólar tem 6 alta
O dólar teve ontem a sexta alta consecutiva e atingiu o maior valor em três meses. A cotação subiu 1,17% e fechou a R$ 2,752. Após nove meses de baixa, a moeda norte-americana mudou de tendência e já acumula ganho de 6,29% em março. Fatores internos e externos explicam essa mudança de rumo.

Novas regras
A alta do dólar coincidiu com o primeiro dia de vigência das novas regras do mercado de câmbio, que facilitam as remessas de recursos para o exterior. Lá fora, o dólar também se recuperou em relação a moedas fortes, como o euro. O Brasil acompanhou essa tendência internacional da moeda americana. ''O novo patamar do dólar é um valor acima de R$ 2,70'', disse o analista da corretora Vision, Mauro Araújo.

Dívida cambial
A proximidade do vencimento de uma dívida cambial também favoreceu a alta do dólar, pois os bancos querem lucrar mais com o resgate dos títulos pelo Banco Central. Hoje, a média oficial do dólar (Ptax) será usada como referência para a liquidação de uma dívida de US$ 1,255 bilhão que vence amanhã.

Câmbio março sobe
As estimativas de mercado para a taxa de câmbio no fim deste mês subiram de R$ 2,63 para R$ 2,65 em pesquisa semanal do Banco Central (BC) divulgada ontem. Apesar da alta, o valor estimado é inferior aos R$ 2,72 do fechamento da última sexta-feira.

Câmbio abril estável
Para o fim de abril, as previsões de câmbio feitas pelos participantes da pesquisa ficaram estáveis em R$ 2,65 pela segunda semana consecutiva. As previsões de câmbio para o final do ano seguiram a mesma tendência de estabilidade e permaneceram em R$ 2,80 pela segunda semana consecutiva. As projeções para o fim de 2006, por sua vez, recuaram de R$ 3,00 para R$ 2,99.

Bolsas da Europa
O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres fechou em queda de 0,14%. Na Bolsa de Paris, baixa de 0,02%. Em Madri, queda de 0,36%. Lisboa caiu 0,42%. Em Frankfurt, alta de 0,16%. Em Milão subiu 0,12%

Bolsas da Ásia
As ações fecharam em baixa de 0,60% na Bolsa de Tóquio. Em Hong Kong, alta de 0,11%. Em Taiwan, baixa de 0,79%. Na Coréia do Sul, cederam 0,30%. Em Jacarta, subiram 1,39%. Na Malásia, alta de 0,02%. Nas Filipinas, perderam 1,02%. Em Cingapura, caíram 0,02%.


Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil

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