Teles empurram bolsa
As ações das teles dispararam e impediram a Bovespa de fechar mais um pregão no vermelho. O principal índice da Bolsa de São Paulo terminou a quinta-feira em leve alta de 0,19%, aos 28.567 pontos, depois de duas baixas. O recuo do preço do barril de petróleo, um dia após bater patamar recorde, também limitou as perdas no mercado de ações. O Itel, que reúne 25 ações do setor de telecomunicações, encerrou em forte alta de 3,60%. Isso porque os papéis do grupo Brasil Telecom tiveram uma alta surpreendente, de mais de 20%.

Disputa no fim
Essa euforia ocorreu devido à expectativa de que a disputa pelo controle da empresa está perto do fim, após o anúncio da destituição do Opportunity da gestão da Brasil Telecom, determinada pelo Citigroup. Os conflitos entre os principais acionistas afetavam a imagem da Brasil Telecom, na visão dos analistas.

Acima da média
A ação PN da operadora Brasil Telecom encerrou em alta de 21,86%, cotada a R$ 12,93. Já o papel ON da holding saltou 21,70% para R$ 28,60, enquanto a PN avançou 11,76% para R$ 19,95. Esses papéis tiveram forte volume de negócios, o que fez o pregão fechar com um giro financeiro de R$ 2,142 bilhões, acima da média diária de fevereiro (R$ 2 bilhões).

Risco Brasil
O risco Brasil voltou a subir e, no final dos negócios, estava em 394 pontos, alta de 2,07%.

Ouro
Ouro na BM&F a R$ 38,50 o grama, alta de 0,26%. Ouro na Comex de Nova York a US$ 442,00 a onça troy, alta de 0,43%.

Juros
Sem abandonar a convicção de que este será o último mês de ajuste monetário, o mercado deu sequência à correção das taxas futuras iniciada anteontem, estimulado pelo dado negativo do IGP-M e pela desconfiança em relação ao cenário externo. O contrato DI de janeiro de 2006 fechou na BM&F em 18,75%, ante 18,70% anteontem. O DI de julho de 2005 subiu de 19,11% para 19,12%, enquanto o contrato de abril de 2006 avançou de 18,31% para 18,36%.

Dólar recuperando
O dólar fechou em alta pelo quarto dia. A moeda subiu ontem 0,36% para R$ 2,715, valor mais elevado desde o último dia 6 de janeiro (R$ 2,723). Pela manhã, a divisa chegou a cravar a maior cotação do ano, a R$ 2,743 (+1,40%).
Mais uma vez, houve o interesse do mercado de inflar o preço. Os bancos pressionaram a média oficial do dólar (Ptax) para garantir a taxa mais favorável para liquidação dos contratos cambiais vendidos anteontem pelo Banco Central. Por conta desse jogo, o BC não realizou leilão de compra de divisas. Quanto maior a Ptax, maior os ganhos das instituições financeiras.

Leilão de swap
Na quarta-feira, pela primeira vez, o BC deixou de vender todo o lote de contratos cambiais ofertados. Dos 40 mil papéis (US$ 1,96 bilhão) oferecidos no chamado ''leilão de swap reverso'', vendeu 76% do total (30.400 contratos ou US$ 1,48 bilhão). Desde 2 de fevereiro, o governo começou a ofertar esses contratos com o objetivo de reduzir a exposição da dívida pública ao câmbio. Mas esse tipo de operação ajuda a pressionar a cotação, pois reduz na prática a oferta de ''hedge'' (proteção contra oscilações do dólar) no mercado.

Diminuindo apostas
Desde o começo deste mês, os bancos diminuem suas apostas na tendência de queda da cotação - ao contrário do que ocorreu em fevereiro, quando o dólar chegou a cair a R$ 2,55. Lá fora, nos últimos dias, os preços do petróleo e dos metais em alta reacenderam as preocupações dos investidores com os custos das empresas, o impacto negativo na inflação e o risco de aumento forte dos juros, principalmente nos EUA. Mas ontem, em Nova York, o barril fechou cotado a US$ 53,55, queda de 2,23%, depois de chegar ontem a US$ 55,65 durante o dia - dois centavos abaixo da maior cotação já registrada.

Reunião do Copom
Existe ainda a expectativa com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros, marcada para a próxima semana (dias 15 e 16). Os investidores estão divididos sobre o tamanho do novo aumento da taxa Selic, hoje em 18,75% ao ano, a maior desde novembro de 2003. Há quem espere uma alta simbólica, de só 0,25 ponto porcentual. Outros falam em elevação de 0,50 ponto, como ocorre desde outubro de 2004. As apostas devem se firmar hoje, quando sai a inflação oficial de fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Fim do aperto?
No mês passado, a ata do Copom indicou que o atual ciclo de aperto monetário pode estar próximo do fim. Alguns economistas acham que a reunião de março será a última em que os juros vão subir, ficando estável nos meses seguintes e voltando a cair só no segundo semestre. Mas novos focos de inflação, como o reajuste (17,6%) do ônibus em São Paulo e o aumento (71,5%) do minério de ferro, surpreenderam alguns analistas, que revisaram previsões. No boletim Focus, o mercado elevou sua expectativa de inflação do ano (5,72%), ainda acima da meta (5,1%).

Dividendos da Vale
A Vale, que tem registrado resultados históricos, está se tornando uma das melhores empresas em distribuição de dividendos. Estimativas de mercado projetam lucro este ano de R$ 13 bilhões e dividendos de R$ 2,2 bilhões. O resultado de 2004 será divulgado oficialmente pela empresa em duas semanas.

Fontes: Agência Estado, Folhapress, France Presse, Agência Brasil

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