Bolsa bate recorde
A Bovespa acumulou ganhos de 16,52% em fevereiro, o melhor desempenho mensal desde outubro de 2002, período da eleição do presidente Lula. Foi o melhor investimento do mês. Isso ocorreu devido à injeção recorde de capital estrangeiro no pregão, após a divulgação dos maiores lucros da história registrados em 2004 por algumas empresas brasileiras, como bancos e siderúrgicas.

Ontem caiu
Mas o último pregão do mês tirou um pouco do brilho da performance da Bolsa. O Ibovespa (53 ações mais negociadas) caiu 1,01% e fechou aos 28.139 pontos, pressionado pela queda das Bolsas americanas, onde voltaram as preocupações com a inflação e o petróleo. Alguns investidores da Bovespa aproveitaram os ganhos expressivos das últimas semanas para vender ações e embolsar logo os lucros.

Volume de negócios
Mas para a centena de corretoras sócias da Bovespa, o dado que interessa é o volume de negócios, que encostou na marca de R$ 2 bilhões por dia. Segundo a consultoria Economática, descontando a inflação, o giro de negócios em fevereiro foi o maior da história da Bolsa. Esse dado é importante porque indica um aumento das receitas das instituições com taxas de corretagem cobradas dos investidores.

Dólar acumula queda
O dólar contrariou de novo as expectativas dos bancos e acumulou queda frente ao real pelo nono mês consecutivo. Ontem, a moeda dos EUA fechou cotada a R$ 2,589, queda de 1,14%. Esse valor ficou abaixo do previsto pelos analistas (R$ 2,60) no último boletim Focus. Em fevereiro, o dólar depreciou 0,80% - no fim de janeiro, estava em R$ 2,61.

Capital especulativo
A entrada de capital especulativo no país seguiu forte. Isso elevou a oferta de divisas no mercado e derrubou as cotações. O Brasil atrai o dinheiro do investidor estrangeiro por causa dos juros elevados pagos pelos títulos públicos. Fica mais fácil, rentável e seguro aplicar na ciranda financeira do que emprestar ao setor produtivo. Desde setembro, o Banco Central eleva os juros com o pretexto de conter a inflação.

'Swap cambial'
Diante das críticas dos exportadores, que perdem dinheiro com o dólar barato, o BC reforçou em fevereiro seu arsenal de intervenções no câmbio: comprou mais divisas e atuou também no mercado futuro com os chamados leilões de ''swap cambial'' (contrato que remunera o investidor com a troca de taxas). Mas essas ações tiveram um efeito limitado - no máximo, suavizaram a tendência de queda do dólar.

Descendo a ladeira
O dólar desce a ladeira, mês a mês, também devido à onda de captações de recursos feitos por empresas e bancos no exterior. Ontem, o Tesouro anunciou o terceiro lançamento de títulos da dívida externa neste ano. Foi captado US$ 1 bilhão com um papel de dez anos, pagando ao investidor uma taxa de 7,90%.

Previsões
Apesar de o valor final do dólar ontem não ser exatamente o previsto pelos economistas, a diferença ficou bem menor. No último dia de janeiro, a moeda americana encerrou a R$ 2,61 -bem abaixo da média projetada pelos analistas (R$ 2,70) para o período. Em fevereiro, os palpites para o fim do mês (R$ 2,60) se aproximaram mais da realidade (R$ 2,589). Para o final de março, as previsões apontam para uma cotação de R$ 2,64. Foi a décima semana consecutiva em que os analistas reduziram suas projeções para a taxa de câmbio do próximo mês. Para o fim do ano, os analistas esperam agora um dólar a R$ 2,80. Foi a terceira semana de rebaixamento dessa previsão. Para o final de 2006, a projeção foi mantida em R$ 3, pela terceira semana consecutiva.

Petróleo em alta
Depois de atingir US$ 52,28, o barril para entrega em abril fechou cotado a US$ 51,75 em Nova York, alta de 0,50%. Em Londres, o barril do petróleo Brent fechou cotado a US$ 50,06, alta de 0,70%. O aumento ocorreu devido aos temores no mercado de que, com a persistência do frio nos EUA, a queda registrada no estoque na semana passada possa ser um sinal de que venha a ocorrer uma escassez da commodity. O presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e ministro da Energia do Kuait, xeque Ahmad Fahd al Sabah, disse ontem que deverá propor ao cartel a manutenção da atual cota de produção para os países membros em 27 milhões de barris por dia.

Lucro da ALL
A América Latina Logística (ALL), maior operadora logística com base ferroviária da América Latina, obteve um lucro líquido de R$ 150,6 milhões no ano de 2004, representando um crescimento de 34 vezes em relação ao lucro de R$ 4,4 milhões de 2003. O EBITDA (lucro antes dos juros, imposto de renda, depreciação e amortização) consolidado de 2004 cresceu 30% comparado com o mesmo período do ano anterior, passando de R$ 270,7 milhões para R$ 350,9 milhões. A margem de EBITDA aumentou 7 pontos porcentuais, de 30% para 37% no ano.

Novos acordos
Em 2004, a ALL foi pioneira no setor ao celebrar acordos comerciais de longo prazo com seus clientes, assegurando volumes e investimentos em novos vagões. ''Os contratos demonstram que os clientes têm confiança e reconhecem o nível de serviço da ALL a ponto de decidirem, estrategicamente, expandir seus negócios na área de influência da companhia'', diz Bernardo Hees, diretor presidente da ALL. O melhor exemplo é o contrato com a Bunge Alimentos, o maior acordo de transporte de longo prazo da história do Brasil, que viabilizará, nos próximos 23 anos o transporte de 270 milhões de toneladas. Além disso, em 2005 a ALL agregará à sua frota 1.300 novos vagões disponibilizados por clientes.

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