MERCADO FINANCEIRO
Bovespa dispara
A Bovespa disparou ontem mais de 4% após uma reação positiva do mercado à ata do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento adotou um tom menos pessimista sobre o futuro do juro acenando que o atual ciclo de alta da taxa está próximo do fim. O Ibovespa (53 ações mais negociadas) fechou em alta de 4,55% e cravou o maior patamar de sua história (28.436 pontos). Foi o sexto recorde batido pelo índice paulista neste ano. Foi a maior alta porcentual em um único dia em nove meses. O pregão movimentou R$ 2,553 bilhões, acima da média de janeiro (R$ 1,2 bilhão).
Principais compras
Investidores estrangeiros compraram principalmente ações da Vale do Rio Doce (+5%), Petrobras (+3%), Telemar (+3%), CSN (+8,5%) e Usiminas (+5%). Todas as 53 ações que formam o Ibovespa encerraram em alta. O maior ganho do dia foi registrado pelo papel da Net (11,5%). A perspectiva de alívio no custo do crédito favorece o mercado de ações. Juro elevado é considerado um ''veneno'' para os lucros das empresas e as aplicações em renda variável.
Maior alta
O dólar fechou ontem com a maior alta porcentual em quase nove meses com a aposta de que o Brasil está prestes a interromper o ciclo de aumentos da taxa básica de juros. A moeda americana terminou cotada a R$ 2,633, alta de 1,50%. À tarde, a cotação chegou a disparar 2% na máxima de R$ 2,647.
Mercado futuro
Além do leilão de compra de divisas pelo Banco Central, o principal motivo dessa alta foi o desmonte pelos bancos de posições de venda de dólar no mercado futuro. O salto da cotação ocorreu após o Banco Central sinalizar que o aumento dos juros - que atraem capital especulativo para o país - está com os dias contados.
Ata do Copom
Ontem, houve uma mudança de percepção do mercado sobre o rumo da política monetária no Brasil, depois da divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento adotou um tom menos pessimista ao traçar um cenário para os juros, indicando que o aperto monetário está próximo do fim -provavelmente em março.
Juros reais
Antes, os bancos montavam posições de venda de dólar futuro, de olho nos ganhos crescentes com os juros em reais. O Copom começou a elevar a taxa Selic em setembro do ano passado. ''Houve um exagero no carregamento de posições vendidas. Hoje (ontem) ocorreu uma forte zeragem de posições no mercado futuro'', disse o analista André Kitahara, do banco holandês Rabobank.
Fim do aperto
Com base nas pistas dadas pela ata, o economista Adauto Lima, do banco alemão WestLB, resumiu o novo sentimento do mercado: o BC vai subir os juros em março pela última vez, interrompendo o aperto monetário iniciado em setembro. Ele espera mais uma alta de 0,50 ponto percentual, que passaria dos atuais 18,75% para 19,25% ao ano. Lima diz que a taxa deve ficar nesse patamar até julho ou agosto, quando o BC começará os cortes até o juro ficar em 17% em dezembro. O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, também considera que março será o último mês de alta do juro, mas prevê um aumento menor, de apenas 0,25 ponto percentual.
Alívio na inflação
Em janeiro, a ata do Copom havia provocado um terremoto no mercado devido às ameaças do BC de promover um minichoque dos juros, o que provocou uma saraivada de críticas do setor produtivo, sindicalistas, oposição e até de membros do governo. Para justificar os ataques ao Copom, eram usados argumentos de que um forte aumento dos juros sufocaria a economia com crédito mais caro, desestimulando investimentos na produção e na criação de empregos, além de favorecer os especuladores que aplicam na ciranda financeira. Por trás do novo humor do Copom, estão os últimos índices de inflação, que apontaram um alívio dos preços e podem ser a senha que falta para o Copom interromper o atual ciclo de alta dos juros.
Recuo após pressão
Ontem dois índices reforçaram o quadro positivo da inflação: o IGP-M recuou para 0,30% em fevereiro - abaixo do 0,39% de janeiro, enquanto o IPC-Fipe desacelerou para 0,37% na terceira quadrissemana. O aumento da demanda por crédito também não é mais visto como um risco.
'Dança das cadeiras'
A ata ''benigna'' divulgada ontem pode reduzir as pressões sobre os membros do Copom, criando um ambiente mais favorável (ou menos traumático) para uma provável ''dança das cadeiras'' no BC. Nos últimos meses, ganharam força os rumores sobre a saída dos diretores do BC Alexandre Schwartsman (Assuntos Internacionais) e Afonso Bevilaqua (Política Econômica).
Alívio para Lula
O recuo da ata do Copom também representa um alívio para o próprio governo Lula no mês em que amargou a sua pior derrota política na eleição da presidência da Câmara e enfrenta um clima de ''revolta social'' com o aumento de impostos e os ataques à MP 232 (que eleva tributos para os prestadores de serviços).
Bradesco também
O Bradesco deverá ser o primeiro banco privado a compartilhar sua rede de atendimento eletrônico com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Os dois bancos federais lançaram ontem, em Brasília, o sistema ''Bancos Integrados'', que prevê o compratilhamento de todos os seus terminais eletrônicos. Dessa forma, o cliente do BB poderá realizar operações nos caixas eletrônicos da Caixa, e vice-versa (leia mais na página 3). Segundo o presidente da Caixa, Jorge Matoso, o compartilhamento de terminais está sendo negociado com vários bancos privados, mas as conversas com o Bradesco ''têm avançado mais''.





