Risco país cai para 393 pontos

O risco país caiu ontem 1,50%, para 393 pontos, o nível mais baixo desde 23 de outubro de 1997 (374). Com isso, mais o fluxo cambial positivo, o dólar voltou a cair, desta vez 1,02%, para R$ 2,711, apesar do leilão de compra feito pelo Banco Central. O Ibovespa recuou 0,67%, os juros futuros projetaram queda e o C-Bond - principal título da dívida brasileira - ganhou 0,12%, vendido com ágio de 1,813%.

Na mínima do dia, o dólar comercial perdeu 1,06%, para R$ 2,71. O enfraquecimento do dólar ante o euro e a firme demanda por títulos brasileiros no mercado da dívida também estimularam a oferta de moeda americana.



Apostas nos emergentes

No mercado da dívida, com a redefinição das carteiras para o próximo ano, fundos de pensão e fundos dedicados a países emergentes fizeram fortes apostas no Brasil e outros emergentes, que sustentaram o avanço dos títulos. Por isso, além do Global 40 e C-Bond, houve maior demanda pelos Globals 2012, 2014 e 2024. Isso explica a desconexão entre o comportamento dos papéis brasileiros e o dos títulos do Tesouro americano, que hoje pagaram juros maiores.


O quadro positivo, não apenas para o Brasil mas também para o restante dos emergentes, pode ser prejudicado por um aperto drástico da política monetária americana, leia-se, uma alta dos juros primários (Fed Funds). Nesse caso, os ''global players'' voltariam a carregar recursos para os ativos de ''primeira linha'' das economias mais desenvolvidas. Por enquanto, analistas de instituições financeiras domésticas e internacionais não projetam um cenário de forte aperto monetário nos EUA, devido à desaceleração prevista para a economia mundial em 2005.


Dólar e Bolsas

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), todos os contratos de dólar futuro projetaram cotações mais baixas. Para janeiro, a expectativa é de queda de 1,09%. O leilão do BC foi feito quando o comercial caía 0,18%. A taxa de corte foi estabelecida em R$ 2,733. Segunda-feira, devem sair das reservas internacionais do País US$ 202 milhões para o pagamento de uma parcela do principal da dívida com o FMI.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), os investidores aproveitaram a alta do petróleo futuro e a queda das Bolsas americanas para realizar lucros, depois de cinco pregões consecutivos de valorização. O volume financeiro foi de R$ 1,329 bilhão. Além da realização de lucros, a Bolsa paulista foi influenciada pelo exercício de opões em ações, marcado para segunda-feira. As atenções estão em Telemar cotada a R$ 44, que tem o maior número de contratos em aberto. Telemar PN fechou em R$ 43,17, avançando 0,19%.

As maiores altas foram de Caemi PN (2,49%), Banco do Brasil ON (1,86%) e Embraer PN (1,70%). As principais quedas ficaram com Embratel Participações PN (4,77%), Bradesco PN (4,02%) e Tele Centro Oeste PN (3,55%).

O mercado de juros corrigiu a alta de quinta-feira, considerada exagerada. O contrato futuro de abril, o mais negociado, projetou taxa de 17,93% ao ano. (Das agências)

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