BC abre leilão, mas não impede queda do dólar

O Banco Central movimentou o início da semana com o quarto leilão de compra desde a segunda-feira passada, no entanto, não conseguiu conter a desvalorização do câmbio, que acompanha o movimento de desvalorização internacional do dólar. A moeda americana foi vendida ontem à R$ 2,764 nos últimos negócios, sem sustentação nas mesas de câmbio para voltar a subir.

O leilão do BC encontrou um mercado de poucos negócios, em contagem regressiva para o final de ano. Apesar das informações iniciais de que a instituição não teria aceitado propostas dos dealers (bancos credenciados), fontes do mercado reiteraram que o BC comprou moeda. A taxa de corte informada pelo BC foi de R$ 2,768, praticamente a mesma praticada pelo mercado no momento do leilão. Na semana passada, não houve compras no terceiro leilão.


Contexto positivo

A macroeconomia forneceu o contexto para o preço da moeda americana cair. A balança comercial teve um superávit de US$ 843 milhões na segunda semana do mês ante US$ 211 milhões da primeira (que foi mais curta), justamente num período em que a taxa de câmbio atingiu seu menor valor em dois anos e meio. No acumulado deste ano, o superávit comercial atinge US$ 31,25 bilhões, resultado 33,9% superior ao do mesmo período de 2003.

O euro foi cotado ontem a US$ 1,3305 ante US$ 1,3227 do fechamento de sexta-feira. A desvalorização do dólar foi atribuída à preocupação dos investidores com a agenda desta semana, que prevê a divulgação de uma série de indicadores chaves sobre a economia americana.



Bolsa avança 1,17%

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 1,17% no fechamento de ontem e retomou o patamar dos 25 mil pontos (25.225). O giro foi de R$ 1,744 bilhão, inflado pelo leilão de compra das ações ordinárias da Embratel pelo grupo Telmex, que movimentou R$ 745,84 milhões.

Os investidores deram sequência à recuperação iniciada na sexta-feira, ainda com expectativas positivas para a economia em 2005 e corrigindo os preços de algumas ações que caíram pesadamente na semana passada.

As notícias da manhã de ontem, com destaque para o Relatório Focus, referendaram as expectativas do mercado quanto a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que anuncia amanhã a nova taxa básica de juros. O Focus mostrou a segunda redução consecutiva das expectativas inflacionárias para 2005, num efeito provável das menores tarifas de energia previstas para este ano.



Apostas na Selic

A quase totalidade dos analistas projeta um ajuste da taxa Selic para 17,75% (alta de 0,5 ponto percentual), com uma minoria de ''apostas'' por um acréscimo de 0,25 ponto percentual. O cenário externo ainda ajudou a recuperação da Bovespa. Os mercados europeus e americanos trabalharam em terreno positivo durante toda a jornada de negócios.

Nos EUA, as vendas no varejo subiram 0,1% em novembro, contra 0,8% em outubro. A informação ganha importância na medida em que o Federal Reserve (banco central dos EUA) se reúne hoje para anunciar ao mundo o juro primário americano. Economistas de corretoras e bancos projetam um ajuste de 0,25 ponto percentual (para 2,25% ao ano) mas sinais de aceleração da economia podem turvar esse cenário.

O encarecimento do petróleo não bastou para perturbar o quadro positivo. O barril cotado na Bolsa de Nova York subiu 0,76%, para US$ 41,01, mas analistas indicam que o preço já teria alcançado seu pico. (Folhapress)

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