MERCADO FINANCEIRO
''Efeito BC'' puxa dólar
O efeito ''Banco Central'' novamente atingiu o mercado de câmbio ontem. O dólar comercial fechou em alta de 0,79%, cotado a R$ 2,781 para venda, quando operadores repercutiram o terceiro leilão de compras do BC somente nesta semana. A novidade foi que, desta vez, a instituição recusou as propostas dos ''dealers'', os bancos credenciados a operar com o BC.
Segundo relatam operadores das mesas de câmbio, o BC abriu o leilão e, num procedimento inédito, avisou que aceitaria os preços oferecidos pelo mercado naquele momento (11h16), de R$ 2,754. As propostas, no entanto, apareceram na faixa de R$ 2,77 a R$ 2,78, o que teria frustrado os negócios.
O mercado, no entanto, não esperou o término do leilão para puxar a taxa cambial, que rapidamente alcançou R$ 2,78 antes do final da manhã, e pouco depois, R$ 2,794, o valor máximo registrado para uma operação nos negócios de hoje.
Programação de compras
O BC já realizou outros dois leilões, na segunda e na terça-feira, que puxaram a taxa cambial de seu menor nível desde junho de 2002. Após o primeiro leilão, o nível das reservas internacionais subiu de US$ 50,34 bilhões para US$ 50,60 bilhões, o que pode indicar que a instituição adquiriu cerca de US$ 26 milhões no mercado interno.
No mercado internacional, também foi um dia de recuperação para a moeda americana. A cotação do euro frente ao dólar caiu de US$ 1,3320 (fechamento de ontem) para US$ 1,3274, num movimento de correção de valores que também é verificado em outras moedas, a exemplo do dólar canadense, da libra esterlina e do iene.
Bovespa recua 1,77%
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem em queda de 1,77%, aos 24.526 pontos. O Ibovespa, principal indicador deste mercado, devolveu em menos de uma semana os quase 1 mil pontos ganhos desde a última sexta-feira. O giro foi de R$ 1,835 bilhão, inflado pelo leilão de venda das ações ordinárias da Gerdau, que movimentou R$ 412,8 milhões.
Os investidores optaram pela realização de lucros, acompanhando a tônica das Bolsas americanas e européias, que não tiveram dia melhor. A alta do barril de petróleo em Nova York detonou as perdas nos mercados acionários mundo afora, quando o preço da commodity. Há a expectativa de o cartel dos maiores produtos mundiais decida pelo corte da produção na reunião de hoje, o que fez os agentes desse mercado se anteciparem.
Queda geral
A queda foi ampla, geral e irrestrita entre as ações da Bovespa. No rol de papéis que compõem o indicador Ibovespa, apenas nove dos 54 papéis foram poupados, com destaque para as ações da Embraer, tanto preferenciais (+3,1%) quanto para as ordinárias (2%).
Os investidores continuaram a descontar nos ativos do setor elétrico os resultados do leilão de energia da terça-feira, o que fez a ação preferencial da Eletrobrás ceder 1% (após cair 20% entre terça e quarta-feira), enquanto Cesp e Celesc caíram 4,6% e 1,8%, respectivamente. (Folhapress)





