MERCADO FINANCEIRO
Dólar fecha cotado a R$ 2,759
Apesar da ausência (declarada) do Banco Central no mercado, os negócios nas mesas de câmbio ainda sustentaram ontem uma nova alta da moeda americana. O dólar comercial fechou com avanço de 0,40%, cotado a R$ 2,759 para venda, e praticamente zerou as perdas dos últimos 15 dias.
Analistas apontam que o mercado, após ''descobrir'' a taxa cambial mínima que detonou uma intervenção do BC, agora testa o governo para descobrir o ''teto'' que vai balizar a montagem de posições por tesourarias. Operadores também confirmaram a captação de US$ 200 milhões pelo Banco do Brasil, em bônus indexados a reais, no mercado internacional.
Competitividade
O grande problema para o governo, segundo analistas, é estabelecer uma taxa de câmbio que garanta a competitividade das exportações com o recuo da inflação, já que parte dos preços domésticos embute custos de componentes importados.
O mercado sabe que o cumprimento da meta de 2005 (5,1%) torna-se cada mais difícil, mesmo pela projeção mais otimista (6%) disponível. O IPCA de novembro, divulgado ontem, apontou alta de 0,69%, na faixa superior das expectativas do mercado, e na prática frustra a meta estabelecida para este ano (5,5%), já que acumula neste ano 6,68%.
Para 2005, a equipe de analistas do Bradesco destaca que os núcleos do índice (que excluem os preços mais voláteis) ainda apontam para uma inflação acima da meta do ano que vem. O quadro, portanto, em tese ratifica as expectativas de analistas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) eleve em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros na reunião deste mês, nos dias 14 e 15.
O dólar também valorizou no mercado internacional. A taxa em relação ao euro caiu de US$ 1,3422 para US$ 1,3322, após semanas de quebras consecutivas de recordes.
Bovespa não se recupera
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cedeu ao longo de todo o dia, sem força para recuperar o nível históricos dos 25 mil pontos, derrubada pelo movimento de realização de lucros e pelo dia ''negro'' das ações do setor elétrico. O indicador Ibovespa ainda recuperou parte das perdas no final da tarde e recuou somente 0,08% no fechamento, batendo os 24.988 pontos, num pregão com giro de R$ 1,619 bilhão.
A Bolsa brasileira praticamente descolou do mercado internacional, que teve um dia positivo com o recuo do barril de petróleo. Após o Departamento de Energia dos EUA divulgar uma elevação de 600 mil barris nos estoques americanos na semana passada, as ações subiram nas principais praças financeiras internacionais. A cotação do barril atingiu US$ 41,94 em Nova York, duas semanas após rondar os US$ 50 com a preocupação sobre o nível das reservas americanas de destilados.
Elétricas arrastam o mercado
O mercado ainda continuou a castigar os papéis do setor elétrico, um dia após o megaleilão que negociou 17 mil Mw médios e fechou negócios de R$ 72 bilhões. Os contratos de fornecimento de energia têm prazo de oito anos, a partir de 2005, 2006 e 2007.
O preço médio do MWh para 2005 estabelecido no final do leilão (R$ 57,51) ficou muito abaixo do esperado pelos agentes do setor elétrico e, na opinião unânime dos analistas, não remunera de forma adequada esses agentes. Já no dia do leilão algumas ações começaram a cair fortemente, a exemplo da holding Eletrobrás. Ontem não foi diferente: a ação preferencial (classe B) recuou 11,94% e a ordinária cedeu 13%. O papel da Cesp retraiu 10,37%, enquanto Copel desceu 4,58%. (Folhapress)





