MERCADO FINANCEIRO
Dólar fecha em alta de 1,02%
O Banco Central (BC) voltou a atuar no câmbio ontem e o resultado foi uma alta de 1,02% na cotação do dólar, que fechou a R$ 2,747 na venda. Foi o segundo dia consecutivo que a instituição atuou no mercado, após cerca dez meses de jejum. A última atuação do banco teria ocorrido em fevereiro.
A reação do mercado de câmbio à atuação do BC foi bem mais expressiva do que na segunda-feira. Isso porque a autoridade monetária, além de entrar no mercado com o dólar mais alto do que ontem, teria comprado mais divisas.
Analistas estimam que o BC teria adquirido ontem entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões, contra cerca de apenas US$ 5 milhões no leilão desta segunda-feira. O BC informou que comprou dólares ontem pela cotação de até R$ 2,722. No leilão de segunda-feira, a instituição aceitou pagar até R$ 2,715 pela moeda americana. A atuação de ontem provocou alta de apenas 0,36% no dólar, que fechou cotado a R$ 2,719.
''A partir de agora, o mercado não deve deixar mais a moeda cair tanto, pois deixar cair significa venda e ser surpreendido pelo BC'', disse o analista da corretora Souza Barros, Carlos Alberto Abdalla. Na segunda-feira, porém, o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que a iniciativa do BC não tem caráter intervencionista nem a intenção de formar um piso para o dólar, mas aproveitar o bom momento para reforçar as reservas internacionais.
Bovespa cai 2,51%
O desempenho abaixo do esperado do megaleilão de energia ''velha'' e a queda expressiva de papéis da Embratel fizeram o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) amargar perdas de 2,51% ontem, voltando para os 24.988 pontos. O giro financeiro somou R$ 1,541 bilhão.
Entre as maiores quedas da Bolsa ficaram os papéis do setor de elétrico, que refletiram o desempenho do leilão de energia ''velha'' realizado em São Paulo. A ação ordinária da Eletrobrás, por exemplo, caiu 9,8%. A ordináriada Cesp despencou 10%.
O analista de energia da corretora Socopa, Marcos Paulo Pereira, avaliou que no leilão houve muito mais oferta de energia do que demanda, o que provocou queda no preço dos contratos para o próximo ano. Os preços do MWh para os contratos de 2005, por exemplo, caíram de R$ 76,90 na primeira rodada para R$ 62,10 na atual.
Realização de lucros
O diretor da corretora Ágora Sênior, Álvaro Bandeira, considerou, porém, que o desempenho do leilão, assim como a queda brusca da ação da Embratel, serviram de motivo para os investidores iniciarem um movimento de realização de lucros. Ou seja, para embolsarem os lucros acumulados. Em novembro, o Ibovespa acumulou ganhos de 9%.
As ações preferenciais da Embratel Participações caíram 12,5% no dia e fecharam a R$ 5,55 o lote de mil. A empresa anunciou um aumento de capital de R$ 1,9 bilhão - cerca de US$ 700 milhões. Segundo analistas, o aporte no capital já era esperado, porém em um valor entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão.
No entendimento do mercado, o aporte vai diluir a participação acionária dos investidores.
A companhia informou que os recursos serão utilizado para o fortalecimento da Embratel Participações - holding que controla não só a operação de satélites, mas também de telefonia fixa e de transmissão de dados do grupo - e de suas subsidiárias, incluindo o pagamento de dividas que estão para vencer, pré-pagamento de certas dividas de custo elevado e financiamento de investimentos de capital. (Folhapress)





