MERCADO FINANCEIRO
Dólar sobe 0,36%
O mercado de moeda especulou ontem com o anúncio do primeiro leilão oficial de compra de dólares desde fevereiro. O dólar comercial, que oscilava entre R$ 2,69 e R$ 2,70 nas primeiras operações da manhã, subiu imediatamente para a faixa de R$ 2,71 a R$ 2,72.
O Banco Central anunciou o leilão de câmbio, a partir de US$ 1 milhão, exatamente às 10h55, quando a taxa cambial era cotada nas mesas de câmbio à R$ 2,70, e passou a comprar a R$ 2,715, de acordo com informações de operadores. No final do dia, a taxa cambial foi de R$ 2,719 para venda, em alta de 0,36% sobre o fechamento de sexta-feira.
O tamanho real da operação somente será conhecido em 48 horas, quando o governo atualizar o número das reservas internacionais. O mercado se dividiu quanto à ação do governo: para uma parte, o BC claramente sinalizou um ''piso'' para a taxa cambial, de R$ 2,70 (cotação de venda). Para outra, o governo apenas quis aproveitar a oportunidade de preço para recompor reservas, sem indicar qualquer cotação mínima.
Efeitos sobre a economia
Há semanas, membros do governo, entre os quais o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sendo o mais contumaz o ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan, apontavam para o efeito do câmbio depreciado sobre as exportações.
Analistas procuraram ponderar o que foi chamado de ''queda-de-braço'' entre a Fazenda e o Desenvolvimento a respeito da taxa cambial do momento, que se por um lado ajuda a convergir as expectativas de inflação para as metas oficiais, em tese prejudica o desempenho da balança comercial por tornar as exportações menos competitivas no tocante à preço.
Bovespa avança 0,65%
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem em alta de 0,65%, aos 25.632 pontos. Trata-se de novo recorde histórico alcançado pelo Ibovespa, principal referência do investidor de ações. O placar está positivo para o Ibovespa em 15 dos últimos 30 dias úteis. Nesse período, o indicador acumula valorização de 8,3%.
O mercado brasileiro passou praticamente incólume pela derrocada das Bolsas internacionais. Na Europa, os principais pregões fecharam em queda por conta do ataque de ontem ao consulado americano na cidade de Jidda, na Arábia Saudita, e o consequente reflexo sobre os preços do petróleo. O barril subiu para US$ 42,98 em Nova York e atingiu em cheio os negócios nas Bolsas americanas, ainda mais sensíveis às notícias de terrorismo.
Destaques do dia
Entre as principais notícias do setor privado, a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) prevê distribuir aos seus acionistas um total de R$ 900 milhões a título de dividendos e juros sobre capital próprio, provavelmente a partir de fevereiro. A ação preferencial subiu 4,89%, para R$ 750.
No setor financeiro, o Unibanco anunciou a saída do banco alemão Commerzbank da estrutura acionário do grupo, por meio da venda de Units (uma ação preferencial do banco e a uma ação preferencial da holding) da instituição estrangeira em uma oferta pública. De acordo com a corretora Fator Doria, a operação pode ser favorável aos detentores da ação, porque aumenta a liquidez do papel. A Unit avançou 1,38%. (Folhapress)





