Dólar encerra novembro a R$ 2,72

O dólar comercial encerrou novembro em sua menor cotação desde 19 de junho. Um conjunto de indicadores positivos da economia, como melhora das contas públicas, PIB (Produto Interno Bruto) em expansão e o retorno das captações externas privadas derrubaram a cotação e frustraram as projeções do início de ano, que apontavam taxas entre R$ 2,90 e R$ 3,15 para o final de 2004.

Ontem, o dólar fechou em queda de 1,01%, cotado a R$ 2,720 para venda. A moeda americana se mantém há sete dias consecutivos em seu menor nível dos últimos dois anos e meio.

O mercado foi movimentado ontem pelas notícias de novas captações externas, desta vez, denominadas em reais, após a operação inédita do banco Votorantim no último dia 19. O Bradesco lançou uma operação para captar o equivalente a US$ 300 milhões em papéis indexados a reais, com vencimento em 36 meses. O banco ABN Amro (Real) e o Unibanco também abriram oferta para levantar US$ 50 milhões no exterior, com papéis indexados à moeda brasileira.

''Essas empresas somente estão aproveitando o bom momento do risco-país a 415 (pontos)'', diz o analista de câmbio da corretora Liquidez, Mário Paiva.
A cotação do título da dívida soberana C-Bond subiu 0,37% enquanto o Global 40 avançou 0,30%.

No mercado internacional, o euro bateu patamares históricos contra a moeda americana, cotado a US$ 1,3336, apesar do crescimento acima do previsto do PIB americano.



Bovespa tem novo recorde

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) finalizou o pregão em alta de 1,10%, aos 25.128 pontos. O número representa a quarta marca histórica rompida pelo Ibovespa somente neste mês, sobre um giro de R$ 1,42 bilhão. No acumulado de novembro, o Ibovespa, a principal referência do mercado acionário brasileiro, acumulou alta de 9%.

A Bovespa operou praticamente descolada do mercado internacional, onde as Bolsas americanas operavam com baixa moderada, devido à retração do indicador de confiança do consumidor americano, que caiu em novembro, pela quarta vez consecutiva. O barril de petróleo foi cotado a US$ 49,25 no mercado de Nova York, praticamente estável sobre fechamento anterior.

Segundo operadores, o mercado interno responde ao quadro positivo de fim de ano, acentuado pelo dólar em queda, o que ajuda empresas endividadas em moeda estrangeira.


Em linha com as projeções

A expansão do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro veio em linha com as projeções dos analistas e não comprometeu o quadro de convergência das metas inflacionárias apontado no último Relatório Focus, do Banco Central. No último relatório, o IPCA previsto para 2005 caiu pela primeira vez em 5 semanas, o que teve impacto positivo sobre o pregão.

''A cada trimestre que o PIB vai crescendo 1% sobre o outro, vai se dissipando aquela idéia de crescimento sem continuidade'', diz André Querne, gestor de renda variável da Máxima Asset Management, numa referência à imagem do ''vôo de galinha'' que circulou no mercado nos últimos meses. Para Querne, a principal questão a ser monitorada será o repasse desse crescimento sobre os preços nas próximas semanas.

Analistas ainda chamaram a atenção para a taxa de investimento (formação de bruta de capital fixo) de 20,1%, a maior desde 1995, como um indicativo de crescimento sustentável. (Folhapress)

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