Dólar retoma a tendência de queda
Com a discreta presença do Tesouro na compra, por meio do Banco do Brasil, o dólar comercial retomou ontem o movimento de queda. A moeda americana fechou em baixa de 0,36%, para R$ 2,745, enquanto o Ibovespa subiu 2,04% e os juros futuros recuaram. Por causa do feriado da Ação de Graças, nos Estados Unidos, o mercado de dívida externa não operou.
Neste mês, o dólar acumula queda de 3,99% ante o real, e no ano, de 5,44%. Investidores estrangeiros e tesourarias de bancos operaram predominantemente na venda nos mercados à vista e futuro, estimulados pela expectativa de outro aumento da taxa Selic em dezembro, sugerida pela ata do Copom. A persistente valorização do euro e outras moedas fortes em relação ao dólar influenciou, e a disparada das ações de Petrobras após o anúncio do reajuste dos combustíveis favoreceu a migração de alguns investidores para a Bovespa.

Mercado futuro
Mas aparentemente os investidores estrangeiros não venderam dólares direto no mercado à vista, dada a perspectiva de elevação da Selic. No mercado futuro da BM&F, as tesourarias de bancos também voltaram a se posicionar majoritariamente na venda. Todos os vencimentos futuros projetaram quedas para o dólar. O volume financeiro, no entanto, encolheu 20,24% para US$ 4,65 bilhões, em 92.504 operações. Os operadores não identificaram diretamente uma atuação do Banco do Brasil em nome do Tesouro no mercado à vista.
Embora o mercado de títulos da dívida não tenha funcionado ontem por causa do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, a liquidez no câmbio manteve-se firme. O giro financeiro total à vista diminuiu apenas 3%, para cerca de US$ 1,126 bilhão.

Bolsa tem giro fraco
O reajuste dos combustíveis e o balanço do Banco do Brasil ajudaram a Bolsa paulista. O volume financeiro foi fraco, de R$ 990 milhões, por causa do feriado nos EUA. As ações ordinárias do BB fecharam em alta de 2,07%. Petrobras PN liderou o ranking do Ibovespa, com alta de 5,36%, e Petrobras ON subiu 4,52%. O curioso é que na penúltima ata do Copom o Banco Central deu um puxão de orelhas na estatal, por estar protelando o reajuste dos combustíveis. Ontem, justo no dia da divulgação da ata, a Petrobras anunciou o aumento.
O mercado de juros havia se antecipado a uma ata conservadora do Copom, mas o tom veio muito pior do que o previsto. E nem assim a curva de juros obedeceu.
Além de o juro futuro não subir - o que seria interessante para o Copom, porque é a curva de juro que define o custo do crediário e, portanto, seria uma forma de conter o consumo -, ninguém acredita que as expectativas de inflação para 2005 irão diminuir. (Agência Estado)

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