MERCADO FINANCEIRO
Anúncio do BC faz dólar subir
O anúncio do Banco Central de que comprará US$ 2,432 bilhões no mercado entre este mês e junho de 2005 para honrar compromissos externos e recompor reservas teve efeito psicológico sobre os negócios ontem. O dólar comercial subiu no primeiro momento até a máxima de R$ 2,761 (+0,62%), recuou no início da tarde até a mínima de R$ 2,734 (-0,36%) e finalizou em alta de 0,40%, a R$ 2,755.
O diretor de Política Econômica do Banco C, Afonso Bevilaqua, negou, porém, que com a medida o governo tenha o objetivo de evitar a valorização excessiva do real. ''Não há absolutamente nenhuma preocupação com nenhum nível específico de taxa de câmbio'', disse.
Apesar das negativas do diretor, a cotação do dólar encerrou o dia de ontem em alta impulsionada pelo anúncio do BC e pelas declarações do presidente Lula, que disse à agência Bloomberg que o valor do dólar em relação ao real deveria ficar entre R$ 2,90 e R$ 3,10.
Dívida externa
As compras anunciadas ontem pelo BC continuarão sendo feitas pelo Tesouro, por intermédio do Banco do Brasil. Os dólares serão usados no pagamento de parcelas da dívida externa que vencerão até o primeiro semestre de 2005. Entre novembro deste ano e junho do ano que vem, os vencimentos externos somam US$ 12,169 bilhões (incluindo os gastos com juros). Os US$ 2,998 bilhões que serão pagos com dólares vindos do mercado se referem à chamada ''dívida velha'', que são os compromissos assumidos durante a renegociação da dívida externa encerrada em 1994.
O feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, hoje, tende reduzir a liquidez no mercado de câmbio. Por causa desse feriado, também não haverá negócios com títulos da dívida externa. Ontem, o mercado da dívida já fechou mais cedo, com os papéis brasileiros em alta. O risco Brasil fechou no nível mais baixo desde 12 de janeiro, em queda de 10 pontos, em 416 pontos base.
Bovespa avança apenas 0,11%
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não voltou ao patamar histórico de segunda-feira e fechou ontem em leve alta de 0,11%, aos 24.368 pontos. O volume financeiro foi de R$ 1,34 bilhão. A valorização do índice foi se reduzindo por contágio de Wall Street, onde os mercados perderam o fôlego na véspera do feriado de Ação de Graças. Às 18h10, o Dow Jones subia 0,07% e o Nasdaq, +0,75%.
Segundo profissional de mercado, a expectativa pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) puxou o freio dos negócios, já que o documento pode mostrar um Banco Central mais pessimista sobre a economia.
Os investidores também anteciparam as compras por conta do feriado de quinta-feira quando a Bolsa brasileira fica sem sua referência externa (as Bolsas americanas) e, tradicionalmente, os negócios esvaziam.
Ontem, a Bovespa informou que as compras de ações por investidores estrangeiros superaram as vendas por R$ 702,70 milhões no mês de novembro, até o dia 19. Trata-se do maior superávit desde fevereiro, quando o saldo foi de R$ 1,57 bilhão e reverte uma sequência de cinco meses deficitários. No acumulado de janeiro a novembro, a Bolsa registra saldo positivo de R$ 618,97 milhões. (Das agências)





