MERCADO FINANCEIRO
Risco-país cai e puxa
nova baixa do dólar
As notícias do cenário doméstico e externo ontem ajudaram o mercado de câmbio a registrar novo dia de baixa, ainda que modesta, refletindo a expectativa de novas captações externas. O dólar comercial finalizou o dia cotado a R$ 2,744 na ponta de venda, em retração de 0,39% sobre o fechamento anterior.
A taxa de risco-país caiu 0,46%, para 426 pontos. A cotação do título da dívida soberana C-Bond, outra referência de risco-país, subiu 0,12%. Existe a expectativa de que a taxa de risco caia abaixo dos 400 pontos nos próximos dias, o que anima o mercado a esperar uma nova onda de captações privadas no exterior.
A operação do banco Votorantim, que levantou recursos lá fora com oferta de papéis em reais, ainda foi citada como exemplo de ''credibilidade'' dos ativos brasileiros junto a investidores estrangeiros. Profissionais de mercado ainda descartam uma intervenção do BC para aproveitar o preço da moeda americana e recompor as reservas. O motivo citado é o mesmo: o combate à inflação continua prioridade e as projeções econômicas ainda sinalizam indicadores muitos altos para 2005.
Inflação em foco
A alta do IPCA-15 em novembro foi um dos destaques do dia, já que o número (+0,63%) veio acima das expectativas do mercado (0,56%), assim como o ''núcleo'' (que exclui os preços mais voláteis), que subiu 0,60% ante projeção de 0,56%. O índice serve de prévia para o IPCA, a referência do governo para as metas de inflação e mostrou o custo de vida ainda pressionado pelos preços dos combustíveis. Os indicadores inflacionários ganham importância ainda maior nesta semana. Amanhã, o Banco Central (BC) divulga a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) que vai trazer as justificativas para a elevação da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual.
Bovespa cai 0,43%
Após patinar por todo o pregão em torno da marca histórica dos 24.444 pontos, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o dia em queda de 0,43%, provocado por realização de lucros e afetado ainda pelo dia negativo das Bolsas americanas.
O principal termômetro do mercado, Ibovespa, atingiu os 24.340 pontos, em um pregão com volume financeiro de R$ 1,41 bilhão. O indicador acumula valorização de 5,6% somente neste mês. O preço do petróleo (que subiu para US$ 50,25 o barril) foi a senha para um dia negativo para as Bolsas americanas, às vésperas da divulgação do novo relatório do Departamento de Energia dos EUA.
Destaques
O grande destaque dia foram as ações da Brasil Telecom Participações, que dispararam após a notícia do retorno da Telecom Itália ao bloco de controle, autorizada pela Justiça do Rio de Janeiro. A ação preferencial disparou 5,26% enquanto a ADR teve ganho de 4,84%.
Já a Companhia Paranaense de Energia (Copel) reafirmou ontem, a pedido da Bovespa, a informação de que não prevê acabar ou reduzir o desconto nas tarifas concedido aos consumidores pontuais. A ação preferencial classe B cedeu 3,2%. (Folhapress)





