Bovespa e dólar reagem a boatos

O humor do mercado azedou nesta tarde com uma série de boatos, típicos das quintas-feiras. O Ibovespa chegou a cair 1,34% no pior momento do dia, mas fechou em queda bem menor, de 0,11%, para 24.143 pontos, com volume financeiro de R$ 1,346 bilhão. Às 18 horas, o Dow Jones subia 0,31% e o Nasdaq valorizava 0,25%.

Logo após a reabertura dos negócios viva-voz, o Ibovespa acentuou o movimento de baixa, afetado primeiro por rumores de que revistas semanais trariam denúncias de que uma importante figura política de Brasília teria feito saques no Banco Santos, pouco antes da intervenção determinada pelo Banco Central.

Depois, correu a boca miúda que outras instituições de pequeno porte estariam dependuradas no redesconto, e por tabela, também seriam candidatas à intervenção do Banco Central. O mercado reagiu mal, menos pelo risco e mais pelo clima de desconfiança que gera tais especulações.

Todo o zunzum se sobrepôs à troca de comando no BNDES que, afinal, não descontentou os investidores. Para o mercado, a saída de Carlos Lessa representa uma oposição a menos à política econômica do ministro Antonio Palocci e à atuação do presidente do BC, Henrique Meirelles.

Quanto ao fato de o Copom ter elevado a Selic em 0,50 ponto, para 17,25% ao ano, a reação foi nula no pregão. Já estava no preço. No micro, o mercado prosseguiu vendendo elétricas e comprando teles. As maiores quedas do Ibovespa foram de Copel PNB (-5,32%), Comgás PNA (-2,6%), Eletrobrás PNB (-2,61%) e VCP PN (-2,61%). Os melhores desempenhos foram registrados por Embratel PN (+8,33%), Tele Leste Celular PN (+6,56%), Telemig Celular PN (+4,49%) e Telesp Celular PN (+4,24%).

Entre os papéis brasileiros, no final do dia, o C-Bond operava em baixa de 0,06%, a 100,438 centavos de dólar; e o Global 40 caía 0,20%, na cotação de 115,800 centavos de dólar.



'Dança das cadeiras'

A boataria interrompeu a sequência de quatro baixas seguidas da moeda-norte americana que ontem fechou em alta de 0,57%, vendido a R$ 2,778. Os investidores também acompanharam com atenção a ''dança de cadeiras'' no Planalto. Consultorias políticas contratadas pelos bancos passaram o dia enviando relatórios com comentários sobre as mudanças no governo Lula, os possíveis impactos de uma reforça ministerial e os interesses favorecidos e contrariados com a troca de cargos.

A decisão do Copom de elevar o juro foi bem recebida, já que a aposta dos bancos se confirmou. Foi o 3º mês de alta. A taxa subiu de 16,75% para 17,25% ao ano. A ata com as justificativas sai na próxima quinta. Com isso, o crédito encarece inibindo o consumo e remarcações. Assim, o BC tenta evitar a disparada dos preços e minar as previsões pessimistas dos bancos quanto a um descumprimento da meta de inflação em 2005.

Apesar da subida do dólar ontem, a alta da taxa Selic favorece um dólar barato. Isso porque alguns investidores vendem a moeda dos EUA e compram títulos corrigidos pelo juro. Eles trocam de aplicações em busca de um rendimento maior. Os bancos também aguardam o anúncio de uma captação do governo no exterior com a emissão de bônus em reais. Será a primeira vez que o Brasil lança títulos em moeda local no mercado internacional. (Das agências)

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