Dólar registra 4º dia consecutivo de queda

O dólar caiu pelo quarto dia consecutivo ontem e atingiu o seu menor valor em quase dois anos e meio. A moeda norte-americana fechou em queda de 0,86%, vendida a R$ 2,762. Esse é o preço mais baixo desde 19 de junho de 2002, quando terminou cotada a R$ 2,707. Neste mês, a moeda acumula queda de 3,40%.

Os bancos venderam a moeda norte-americana para fazer caixa e reforçar a compra de títulos públicos, que devem render ganhos maiores devido à expectativa de uma nova alta dos juros pelo Banco Central (BC). Com os títulos públicos pagando remuneração maior, os investidores estrangeiros também ficam mais tentados a entrar no mercado brasileiro. Por isso, eles vendem dólares e, com os reais, adquirem os papéis emitidos pelo Tesouro.

Para os fundos que preferem evitar os impostos cobrados sobre as aplicações financeiras no País, o Tesouro deve lançar bônus denominado em reais ainda nesta semana, segundo informou ontem a edição eletrônica da revista especializada International Financing Review (IFR). Será a primeira vez que o governo emite um eurobônus na moeda local. O rumor circula desde o início deste mês. O secretário do Tesouro, Joaquim Levy, não comentou o assunto. Ele viajou ontem para Madri.

A trégua do petróleo nos últimos dias deixa o mercado externo mais ameno e favorável aos negócios. O barril, que superou US$ 55 no mês passado, foi negociado ontem abaixo de US$ 46 em Nova York. O alívio do petróleo ocorre em um mês marcado pela eleição tranquila do presidente Bush nos EUA, pelo aumento dos estoques americanos de óleo e pela previsão de um frio menos severo no hemisfério Norte, o que limita o consumo de óleo para aquecedores. A fraqueza do dólar frente a outras moedas, como o euro, também contribuiu para a valorização do real.



Bovespa sobe 1,67%

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) seguiu o sinal positivo das Bolsas americanas e fechou ontem com ganho acima de 1%. O volume de negócios melhorou. Nem a expectativa do anúncio de alta do juro inibiu o movimento de compra de ações. A alta de 1,67% fez o Ibovespa encerrar aos 24.169 pontos, o nível mais elevado desde o dia 5 de outubro, quando estava na marca dos 24.205 pontos. O principal índice da Bolsa paulista chegou a subir mais, cravando 24.289 pontos (alta de 2,17%).

Em Wall Street, a divulgação de um dado de inflação animou o mercado, pois indicou que os preços estão sob controle. Isso dá segurança aos investidores, que deixam de apostar em uma forte alta dos juros para inibir a inflação. Esse tipo de freio no crédito prejudica as ações das empresas, pois reduz o consumo e, por tabela, seus lucros.

As Bolsas americanas também foram impulsionadas pelo anúncio da fusão entre gigantes do varejo (Kmart e Sears). A notícia foi interpretada como um sinal de confiança dos empresários no futuro da economia americana. O índice Dow Jones subiu 0,58% e o Nasdaq avançou 0,88%

No pregão da Bovespa, as ações do setor de telefonia - que costumam ser as mais negociadas e as primeiras a refletir um maior demanda por papéis - lideraram a lista das valorizações. Telemar ON subiu 5,78%, seguida pelo papel da Tim (5,77%). O giro financeiro acima da média indica a presença maior de investidores estrangeiros. (Folhapress)

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